Trabalhadores do Porto de Icoaraci, distrito de Belém, denunciam problemas na estrutura utilizada para o embarque e desembarque de passageiros e mercadorias. Segundo Luiz Silva, presidente da Associação dos Carregadores, Barraqueiros, Intermediários e Maquineiros da Feira do Açaí de Icoaraci (ACBIMFI), o flutuante utilizado no acesso às embarcações está no fundo. A situação dificulta a rotina de barqueiros, comerciantes, passageiros e moradores que dependem do transporte fluvial para se deslocar entre Icoaraci e as ilhas da região.
De acordo com o representante, a falta de uma estrutura adequada prejudica o transporte de mercadorias e também o deslocamento de crianças que estudam nas ilhas, idosos e pessoas que precisam de atendimento médico.
Falta de estrutura dificulta o acesso às embarcações
Segundo Luiz Silva, a construção do terminal destinado aos passageiros trouxe melhorias para parte da população, mas não resolveu as dificuldades enfrentadas por quem utiliza barcos para transportar mercadorias e se deslocar diariamente.
“Fizeram o terminal rodoviário, o que ajudou, mas ele ficou só para passageiros. Para quem vem de barco com mercadorias, crianças, idosos e pessoas que precisam fazer a travessia, as dificuldades continuam”, afirma.
O presidente da associação também demonstra preocupação com o atendimento de saúde. Segundo ele, durante a noite, as lanchas utilizadas como ambulâncias enfrentam dificuldades para acessar o local, principalmente quando precisam embarcar ou desembarcar pacientes.
“Quando chega a noite, as lanchas que funcionam como ambulâncias não conseguem utilizar o terminal porque ele está fechado. A população fica sem uma estrutura adequada para receber os pacientes em situações de urgência e emergência”, relata.
A falta do flutuante também preocupa os trabalhadores que dependem do porto para exercer suas atividades. Eles precisam de condições adequadas para o acesso às embarcações, tanto no transporte de passageiros quanto na movimentação de produtos.

Representante afirma que flutuante afunda repetidamente
Luiz Silva afirma que o problema não é recente e que a estrutura já teria afundado outras vezes. Segundo ele, os impactos provocados pelo movimento das embarcações acabam danificando o flutuante, que apresenta furos e fica submerso.
“Quando ele afunda, é porque vai batendo, batendo, até criar um furo e ir para o fundo. Já aconteceu de o problema voltar em quatro meses”, relata.
De acordo com o presidente da associação, quando o flutuante afunda, uma empresa é chamada para retirar a água de dentro da estrutura com o uso de uma bomba. Em seguida, são realizados reparos nos pontos danificados, incluindo o fechamento dos furos e a soldagem de partes da rampa de acesso.
Ele afirma que, depois dos consertos, o flutuante volta a funcionar, mas o problema reaparece com o passar do tempo.
“Ele vai batendo, bate de novo, rompe outra vez e afunda. Depois, é preciso fazer o serviço novamente. Com isso, o problema continua e os trabalhadores seguem enfrentando as mesmas dificuldades”, afirma.
Para Luiz, a estrutura não seria adequada à quantidade e ao tamanho das embarcações que utilizam o porto. Por isso, ele defende uma solução definitiva para evitar que o problema se repita.
Segundo ele, a situação afeta não apenas os trabalhadores, mas também os moradores que dependem das embarcações para chegar às ilhas, transportar produtos e ter acesso a serviços essenciais.
“Estamos brigando pelo direito de todos os trabalhadores e da população de Icoaraci. Queremos que olhem para a nossa realidade. Não queremos apenas respostas, queremos soluções”, afirma.
A comunidade pede providências para recuperar ou substituir a estrutura utilizada no embarque e desembarque. A entidade também defende que sejam esclarecidas as condições atuais do flutuante e as medidas previstas para evitar novos problemas.
Em nota a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Seinfra), informou que um flutuante menor que sustenta a rampa passou por intervenção recente, mas a estrutura voltou a afundar após constantes impactos de embarcações de maior porte, furto dos cabos de aço utilizados na fixação, somado à forte movimentação da maré. De acordo com a Prefeitura, uma nova intervenção está programada para o próximo fim de semana, nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, para reposicioná-lo e restabelecer a utilização da rampa.

