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BELÉM

Por causa da pandemia, Festival de Iemanjá não será realizado este ano

Mas, com precaução, os terreiros farão suas homenagens nas praias de Belém

Dilson Pimentel

4 de dezembro de 2020 às 14:00

Kátia Hadad, filha de uma das fundadoras do Festival de Iemanjá: respeito ao cenário da pandemia

Kátia Hadad, filha de uma das fundadoras do Festival de Iemanjá: respeito ao cenário da pandemia ( Foto: divulgação )

Por causa da pandemia, não haverá, este ano, o tradicional Festival de Iemanjá, que começou a ser realizado há 50 anos. Aproximadamente 70 mil pessoas participavam das homenagens feitas na orla de Outeiro.

“Esse ano, e de maneira acertada, a associação que hoje está respondendo pela articulação e organização do festival tomou uma decisão acertada em não realizar o evento por causa da pandemia”, disse, nesta sexta-feira (4), Kátia Hadad, filha de uma das fundadoras do Festival de Iemanjá, Mãe Nazaré Andrade, falecida em 2008.

As homenagens são realizadas na noite de 7 para 8 de dezembro. “O festival começou na década de 70, em dezembro. Um evento voltado para a umbanda e, hoje, ele tomou proporções em que todas as práticas afro-religiosas, de matriz africana, de umbanda, tambor de mina e as nações de candomblé se sentem como referência através dessa grande manifestação, que é o festival de Iemanjá”, explicou.

Mas Kátia explicou que, neste ano, alguns terreiros, oriundos de vários locais do Estado do Pará, vão fazer as suas homenagens a Iemanjá, à Janaína, à Mamãe Oxum, às ondinas, às sereias. Enfim, às entidades aquáticas, que têm como domínio a água, o mar, os rios, os igarapés”.

Ela acrescentou: “Para nós, afro-religiosos, não acontecer o evento é lamentável. No entanto, somos defensores da vida, defensores da natureza, prezamos pelo bem-estar das pessoas. E esse momento ainda é de defesa, de prevenção, de precaução”, afirmou. “Alguns terreiros estão indo para a praia do Crispim, em Marudá. Outros vão para o Atalaia, em Salinas. Outros tantos vão para Outeiro (da praia da Brasília até a praia de Barro Branco, uma extensão enorme). E, ali, com seus adeptos, simpatizantes, clientes, vão fazer a sua manifestação”, disse.

“Esse ano, e de maneira acertada, a associação que hoje está respondendo pela articulação e organização do festival tomou uma decisão acertada em não realizar o evento por causa da pandemia.  Para nós, afro-religiosos, não acontecer o evento é lamentável. No entanto, somos defensores da vida, defensores da natureza, prezamos pelo bem-estar das pessoas. E esse momento ainda é de defesa, de prevenção, de precaução”, reforçou Kátia Hadad, filha de uma das fundadoras do Festival de Iemanjá, Mãe Nazaré Andrade

Tradicionais festejos de Outeiro: pausa em 2020
Festejos de Outeiro terão pausa, mas manifestações podem ocorrer (Cristino Martins)

'A falta do festival não interfere em nossa fé', diz Kátia


O mesmo irá ocorrer em Icoaraci, na praia do Cruzeiro, e também em Cotijuba e Mosqueiro. “As pessoas vão se deslocar, nessa noite, de 7 para 8 de dezembro, para cumprir suas obrigações, levarem suas homenagens, e celebrarem a rainha do mar em agradecimento a esse ano tão difícil que a gente passou, de tantas perdas. E também para renovar seus votos, de pedidos para o ano vindouro, que a gente tenha muita saúde”, afirmou.

Kátia Hadad disse que não acontecer a realização do evento “não impede de maneira nenhuma e nem interfere na nossa fé e na nossa tradição. Tradição é algo que você mantém e faz de acordo com a tua condição, a tua necessidade e a tua fé. Não vai impedir que as pessoas mantenham suas tradições e a sua fé em Iemanjá, em Mamãe Oxum”, afirmou. Ela explicou que alguns templos fazem suas homenagens em seus espaços sagrados de terreiro, sem precisar ir à praia. “E esse ano não será diferente. Mas com  toda a cautela e prevenção”, completou.

“As pessoas vão se deslocar, nessa noite, de 7 para 8 de dezembro, para cumprir suas obrigações, levarem suas homenagens, e celebrarem a rainha do mar em agradecimento a esse ano tão difícil que a gente passou, de tantas perdas. E também para renovar seus votos, de pedidos para o ano vindouro, que a gente tenha muita saúde. Tudo isso não impede de maneira nenhuma e nem interfere na nossa fé e na nossa tradição. Tradição é algo que você mantém e faz de acordo com a tua condição, a tua necessidade e a tua fé. Não vai impedir que as pessoas mantenham suas tradições e a sua fé em Iemanjá, em Mamãe Oxum”, reitera Kátia Hadad

Kátia Hadad: tradição mantida
Kátia Hadad: tradição mantida (divulgação)

Kátia lembrou o Festival de Iemanjá foi fundado, em 1970, por mães, “que tinham em comum a sua devoção à mãe Janaína, Mãe Iemanjá e Mamãe Oxum. Mãe Marina, Mãe Celina, Mãe Lucimar Valdez, Mãe Nazaré Andrade, Mãe Marinete, Mãe Odiza e Mãe Dica são algumas das fundadoras do festival. Infelizmente, elas não estão mais entre nós. Mas deixaram uma semente plantada que hoje é uma árvore frondosa com raízes fortes, com muitos galhos e muitos frutos, para ser a nossa referência, que é o Festival de Iemanjá”, afirmou.