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JUVENTUDE ÁLCOOL

Nova geração reduz ou abandona o consumo de bebidas alcoólicas em eventos sociais

A mudança de comportamento prioriza a saúde mental e o bem-estar, deixando de lado a interferência de pressões sociais

Talita Azevedo e Andréia Santana | Especial para O Liberal

3 de agosto de 2025 às 10:00

Modificado em 27 de agosto de 2025 às 12:26

Em Belém, grupos de jovens têm reduzido ou substituído o consumo de bebidas alcoólicas por opções mais leves, como café, sucos, refrigerantes e outras alternativas não alcoólicas em datas especiais, bares, festas e encontros sociais. Esses grupos são adeptos ao movimento saudável, que traz grandes impactos na qualidade de vida, por meio de novas formas de socialização e diversão. A mudança de comportamento prioriza a saúde mental e o bem-estar, deixando de lado a interferência de pressões sociais em uma juventude que busca ser mais consciente e responsável com a própria saúde.

A estudante de psicologia, Maria Eduarda Coelho, explicou porque parou de consumir bebidas alcoólicas. “Quando eu era mais nova, comecei a consumir álcool por tentar me encaixar em grupos sociais, mas depois eu percebi que não era pra mim, que eu de fato não gosto do gosto do álcool. A partir daí, eu parei de consumir 100%. Eu bebo muita água e suco, então eu diria que o suco líquido é uma boa alternativa pra quem não gosta de álcool. Dá pra também em eventos sociais pedir um suco ou um drink sem álcool, com batida de suco e água com gás”, pontuou a jovem, no dia 27 de julho, enquanto participava de uma festa de café de rua, na Praça da República, em Belém.

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Com a troca do álcool por bebidas mais leves, a estudante de 20 anos, já consegue observar os impactos e benefícios que a decisão traz para a vida cotidiana. “Quando eu tentei ainda consumir o álcool, eu acordava com muita ressaca, me sentia mal, inchada. Agora não tenho mais ressaca no outro dia, então eu saio com meus amigos, acabo não consumindo nenhum tipo de bebida alcoólica e acordo me sentindo muito bem no dia seguinte. A gente tem que olhar para os nossos limites, ter autoconhecimento e entender se aquilo faz sentido para a nossa vida. Para mim nunca fez sentido, então eu optei por não consumir, porque para mim não acrescentava em nada”, contou.

Para esse grupo que foca numa rotina mais saudável, a iniciativa de reduzir ou abandonar o consumo de álcool se tornou uma decisão de autocuidado. Com a adoção do novo estilo de vida, muitos jovens relatam que tiveram como resultado uma rotina mais produtiva, com noites de sono mais tranquilas e melhora da ansiedade.

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A dentista Melissa Ballier, que também participou do mesmo café na Praça da República no dia 27 de julho, optou pelo consumo social em quantidades menores. “Eu consumo socialmente, em pequenas quantidades, se vou em um restaurante e estou com os amigos ou em um bar, por exemplo, eu tomo um drink que para mim já é suficiente, não consigo tomar mais do que isso. É uma opção pessoal, mas acho que também por meio de um histórico familiar de uma relação saudável com o álcool. Acho que vai muito de como você foi ensinado a consumir, foi assim que eu aprendi a viver e eu entendo que era uma opção mais saudável”, explicou.

A escolha se reflete em diferentes aspectos da vida, e, para Melissa, é fundamental que o consumidor entenda quais são os prejuízos causados pelo excesso. “A gente sabe tudo que o consumo de álcool pode causar. Se a gente pesar na balança mesmo, quando você consome dessa maneira, na minha opinião, você tira tudo que é o melhor, que é o sabor, o detalhe daquele momento, comendo alguma coisa que combine, mas numa relação saudável sem que aquilo te prejudique. Quando a gente é jovem, a gente tem a visão de que tudo a gente pode. Com esse consumo rápido você não desfruta daquilo que tem que ser desfrutado, é um tipo de autodestruição. A gama é você desfrutar, não você se autodestruir”, aconselhou.

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Sem ressaca

Geralmente, quem consome bebidas alcoólicas costuma enfrentar a ressaca no dia seguinte. O influenciador Bruno Henrique, de 34 anos, não enfrenta esse problema. Apesar de já ter experimentado diferentes tipos, seu organismo nunca se adaptou ao álcool. Por isso, ele prefere manter distância de drinques e cervejas, uma escolha que frequentemente causa estranhamento entre as pessoas ao seu redor.

“Eu nunca gostei de beber, já provei cerveja, já provei gim, caipirinha, mas nunca foi do meu agrado, absolutamente não desce uma bebida alcoólica em mim, meu organismo rejeita e eu passo mal quando tento provar. Normalmente ouço a frase ‘como tu consegue se divertir sem beber’, ou ‘como tu consegue ficar até de manhã na festa sem beber’. A reação das pessoas quando descobrem que eu não bebo é sempre de susto, porque eu me divirto na festa como se eu tivesse bebendo, mas isso é sobre saber viver sem uma gota de álcool”, contou.

Para Bruno, além de evitar esses efeitos indesejáveis, não beber também garante outras vantagens: ele mantém as lembranças dos eventos com clareza e ainda economiza, já que não gasta com drinques ou cervejas.

“Eu me divirto igual [todo mundo], tenho histórias para contar depois, economizo muito dinheiro no rolê e no dia seguinte não tenho ressaca, acordo bem, só é cansaço, apenas. Minha única bebida nas baladas é enérgico e água, apenas os dois, os estabelecimentos, acho que não sentem tanta diferença, porque a grande parte do público ainda são os que consomem bebida alcoólica”, disse.

Segundo Bruno, embora existam vantagens em não consumir bebidas alcoólicas, sua escolha não influenciou o comportamento dos amigos, o consumo ao redor continua o mesmo. Ainda assim, ele garante que isso não o incomoda.

“Meus amigos dizem que não vão mais beber, mas continuam bebendo. Mas acredito que cada um se diverte da forma que acha melhor e tá tudo bem. Eu realmente não gosto de beber e nunca bebi. Quando passei no vestibular eu disse que ia pegar um “porre” e que ia ficar bêbado, mas não consegui, a bebida não desceu de jeito nenhum”, finalizou.

Psiquiatra diz que ‘força de vontade’ é importante

Embora Bruno resista bem à pressão dos amigos para consumir bebidas alcoólicas, muitas pessoas ainda têm dificuldade em enfrentar as influências sociais. O psiquiatra Dirceu Rigoni, alerta para quem quer seguir um estilo de vida mais saudável e continuar curtindo com os amigos.

“A convicção e inflexibilidade deve já estar preparada, caso contrário, é muito mais fácil ceder. Se a pressão imposta for hostil, o melhor é ir embora. Se for insistente ou incômoda por parte dos amigos, talvez sejam amizades a reconsiderar. Tudo vai depender do grupo em que a pessoa escolha estar inserido. Pode gerar ostracismo do indivíduo caso ele queira fazer parte de um grupo que majoritariamente tenha por objetivo beber, apesar de eu acreditar poder ser hoje menos provável, visto que a aceitação de diferenças pequenas entre membros de um grupo pareça ser mais bem aceita pelo pleno”, disse.

Ainda segundo o médico, é importante que as atividades em grupo sejam diversificadas e agradáveis para todos, o que pode contribuir para reduzir a pressão sobre quem opta por não consumir álcool.

“Em termos de decisões ‘grupais’ em si, pode ocorrer a mudança nas atividades propostas, como ao invés de um bar, ir a um café; nos horários das atividades, ao invés da madrugada do final da noite, uma corrida na madrugada do início da manhã; na frequência, ao invés de apenas nos finais de semana, podem ter encontros mais regulares; e no bem-estar geral por questões de saúde, o que geralmente beneficia as relações interpessoais e as torna mais fortes”, explicou.

A busca por hábitos saudáveis e pela melhora da saúde também está ligada ao maior acesso da população a informações sobre bem-estar, segundo o médico. Nesse contexto, o álcool, considerado uma das substâncias mais prejudiciais à saúde mental, pode estar sendo evitado justamente por causa dessa conscientização.

“[O consumo de álcool] é um dos dados que vêm sendo divulgados de forma mais contundente sobre hábitos que prejudicam a saúde mental. É plausível supor que uma parcela da população mude seus hábitos pelo maior acesso a informações de saúde e dos malefícios do consumo de álcool, pois é razoável adotar hábitos saudáveis como alimentação, atividade física, quando toma conhecimento destes”, contou.