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HOMILIA

Palavra de Deus deve guiar a vida dos cristãos, orienta o padre Cláudio Pighin

O sacerdote explica a parábola do semeador e alerta os fiéis contra o desânimo na missão diária

Gabriel da Mota

11 de julho de 2026 às 16:00

Padre Cláudio Pighin une as mãos em oração e utiliza uma veste litúrgica verde, característica do Tempo Comum

Padre Cláudio Pighin une as mãos em oração e utiliza uma veste litúrgica verde, característica do Tempo Comum ( Foto: Igor Mota / Arquivo O Liberal )

Neste sábado (11), o padre Cláudio Pighin destacou o preceito cristão de seguir a palavra de Deus. Na homilia dedicada ao 15º domingo do tempo comum, o sacerdote baseou-se nos escritos do evangelista Mateus para apresentar Jesus como o único mestre que reúne e educa a sua comunidade. O ensinamento utilizou a parábola do semeador para refletir sobre as diferentes reações humanas diante das mensagens divinas.

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De acordo com o celebrante, Jesus recorria a métodos específicos para garantir que os ensinamentos chegassem a todas as pessoas. "Para que a sua palavra pudesse alcançar todo o mundo, ele utilizou várias interessantes estratégias comunicativas", refletiu o padre Cláudio Pighin. O sacerdote exemplificou que o mestre chegou a subir em uma barca, permanecendo um pouco afastado da praia, para falar à multidão que o assistia de pé, utilizando a propagação do som pelas águas como ferramenta de alcance.

A homilia contextualizou o cenário da Palestina antiga, destacando que o processo agrícola da época consistia em semear o terreno antes de ará-lo. Essa prática fazia com que as sementes fossem espalhadas por toda a área, caindo tanto em solos férteis quanto em locais improdutivos.

"Dá para entender logo que uma boa parte da semente ia ser perdida. Porém, é verdade também que a semente que caiu em terra boa compensava aquela perdida", explicou o padre, apontando que o reino de Deus se faz presente mesmo diante dos obstáculos cotidianos.

Confiança na missão afasta o desânimo dos fiéis

O padre Cláudio Pighin ressaltou que Jesus não compartilhava do pensamento espetacular e triunfal atribuído historicamente aos judeus daquela época. O sacerdote traçou um paralelo com o comportamento contemporâneo, criticando a postura de muitos cristãos atuais que esperam que o poder divino simplesmente derrube todas as resistências sem o esforço da caminhada.

O celebrante ponderou que o grande mestre conseguia enxergar antecipadamente o ato de regar as sementes e a colheita final.

"Esta confiança na potência de Deus alimenta a esperança nos cristãos que, às vezes, podem se deixar tomar conta pelo desânimo perante os insucessos da vida", disse o padre.

Parábola do semeador define os tipos de corações

A explicação da parábola dividiu os ouvintes em quatro perfis distintos de terrenos onde a semente pode cair. O primeiro tipo corresponde à semente que cai à beira do caminho, representando as pessoas impenetráveis, que escutam a mensagem, mas não permitem que ela entre na própria vida. O segundo grupo é o terreno pedregoso, que simboliza o indivíduo superficial, que se entusiasma com facilidade, porém carece de perseverança para seguir em frente.

Os dois últimos perfis completam a analogia sobre a absorção dos ensinamentos cristãos. O terreno cercado de espinhos ilustra as pessoas que, diante das exigências mais severas da fé, deixam-se seduzir pelo poder e pelo acúmulo de dinheiro. Por fim, a terra boa reflete o comportamento daqueles que escutam, compreendem e acolhem a mensagem no coração, gerando frutos positivos para a sociedade.

Ao encerrar a reflexão, o sacerdote propôs que os cidadãos avaliem a qual categoria pertencem e analisem o impacto real da fé na rotina diária.

"Pela minha experiência de cristão, cheguei à conclusão que toda vez que a gente não se deixa conduzir pela palavra de Deus é como ficar nas trevas, sem perspectivas de verdadeira vida", concluiu o padre Cláudio Pighin.