A Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) investiga a possível circulação do vírus da raiva entre morcegos em Belém. Equipes de vigilância epidemiológica realizam ações de análise e bloqueio sanitário na capital paraense para identificar possíveis situações de exposição e reduzir o risco de transmissão para seres humanos e animais domésticos.
O trabalho de monitoramento realizado pela Sesma, por meio da Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) e da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ), inclui a captura de morcegos em diferentes áreas da cidade. É realizada a identificação das espécies e o encaminhamento de exemplares para análises laboratoriais, com o objetivo de detectar precocemente a presença do vírus rábico.
Equipes da UVZ, em parceria com profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE), iniciaram visitas domiciliares em uma área do bairro do Jurunas. Durante a busca ativa, os profissionais verificam se houve avistamentos de morcegos e se moradores ou animais domésticos tiveram contato com animais possíveis transmissores.
Outra medida adotada é a atualização da vacinação antirrábica de cães e gatos que estejam com o esquema vacinal atrasado. A estratégia busca ampliar a proteção dos animais domésticos e diminuir o risco de transmissão do vírus.
Monitoramento
A vigilância de morcegos integra o Programa de Vigilância da Raiva e é considerada uma ferramenta importante para identificar a circulação do vírus antes que ele alcance outros animais ou seres humanos.
De acordo com a UVZ, Belém está há mais de 20 anos sem registro de transmissão da raiva por morcegos. A vigilância, entretanto, mantém atenção especial a esses animais devido à participação dos quirópteros — grupo que inclui os morcegos — no ciclo de circulação do vírus no território nacional.
As capturas são realizadas à noite, em pontos previamente definidos pelas equipes técnicas, principalmente em áreas com vegetação abundante, árvores frutíferas e possíveis abrigos. Para a atividade, são instaladas redes de neblina em locais estratégicos.
Após o recolhimento, os animais passam por identificação taxonômica, com análise da espécie, do sexo e de características relacionadas ao hábito alimentar. Parte dos exemplares é encaminhada ao Instituto Evandro Chagas (IEC), responsável pelas análises laboratoriais destinadas à investigação da presença do vírus da raiva.
Identificação do vírus
No Instituto Evandro Chagas, as amostras são recebidas para diagnóstico da raiva. Na Seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas, os procedimentos incluem a identificação da espécie e a análise de tecidos, principalmente do cérebro e das glândulas salivares.
O cérebro é examinado porque o vírus da raiva atinge o sistema nervoso central. Já as glândulas salivares são analisadas por sua relação com a transmissão do agente infeccioso.
Entre os métodos utilizados está a Imunofluorescência Direta (IFD), empregada na rotina diagnóstica. Também podem ser realizadas técnicas de biologia molecular, como o RT-qPCR, que detecta o material genético do vírus e pode contribuir para a caracterização da variante identificada.
A confirmação de animais positivos permite delimitar áreas de circulação viral e orientar medidas de prevenção, como a intensificação da vacinação de cães e gatos e a avaliação de pessoas que possam ter tido contato com animais infectados.
Precaução
A Sesma alerta que nem todo morcego representa uma situação de risco. A presença desses animais em seu habitat natural, como árvores, forros e outros locais escuros utilizados como abrigo, não indica, por si só, que estejam infectados.
A atenção deve ser redobrada quando um morcego é encontrado caído no chão, morto, se debatendo, dentro de uma residência ou apresentando comportamento incomum, como voar durante o dia.
Nessas situações, a recomendação é evitar qualquer contato físico e não tentar capturar ou manipular o animal com as mãos. Quando um morcego estiver dentro de casa, o morador pode, se for seguro, isolar o cômodo, abrir portas e janelas e permitir que o animal saia espontaneamente ao anoitecer. Se isso não for possível, a orientação é acionar a Unidade de Vigilância de Zoonoses para o recolhimento adequado.
Também não se deve mexer em colônias instaladas em árvores, telhados ou forros. A remoção precisa ser realizada de maneira apropriada, com orientação dos serviços responsáveis.
Cuidado
Em caso de contato direto com um morcego, mesmo que o animal pareça morto, a pessoa deve lavar imediatamente o local com água e sabão por cerca de 15 minutos e procurar uma unidade de saúde para avaliação da necessidade de profilaxia pós-exposição, que pode incluir vacina e, conforme o caso, soro antirrábico.
A avaliação médica é necessária mesmo quando não há uma lesão evidente, pois a raiva é uma doença viral grave que compromete o sistema nervoso central e apresenta altíssima letalidade após o início dos sintomas.
Se um cão ou gato tiver contato com um morcego, o tutor deve manter o animal sob observação e comunicar a ocorrência à Unidade de Vigilância de Zoonoses. Também é fundamental manter a vacinação antirrábica dos animais domésticos em dia.
A vigilância e as medidas preventivas adotadas em Belém buscam identificar possíveis focos de circulação do vírus, orientar a população e impedir que a doença alcance outros animais ou pessoas.
Investigação
A investigação foi desencadeada após a Unidade de Vigilância de Zoonoses recolher um morcego encontrado na Rua dos Tamoios, nas proximidades da Avenida Bernardo Sayão, no bairro do Jurunas, em 25 de setembro. No início de outubro, o resultado laboratorial confirmou a presença do vírus da raiva no animal.
A partir da confirmação, a Sesma intensificou as ações de vigilância e bloqueio epidemiológico, com visitas domiciliares em um raio de 500 metros do local onde o morcego foi encontrado. As equipes passaram a investigar possíveis contatos de moradores e animais domésticos, verificar a ocorrência de outros morcegos na área e atualizar a vacinação antirrábica de cães e gatos.
A identificação do animal positivo deu início às ações das equipes e ampliou a atenção da vigilância municipal para a possível circulação do vírus na região, com foco na prevenção de novos casos e na proteção da população.

