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BELÉM

Santa Casa pede doações para dobrar banco de leite materno

Instituição investe em medidas de segurança para manter doações em alta mesmo durante pandemia

Cleide Magalhães

11 de junho de 2020 às 07:00

Por mês, o Banco de Leite da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará processa de 200 a 240 litros do produto.

Por mês, o Banco de Leite da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará processa de 200 a 240 litros do produto. ( Foto: Oswaldo Forte / O Liberal )

Mesmo em tempos da pandemia da covid-19, a expectativa é que a solidariedade das mães ajudem a dobrar o estoque de um dos maiores Banco de Leite Humano (BLH) do Brasil, o da Fundação Santa Casa de Misericórdia, no bairro do Umarizal, em Belém.

De março até maio o estoque do banco está estável e somou 650 litros. Mas o ideal é sempre dobrar a quantidade. O leite serve para garantir o atendimento de cerca de 200 internados. Deles 150 estão nos leitos da Unidade Neonatal. Os demais estão em outros setores do hospital. A maioria deles são prematuros e precisam de leite a cada uma ou duas horas. Outros são bebês de termo e necessitam a cada três horas. Um litro de leite alimenta pelo menos dez deles.

A nutricionista Cynara Souza, coordenadora do BLH da Santa Casa, esclarece que qualquer mãe assintomática pode amamentar e doar leite materno. "Não há estudo que evidencie a presença do novo coronavírus no leite materno. Então essas ações são seguras. Atuamos com ações para colocar essa segurança para as mães, para elas nos ajudarem a atender as 150 crianças na Unidade Neonatal, que precisam do leite. E conseguimos manter o equilíbrio no estoque, porque conseguimos a confiança das mães. Sempre ligamos para as mães e explicamos sobre todas ações de cuidados e segurança que nós tomamos para fazer a coleta e também damos orientações sobre como elas precisam proceder, e está dando certo. Agora estamos em mobilização para o Dia Mundial de Coleta de Leite Materno, que ocorreu no dia 19 de maio, e vamos seguir para os períodos subsequentes para não cair a coleta. A meta é sempre dobrar a quantidade", afirma Cynara Souza.

A nutricionista frisa que, além de existir a possibilidade de a mãe amamentar e doar em tempos da pandemia, é fundamental reforçar os cuidados para as mães que estão sintomáticas para a covid-19. "Elas devem fazer o uso de máscaras e reforçar os cuidados de higiene antes e depois de pegarem seus bebês, e manter o distanciamento do bebê. Se a mãe não tiver condições de amamentar com máscara, que faça retirada do excedente do leite e outra pessoa, que esteja dando apoio, ofereça o leite de copinho e de colher. Caso seja uma doadora sintomática, nesse momento, ela precisa interromper, cumprir a quarentena e, assim que for liberada pelo médico, pode retornar ao período de doações", orienta a coordenadora do BLH da Santa Casa.

Essas informações foram levadas também para população de 52 municípios, além de internautas no YouTube, por meio da live “Amamentação e doação de leite humano em tempos de Covid-19” dentro do tema sobre o Banco de Leite Humano da Santa Casa, transmitida na manhã desta terça-feira (9).

Cynara Souza, falou sobre a amamentação; a nutricionista Vanda Marvão explicou aspectos relacionados à doação de leite; e a cabo Carlena Figueiredo, coordenadora dos Bombeiros da Vida, abordou a coleta do leite. A mediação foi de Reinan Abreu, coordenador do Laboratório de Inovação e de Educação a Distância da Escola de Governança Pública do Estado do Pará - EGPA. Foi a primeira transmissão ao vivo do Banco de Leite na internet, uma experiência que a equipe aprovou e pretende repetir e ampliar.

Regulamento

O BLH da Santa Casa atende de acordo com a Resolução 171/2006 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para o funcionamento de Bancos de Leite Humano.

A coleta do leite armazenando nas residências das doadoras voluntárias do BLH da Santa Casa é realizada por nove militares e sete civis, que integram o Projeto Bombeiros da Vida, do Corpo de Bombeiros Militar do Pará. Além da coleta, o projeto é responsável pelo cadastro de doadoras.

Pelo projeto, os bombeiros vão à casa da doadora, levam kits e explicam sobre o armazenamento, conservação, retirada e higiene do leite, porque este precisa chegar íntegro ao banco. Uma vez por semana, dependendo da necessidade, os bombeiros recolhem os frascos do leite na casa da doadora e distribuem novos. “Os bombeiros vão até a casa da mãe doadora, dá todas orientações sobre a coleta do leite, leva os kits com informações e nos traz o leite com segurança”, frisa a nutricionista.

Proteção

O aleitamento materno é capaz de reduzir em 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos, segundo o Ministério da Saúde. Além disso, protege a criança de doenças como diarreia, infecções respiratórias e alergias. Reduz também o risco de a criança desenvolver hipertensão, colesterol alto, diabetes, sobrepeso e obesidade na vida adulta.

A nutricionista esclarece que o leite materno previne contra doenças infecciosas, garante nutrientes adequados para os bebês terem melhor desenvolvimento, protege o estômago e intestino, enfim, o leite materno faz com que o organismo da criança adquira um sistema de defesa perfeito (sistema imunológico).

O Ministério da Saúde recomenda que as crianças sejam amamentadas até os dois anos ou mais e de forma exclusiva até o sexto mês de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cerca de seis milhões de crianças são salvas a cada ano com o aumento das taxas de amamentação exclusiva até o sexto mês de vida.

Serviço

Pode ser doadora do Banco de Leite Humano da Fundação Santa Casa de Misericórdia, qualquer mãe sadia, que esteja amamentando seus filhos, que tenha excedente de leite e manifeste essa vontade. Para ser doadora e obter mais informações sobre o BLH da Santa Casa, ligue: 91 - 4009 2212 /4009 0375. Os telefones funcionam durante 24 horas.