Para a educação não parar, vacina já. Esse é o mote do manifesto lançado, na sexta-feira (2), pela comissão de professores das escolas particulares do Estado do Pará. Eles defendem a manutenção das aulas remotas e a vacinação imediata da categoria. São quase 200 professores que participam dessa comissão. Todos da rede privada. O coletivo é formado por professores da área metropolitana, e ainda não tem abrangência estadual.
Eles dizem que a comissão foi formada para estabelecer e encaminhar as lutas e necessidades da categoria e que pudesse, de fato e de direito, representa-los perante a sociedade civil e as instituições do Estado.
“Dada a urgência do panorama que estamos vivendo, com perdas irreparáveis, fizemos uma reunião extraordinária para debater sobre temas de maior relevância para a categoria: manutenção das aulas remotas e vacinação imediata”, diz o manifesto. E acrescenta: “Queremos voltar o mais rápido para normalidade de nossas atividades. Mas, sem a segurança de que estaremos bem e de que não seremos vetores da pandemia em nossas casas, não é possível. Por isso, a luta pela vacinação da classe é primordial e diligente”.
“Dada a urgência do panorama que estamos vivendo, com perdas irreparáveis, fizemos uma reunião extraordinária para debater sobre temas de maior relevância para a categoria: manutenção das aulas remotas e vacinação imediata”, diz um manifesto dos professores
Professores dizem que não vão fechar escolas
Professores da Região Metropolitana de Belém, eles dizem que não estão organizados para fechar escolas, pois é delas que vem o sustento da categoria. “Infelizmente, diante do tenebroso cenário desta pandemia, não nos sentimos seguros presencialmente em sala de aula. Já perdemos muitos entes queridos e nosso psicológico está abalado com o número crescente de professores mortos, pois estamos expostos diariamente a dezenas de alunos, afinal, temos várias turmas”, afirma o manifesto.
Ainda segundo eles, que pedem para não ser identificados, pois temem possíveis represálias, a única forma da categoria sobreviver é a aula online.
“Estamos suplicando pela nossa vida, que não pode ser vista como descartável. Quantos de nós terão que morrer para que a sociedade perceba a nossa importância? Sem professor, não existirá nem o médico que cuida de todos. Pense nisso”, afirmou um dos porfessores a O Liberal.
Diz ainda o manifesto que retorno de aula presencial sem vacinação em massa só trará mais morte - “seja a nossa, seja a de seus filhos ou mesmo a sua. Reflita”. “A lição que queremos ensinar hoje é da empatia e da solidariedade. Valorizem a nossa vida, a dos estudantes e a de todos os envolvidos com a educação paraense. Dizemos não às aulas presenciais sem segurança. dizemos sim à vida”.
Escolas particulares e governo rebatem manifesto
O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinepe) informou que, sobre a reivindicação dos professores, o sindicato não recebeu nenhum posicionamento oficial sobre isso. E, por esse motivo, não tem como se pronunciar. “Sobre o retorno, cada escola mantém seu próprio cronograma em sistema híbrido, com rodízio de aulas presenciais e remotas, como já vinha ocorrendo antes do lockdown”, afirmou.
“Sobre o retorno, cada escola mantém seu próprio cronograma em sistema híbrido, com rodízio de aulas presenciais e remotas, como já vinha ocorrendo antes do lockdown”, afirmou o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino
A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) informou que as instituições particulares de ensino, nos municípios em bandeiramento vermelho, estão autorizadas a realizar aulas presenciais, desde que respeitem os protocolos obrigatórios de prevenção, incluindo o distanciamento social e as medidas de higiene necessárias.
De acordo com o Decreto Estadual 800/2020, a orientação é que escolas e instituições privadas priorizem o ensino remoto. Já a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) informa que a logística de aplicação das vacinas é responsabilidade das secretarias municipais de saúde.
