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BELÉM

Paciente agoniza sem atendimento no Hospital Abelardo Santos, em Belém

Familiares aguardam por uma posição urgente da direção do hospital e da Sespa, diante do risco de o paciente perder uma das pernas

Eduardo Rocha

7 de novembro de 2026 às 17:29

Familiares de Paulo Nazareno cobram procedimento médico para socorrer o taxista aposentado

Familiares de Paulo Nazareno cobram procedimento médico para socorrer o taxista aposentado ( Foto: Divulgação / Redes Sociais )

Em um sofrimento que já dura quase um mês, incluindo uma passagem pelo Hospital do Pronto Socorro Municipal do Guamá, o paciente diabético Paulo Nazareno de Jesus Santos encontra-se há seis dias internado no Hospital Estadual Abelardo Santos, à espera de atendimento médico. Ele está um artéria de ligação com a perna esquerda entupida, e, com isso, corre o risco de perder esse membro inferior. Sem informações por parte da direção do Abelardo Santos quanto ao tratamento adequado, familiares do paciente fizeram um protesto para cobrar essa providência, fechando a avenida Augusto Montenegro, em frente ao hospital, neste sábado (7).

“Precisamos de uma posição por parte do Hospital Abelardo Santos, da Sespa (Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), sobre a vascularização necessária, para que se possa impedir que ele perca a perna esquerda, já que dois dedos do pé esquerdo nós entendemos que ele já perdeu”, enfatizou o professor Michel Oliveira, genro de Paulo Nazareno. 

Michel destacou que a família se encontra em uma situação crítica. Além do estado gravíssimo de Paulo Nazareno, taxista aposentado de 68 anos de idade, os familiares jã não podem mais ficar acompanhando de perto a situação dele, diante os compromissos de trabalho. E a própria esposa do paciente, Matilde Reis, uma pessoa também idosa, tem dificuldades para amparar o enfermo.

Peregrinação

Paulo Nazareno mora no Distrito Industrial de Ananindeua. Como relatou Michel Oliveira, Paulo sofre de diabetes e foi diagnosticado com o entupimento de uma das artérias que serve a perna esquerda. Essa artéria situa-se próximo da virilha do paciente. Como está entupida, o sangue não circula para esse membro inferior de Paulo. “E aí corre o risco de ele perder a perna, porque como a artéria não está alimentando esse membro, começa um processo de degeneração, por se tratar de um paciente  diabético e também com hipertensão”, destacou Michel.

Esse processo começou pelo fato de Paulo Nazareno ter deixado cair um objeto no pé esquerdo dele. Não houve ferimento, mas machucou dois dedos do senhor, que passou, então, a sentir muitas dores. Paulo acabou sendo levado às pressas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ananindeua. 

Nessa undade, Paulo recebeu analgésico e foi para casa, mas continuou reclamando de dor intensa. Chegou a retornar por até três vezes à UPA, mas como ele não melhorava, “nós recorremos ao PSM do Guamá”, como diz Michel. “Quando chegou lá, eles constataram  o entupimento de artéria e já internaram o senhor. Isso no começo de outubro”.

“Lá eles ficaram dando para ele só atendimento paliativo, só remédio para dor. E aí começou a necrosar o dedo central do pé esquerdo dele.  E eles continuando só  a dar medicamento para dor, não tratando o problema em si, até porque a estrutura lá não não tem condições, o  hospital não é voltado para isso”, relatou Michel.

Depois de 15 dias, foi constatado que um segundo dedo de Paulo Nazareno havia necrosado. “Quando ele entrou lá, não tinha nenhum dedo necrosado”. Do primeiro dedo para o segundo já foram 15 dias lá no HPSM do Guamá. Ao verificar com a ajuda de uma médica de que se não buscasse atendimento urgente para Paulo,  a perna dele iria necrosar por inteiro e teria de ser amputada,  os familiares fizerm um protesto na frente do HPSM do Guamá, no último dia 2. 

A manifestação surtiu efeito. No mesmo dia, o paciente Paulo Nazareno foi transferido para o Hospital Abelardo Santos. Ocorre que os familiares constataram que no Abelardo Santos o maquinário para procedimentos vasculares está com defeito. O Abelardo  Santos somente consegue atender alguns pacientes mediante uma parceria com o Instituto do Coração, como disse Michel Oliveira. Mas  para fazer esse procedimento, há necessidade de um kit específico, que não está disponível no Abelardo Santos. Michel tomou conhecimento que somente com licitação  esse hospital obtém o kit, para, então, atender os pacientes mais graves, enquanto os demais seguem esperando pela sua vez. 

“Essa situação ficou então insustentável. Teríamos que aguardar pelo resultado de uma licitação para que o procedimento fosse feito”, enfatizou Michel Oliveira. Essa aflição dos familiares do paciente motivou o protesto que fizeram na frente do Hospital Abelardo Santos para cobrar o procedimento vascular urgente em Paulo Nazareno. 

A Reportagem do Grupo Liberal demandou a Sespa e aguarda por uma posição da Secretaria acerca desse assunto

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