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BELÉM

Volta às aulas com tranquilidade: especialistas dão dicas para 2º semestre

O novo ciclo escolar de 2026 iniciou nesta segunda-feira (3), em Belém

Lívia Ximenes e Amanda Martins

3 de agosto de 2026 às 20:02

Organização antecipada é a chave para rotina tranquila

Organização antecipada é a chave para rotina tranquila ( Foto: Foto: Igor Mota | O Liberal )

O segundo semestre escolar de 2026 iniciou nesta segunda-feira (3), em Belém, e, com o fim das férias, o dia a dia de diversas famílias retorna aos hábitos tradicionais. A volta às aulas tende a ser desafiadora, devido à retomada da rotina de sono, reorganização de material e, principalmente, inclusão de um novo cronograma de estudos. Além disso, para milhares de crianças e adolescentes o uso de mochilas e bolsas também é desafiador.

A pedagoga Bianca Cantão orienta que, antes das aulas retornarem, é necessário reorganizar a rotina de sono e alimentação. Em casos de crianças pequenas, é indicado conversar e explicar sobre o reencontro com colegas e professores. “Também é importante, dentro de casa, colocar um local para a criança estudar, fazer seu dever de casa, fazer suas leituras e, se ainda está em processo de alfabetização, ajudá-la”, fala.

“A rotina ajuda a criança a se organizar e entender o que acontece ao longo do dia. Se a criança dorme bem, isso influencia diretamente na atenção, memória e aprendizagem no dia seguinte. Uma alimentação saudável também contribui para que a criança tenha disposição para participar das atividades. É necessário introduzir um horário para ela se organizar, fazer atividades e, dessa forma, ela constrói autonomia e responsabilidade com os estudos”, explica.

Especialista em Planejamento Estratégico, a pedagoga Jacinea Guedes afirma que é necessário acolhimento, paciência, apoio, diálogo e constância no processo de readaptação. “É comum que a criança demore alguns dias para compreender e se ajustar à nova rotina. Os pais podem ajudar retomando gradualmente os horários habituais da escola, incentivando a criança a acordar mais cedo, realizar os lanches nos horários adequados e manter uma rotina organizada ao longo do dia”, conta.

Organização é tudo!

A universitária Cisley Oliveira, de 28 anos, encontrou na organização uma forma de continuar facilitando a rotina do filho, Luke Oliveira, de seis anos, que estuda em período integral e participa de diversas atividades extracurriculares. A criança retomou suas atividades escolares na última segunda.

Para transportar todos os itens necessários ao longo do dia, ela optou por uma mochila de rodinhas e de maior capacidade para o filho.

"Eu preparo a mochila dele de acordo com o horário da escola. Como ele estuda em período integral, fica mais fácil organizar o dia conforme as atividades extracurriculares. São muitas coisas, incluindo natação, funcional, judô e teatro", afirma.

Ela conta que separa as roupas de troca, toalha, roupas íntimas e o uniforme de judô em organizadores para facilitar o uso ao longo do dia. Como o material escolar permanece na escola e apenas as atividades de casa são levadas para casa, a rotina fica mais prática.

Nos dias de aula de violino, Luke também transporta o instrumento nas costas. A organização, segundo a mãe, também faz parte da rotina da criança.

"Ele já organiza a roupa que vai usar, sabe os dias das atividades, organiza os livros na sala de aula e, quando chega em casa, tira as roupas sujas da mochila e deixa na máquina de lavar", relata.

Na prática

Jacinea Guedes ressalta que a adaptação à rotina escolar pode levar dias ou semanas, por isso, indica as seguintes ações: “Dormir e acordar em horários regulares, garantindo uma boa noite de sono; realizar as refeições nos horários adequados, especialmente o café da manhã e os lanches; organizar os materiais escolares no dia anterior; retomar momentos de leitura e estudo, mesmo que por poucos minutos ao dia; reduzir o tempo de telas, principalmente antes de dormir; e incentivar a autonomia, como arrumar a mochila, separar o uniforme e cuidar dos próprios pertences.”

“A família precisa caminhar junto com a escola, acompanhar as atividades e manter um diálogo com os professores. Sem cobrar imediatamente resultados dessa criança, tentar entrar no universo dela e perguntar qual foi a parte mais divertida do dia dela na escola, se ela fez alguma coisa diferente ou como foi a brincadeira com os colegas na hora do intervalo”, comenta Bianca Cantão.

A mochila deve ter peso adequado para evitar lesões
A mochila deve ter peso adequado para evitar lesões (Foto: Igor Mota | O Liberal)

Cuidados com a coluna

A saúde da coluna de crianças e adolescentes deve receber atenção especial no período escolar. Com o uso de mochilas nas costas e bolsas sobre os ombros, há riscos de lesões ósseas e musculares, considerando o peso colocado. O médico ortopedista Dante Giubilei explica que a dor leva ao cansaço, que provoca postura errada.

“É importante dizer que mochila pesada não causa escoliose, mas pode aumentar as dores e o desconforto, principalmente em quem já tem algum problema na coluna. A boa notícia é que a mochila, sozinha, não costuma causar deformidades permanentes na coluna. O maior risco é a dor e o desgaste muscular ao longo do tempo”, esclarece.

De acordo com Dante, o peso máximo da mochila deve ser de até 10% do peso da criança. “Por exemplo, uma criança de 30 kg deveria carregar uma mochila de até 3 kg. Também vale a pena organizar o material e levar para a escola apenas o que vai ser usado naquele dia”, diz.

O melhor modelo de mochila, segundo o médico, é o que possui duas alças acolchoadas, que devem ser posicionadas nos dois ombros — além disso, é necessário que esteja bem ajustada ao corpo. Em casos de crianças e adolescentes que precisam levar muito peso, Dante indica o uso de mochilas de rodinhas. “Já as bolsas de um ombro só devem ser evitadas, porque concentram todo o peso de um lado e podem causar mais dor e desconforto”, alerta.

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