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NATAL 

Presépios fazem parte da tradição de famílias e paróquias no Natal

O presépio é uma representação fundamental da encarnação e do nascimento do Verbo de Deus

Andreza Dias (Especial para O Liberal) e Bruna Lima

21 de dezembro de 2025 às 08:00

Os presépios natalinos fazem parte da tradição do Natal e estão presentes em muitas casas e paróquias como um dos principais símbolos da celebração. Montados em salas, varandas ou espaços especiais da residência, eles integram a decoração natalina e ajudam a contar a história do nascimento de Jesus Cristo. Em Belém, famílias mantêm essa tradição com o presépio montado na sala de casa.

Tradição em família

Para a família de Eduardo Benigno, 45 anos, chef de cozinha, a tradição do presépio em sua família começou há 80 anos, quando a sua avó, que trabalhava como zeladora do Cemitério Santa Isabel (PA) montava presépios feitos com figuras de papel. Ele conta que, na época, as imagens vinham nos jornais e eram recortadas e fincadas em terra branca.

Eduardo Benigno mantém tradição familiar de montar o presépio no Natal
Eduardo Benigno mantém tradição familiar de montar o presépio no Natal (Foto: Carmem Helena | O Liberal)

Segundo Eduardo, a tradição permanece como um símbolo central da fé da família. “Então, pra nós, da minha família, meu irmão, minha irmã e meu tio. Pra gente é importante, porque nós somos católicos e a gente considera o nascimento de Cristo o maior símbolo do Natal. É pra ele, exclusivamente pra ele, pra gente lembrar, lembrar da família porque ali também é o nascimento da família, da importância da família”, conta.

Desde 1994 todos os anos, Eduardo dedica-se à montagem do presépio e a contar de formas diferentes a narrativa do nascimento do menino Jesus na manjedoura. “É pra minha casa, assim, encher de graça, e as pessoas saírem de lá com o coração, lembrando que a importância do Natal é o nascimento de Cristo”, conclui.

Presépios na Paróquia de São Miguel da Cremação

A Paróquia de São Miguel da Cremação, que possui dois tipos de presépio, o tradicional e o temático, segue a tradição iniciada por José de Anchieta em 1552, que introduziu elementos regionais brasileiros no presépio, como caboclos e índios. "Além do presépio tradicional, anualmente criamos uma cena temática. Este ano, estamos celebrando o 'Ano da Esperança', com uma cena que retrata os setores missionários da paróquia", explicou o cônego José Gonçalo, atual pároco da Paróquia de São Miguel da Cremação.

Cônego José Gonçalo mostra presépio da Paróquia de São Miguel da Cremação
Cônego José Gonçalo mostra presépio da Paróquia de São Miguel da Cremação (Foto: Carmem Helena | O Liberal)

Em 2025, a paróquia comemora 60 anos de criação, e o presépio temático reflete essa data significativa. "Os coordenadores das pastorais da paróquia representam os pastores, que, assim como aqueles que anunciaram o nascimento de Jesus, hoje levam a Boa Nova aos outros", concluiu o pároco de São Miguel. Ele ainda fez questão de enfatizar a beleza de quem, como os pastores, tem a missão de anunciar a alegria do nascimento do Senhor: "Como são belos os pés de quem anuncia a Boa Nova do Reino de Deus", acrescenta.

O cônego explica ainda a importância histórica e espiritual do presépio para a Igreja Católica. Segundo ele, a tradição do presépio tem início no ano de 1223, quando São Francisco de Assis idealizou a primeira representação do nascimento de Jesus como uma forma de catequese e espiritualidade. "São Francisco, ao organizar o primeiro presépio, queria transmitir a misericórdia e a bondade de um Deus que, para nos salvar, se fez homem e nasceu na simplicidade", afirmou.

O presépio, para o Cônego José Gonçalo, é uma representação fundamental da encarnação e do nascimento do Verbo de Deus. Ele destacou que, por meio das imagens, a Igreja transmite a mensagem do Salvador que chega com humildade e simplicidade, na pobreza de uma manjedoura, entre animais. "No presépio, encontramos a Sagrada Família, Jesus, Maria e José, a cena dos pastores, homens humildes que foram os primeiros a contemplar a misericórdia de Deus, e a presença dos anjos, que proclamam a boa nova", explicou. Além disso, ele enfatizou a presença dos reis magos, que, ao visitarem o recém-nascido, trazem presentes simbólicos: ouro, incenso e mirra.

"A beleza do presépio está na representação de um Deus que é amor e que congrega todos os seus filhos e filhas, de todos os cantos, em Belém, a casa do pão", completou o padre.

História do presépio

O teólogo Mário Tito, da Universidade do Estado do Pará (Uepa), conta que a tradição dos presépios em Belém remontam os primeiros missionários que vieram junto com os portugueses, já com essa ideia muito mais forte de trazer as representatividades, as iconografias, os quadros e as representações bíblicas como catequese.

Um aspecto marcante das celebrações natalinas no Brasil é a incorporação de elementos regionais aos presépios. De acordo com Mário Tito, com o passar do tempo, passaram a aparecer nos cenários personagens e características próprias de cada região, como indígenas e ribeirinhos.

“Para nós, aqui na Amazônia, é comum pensar em um Jesus que nasce à beira de um rio ou de um igarapé, embaixo de árvores, com os animais próprios da nossa fauna e da nossa flora. Na medida em que se amplia a presença do presépio na catequese, também cresce a presença desses regionalismos”, afirma o teólogo.

Ainda segundo Mário Tito, a ideia do presépio sempre esteve ligada à catequese. Além de ouvir as pregações e a leitura do Evangelho sobre a noite de Natal, as pessoas também podiam visualizar a cena, com os animais e os personagens bíblicos.

Ele destaca o papel de Francisco de Assis nesse processo. Considerado o santo da criação, Francisco entendeu que o presépio expressava a ideia de que Deus veio para transformar toda a criação. “Por isso ele coloca lá o boi, o burrinho, os reis magos, os pastores, José, Maria, o anjo, e ele cria um ambiente”, comenta.

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