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LAÇOS AFETIVOS

Pais trocam presentes materiais por tempo de qualidade ao ar livre em Belém

Famílias aproveitam o domingo na Praça da República para criar memórias com as crianças longe das telas e do consumismo

Gabi Gutierrez e Gabriel da Mota

9 de agosto de 2026 às 11:24

Praça da República ficou repleta de pais e filhos neste domingo (9), Dia dos Pais

Praça da República ficou repleta de pais e filhos neste domingo (9), Dia dos Pais ( Foto: Ivan Duarte / O Liberal )

O domingo de Dia dos Pais ganhou um roteiro diferente para as famílias que decidiram ocupar a Praça da República, na região central de Belém. Em vez de shoppings lotados ou altos gastos financeiros, a escolha foi por uma manhã de caminhada, contato com a natureza e brincadeiras na grama, consolidando o espaço público da capital como cenários fundamentais para o desenvolvimento infantil e a aproximação familiar.

"O Dia dos Pais serve para a gente se forçar, mesmo no meio de tanta correria e responsabilidade que a gente tem no mundo de hoje, a tirar um tempo para os nossos filhos e lembrar que, para eles, o que importa é a nossa presença", afirma José Fabrício Alves, de 25 anos, auxiliar de restaurante e pai de João Miguel, de 3 anos.

José Fabrício Alves, 25, auxiliar de restaurante e pai do João Miguel, 3 anos
José Fabrício Alves, 25, auxiliar de restaurante e pai do João Miguel, 3 anos (Ivan Duarte / O Liberal)

Ele destaca que um momento simples em um balanço tem mais significado do que um item material, sendo a decisão de passear no local uma forma de reviver o próprio passado ao lado do filho.

"A maioria das lembranças que eu tenho da minha infância era na aqui na Praça da República ou lá na Basílica de Nazaré, que eu ia brincar. Então, eu quero construir esse tipo de memória com ele também", destaca o auxiliar de restaurante.

Presença e ressignificação paterna

Para muitos, a caminhada na Praça da República representa a cura de dores antigas e a oportunidade de viver sentimentos inéditos. A programação gratuita permite focar exclusivamente na troca de afeto.

"Para mim, é algo muito especial, principalmente porque já não tenho meu pai há muito tempo, desde criança, quando eu tinha sete anos. Estar vivendo isso é algo novo", relata Ewerton Ribeiro, de 33 anos, músico e pai de Maria Alice, de 11 meses.

Ewerton Ribeiro, 33, músico e pai da Maria Alice Ribeiro, de 11 meses
Ewerton Ribeiro, 33, músico e pai da Maria Alice Ribeiro, de 11 meses (Ivan Duarte / O Liberal)

A família planejava a visita há semanas para que a bebê tivesse contato direto com pássaros e animais, expandindo a rotina de passeios ao ar livre que eles já mantêm em áreas como a Orla de Icoaraci.

"Para ela, é um ambiente perfeito para trazer, passear, conhecer e relaxar também. Hoje é Dia dos Pais e, além de ter ela comigo, isso é um presente muito bom", ressalta o músico.

Dia dos Pais na Praça da República
Ivan Duarte / O Liberal
Ivan Duarte / O Liberal

Contato direto com o mundo real

O distanciamento temporário dos dispositivos eletrônicos e das rotinas confinadas em apartamentos é outra motivação constante para quem troca o sofá pelos passeios externos nos finais de semana.

"Acho muito legal ela ter essa experiência: estar em contato com outras pessoas, outras crianças, para ela não crescer achando que o mundo é uma redoma. Ela precisa aprender a se sujar, pisar na areia, viver, ser uma criança mesmo", destaca Rafael Mendes, de 35 anos, autônomo e pai de Cecília, de 2 anos.

Rafael Mendes, 35, autônomo e pai da Cecília Mendes, de 2 anos
Rafael Mendes, 35, autônomo e pai da Cecília Mendes, de 2 anos (Ivan Duarte / O Liberal)

Ele avalia que a maior missão da paternidade contemporânea não é apenas o sustento financeiro, mas a responsabilidade comportamental, exigindo cuidados constantes por ser a principal referência diária da filha, inclusive na dosagem do uso de tecnologias.

"A tela entra na vida da gente como um artifício. A gente diz que não vai dar, mas no dia a dia ajuda. Só que também não deixamos ela ficar ali 100%. Acho que a gente nunca foi no shopping com ela, gostamos de ir na praça, passear", garante o autônomo.