O Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, conhecido como PSM da 14 de Março, em Belém, passou por uma vistoria na tarde desta quinta-feira (5). A fiscalização é realizada pelo Ministério Público do Pará (MPPA), com a presença de representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), para verificar as condições de atendimento na unidade.
As informações sobre a vistoria foram repassadas pelo juiz federal Ruy Dias. Segundo ele, a fiscalização está relacionada a demandas apresentadas por instituições que apontam a necessidade de melhorias na estrutura e na assistência oferecida aos pacientes.
“É mais uma vistoria relacionada ao processo de conciliação que está sendo realizado na Justiça Federal, tendo em vista os pedidos do Ministério Público Federal, da Defensoria Pública da União, do Conselho de Medicina, do Conselho de Psicologia e de alguns outros. Do outro lado, está o município de Belém, tendo em vista a necessidade de melhor estrutura do atendimento”, explicou.

Durante a fiscalização, a equipe deve verificar diferentes espaços e equipamentos da unidade, além das condições em que os pacientes aguardam atendimento. O magistrado destacou que a vistoria também busca acompanhar os resultados das tratativas realizadas ao longo dos últimos meses.
“Vamos examinar e acompanhar o que tem acontecido diante justamente das tratativas que estão sendo feitas de conciliação desde o início do ano lá na Justiça Federal”, afirmou.
Pacientes relatam superlotação
Durante a tarde desta quinta-feira, pacientes e acompanhantes ouvidos no PSM da 14 relataram problemas na estrutura e na assistência oferecida pelo pronto-socorro. Entre as situações mencionadas estão a presença de pessoas em macas nos corredores, demora para atendimento, falta de leitos e ausência de equipamentos básicos.

A professora Teresa Gomes, de 57 anos, acompanhava o irmão, que procurou atendimento na unidade após passar por outras unidades de saúde. Segundo ela, o familiar foi encaminhado à unidade da 14 de Março para realizar uma tomografia, mas a espera foi longa devido à quantidade de pessoas aguardando atendimento.
“Tem muita gente no corredor. Agora, quando eu saí da sala, ele estava para receber medicação. Já estavam colocando pessoas na maca, internadas no corredor. Tinha gente na sala que recebe medicação, em macas. Pessoas gritando. Não está boa a situação”, relatou.
Teresa também contou que ficou comovida ao observar um paciente que aguardava a realização de um exame sem a presença de acompanhantes. “Eu vi um caso que fiquei muito comovida, de um senhor que não tinha acompanhante. O maqueiro levou e deixou ele na porta da sala para bater uma tomografia. Ele ficou ali bastante tempo naquela espera”, contou.

A professora também presenciou pacientes reclamando de dores enquanto aguardavam atendimento. Uma mulher, segundo Teresa, gritava e pedia ajuda, afirmando que precisava de uma cirurgia.
“Ela dizia: ‘Eu preciso de cirurgia, mas ninguém me ajuda, gente, pelo amor de Deus, eu vou morrer’. As outras pessoas que estavam sentadas começaram a falar que os enfermeiros tinham que atender a moça, pois ela estava passando mal. Ela perguntou se eles iam deixar ela morrer, pois não faziam o atendimento”, relatou. Ainda conforme Teresa, a paciente acabou sendo chamada após a reclamação das outras pessoas que também aguardavam atendimento.
Leitos improvisados
A professora Joelma Costa Furtado, de 54 anos, também relatou ter encontrado pacientes em macas nos corredores da unidade. Ela procurou atendimento no pronto-socorro após passar mal e afirmou que observou a situação de outras pessoas enquanto aguardava a finalização de um procedimento.

Segundo Joelma, havia pacientes de diferentes idades acomodados em estruturas improvisadas nos corredores, aparentemente à espera de atendimento ou de espaço nas salas da unidade.
“Eu passei agora lá dentro e vi bastante pessoas em macas, aguardando. Tem muita gente lá. Não é aqui fora, na parte de atendimento. É lá dentro que as pessoas estão. Ficam pessoas na maca, idosas, jovens e crianças”, disse.
Internação
Outra acompanhante ouvida pela reportagem foi Deusa Letícia Conceição Santos Barbosa, de 38 anos, que acompanha a mãe, de 58 anos, internada no PSM da 14 de Março há 20 dias. De acordo com ela, a familiar tem problemas no fígado e aguarda transferência para outra unidade de saúde.
Deusa afirmou que já presenciou situações péssimas de atendimento no hospital. “Há dias que ela está aqui internada e nós estamos aguardando um leito para ela. Estamos pela misericórdia, porque minha mãe está passando por uma situação muito difícil mesmo”, desabafou.

A acompanhante relatou dificuldades relacionadas à disponibilidade de equipamentos e materiais na unidade. Segundo ela, uma técnica de enfermagem informou que os pacientes que precisassem medir a pressão arterial deveriam levar o aparelho de casa.
“Uma técnica foi lá na sala avisar que quem precisar desse equipamento, que traga de casa, porque no hospital não tem. Eu já presenciei pacientes acomodados em locais improvisados e pessoas dormindo no chão enquanto aguardavam atendimento ou melhores condições de acomodação”, afirmou.
A Redação Integrada de O Liberal solicitou mais informações sobre o que foi verificado na vistoria para o MPPA e aguarda o retorno.
