O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) celebrou 160 anos de produção científica na Amazônia na noite desta quinta-feira (15), em uma homenagem realizada no Theatro da Paz, no bairro da Campina, em Belém. O evento contou com a presença de autoridades, como o diretor do Museu, Nilson Gabas Júnior; o embaixador da Suíça no Brasil, Hanspeter Mock; o diretor do Theatro da Paz, o jornalista Edyr Augusto Proença; o diretor da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa), Marcel do Nascimento Botelho; e o secretário de Estado de Cultura, Bruno Chagas. A programação incluiu uma coletiva de imprensa e apresentação da orquestra Amazônia Jazz Band.
Fundado em 6 de outubro de 1866, o Museu Goeldi é a instituição de pesquisa mais antiga da Amazônia e tem uma trajetória dedicada ao estudo da biodiversidade, dos povos e das culturas da região. A celebração no Theatro da Paz integrou as atividades comemorativas pelos 160 anos da instituição, que também promoveu ações educativas no Parque Zoobotânico no último dia 6, data de sua fundação.
A homenagem foi promovida pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), e pelo Theatro da Paz, com apoio da Embaixada da Suíça no Brasil. A iniciativa também reconheceu a contribuição de servidores, pesquisadores, bolsistas, trabalhadores terceirizados, aposentados e demais colaboradores que participaram da construção da história do Museu.
Diretor alerta para necessidade de mais recursos
Durante a entrevista, o diretor do Museu, Nilson Gabas Júnior, destacou a importância de garantir recursos orçamentários e financeiros para manter as atividades da instituição e assegurar a continuidade das pesquisas científicas na região. Ele também alertou para a necessidade de ampliar o orçamento previsto para 2027, que, segundo ele, está abaixo do necessário para cobrir as despesas fixas do Museu. “Se você chegou nesse momento aos 160 anos, o que você precisa fazer para conseguir no mínimo outros 160? As duas coisas que são fundamentais para qualquer instituição de ensino ou de pesquisa na Amazônia é você ter recursos orçamentários e recursos financeiros”, afirmou.

O diretor ressaltou que as parcerias com instituições públicas e organismos internacionais são fundamentais para superar dificuldades financeiras e viabilizar iniciativas alinhadas à missão do Museu. Entre os exemplos, citou a colaboração com a Embaixada da Suíça, a Secretaria de Cultura e o Governo do Pará.
Gabas Júnior também defendeu a realização de concursos públicos para ampliar o quadro de servidores e reforçou a necessidade de mais investimentos para garantir o funcionamento da instituição. “Eu sei que esse é um momento de celebração, mas eu aqui já quero levantar, aproveitar a sua pergunta para levantar uma bandeira amarela, talvez laranja, não ainda vermelha, de que a nossa PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual), que é o planejamento da lei de orçamento anual para 2027, já está aquém do que nós precisamos para poder pagar as despesas fixas do Museu”, declarou.
Apesar dos desafios, o diretor destacou a capacidade da instituição de superar obstáculos ao longo de sua trajetória e reforçou a importância de assegurar condições para que o Museu continue desenvolvendo pesquisas e contribuindo para o conhecimento sobre a Amazônia.

Embaixada da Suíça destaca legado científico e continuidade das parcerias
O embaixador da Suíça no Brasil, Hanspeter Mock, ressaltou a relação histórica entre o país europeu e o Museu Paraense Emílio Goeldi. Segundo ele, um dos principais vínculos é a trajetória do naturalista suíço Emílio Goeldi, que dá nome à instituição e teve papel importante na consolidação de sua estrutura científica. “Emílio Goeldi era um naturalista suíço e eu nem sabia muito dele antes de chegar a esse país, como muitos suíços, também como muitos brasileiros que não associam o nome de Goeldi com a Suíça”, afirmou o embaixador.
Mock explicou que a Embaixada tem buscado valorizar a contribuição de Goeldi e de outros pesquisadores suíços para a história e o desenvolvimento da Amazônia, iniciativa que passou a ser identificada como o legado suíço na região.
O diplomata também destacou as ações de cooperação realizadas no contexto da preparação para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), realizada em Belém em novembro de 2025. Entre as iniciativas, citou uma exposição apresentada em até oito cidades brasileiras e o programa Road to Belém (Caminho a Belém), que contribuiu para ampliar as parcerias com instituições paraenses.
De acordo com Mock, o Museu Goeldi também recebeu o Pavilhão Oficial da Suíça durante a programação relacionada à conferência. A Agência de Inovação da Suíça, presente no Brasil, também desenvolveu ações em parceria com instituições do Pará e com o próprio Museu. “Então, não é uma parceria nova e também não é uma parceria que termina com a COP 30. Isso para nós é muito importante”, enfatizou.
O embaixador agradeceu o convite para participar da comemoração dos 160 anos da instituição e reafirmou o interesse da Embaixada em dar continuidade à cooperação. A parceria, segundo ele, representa uma oportunidade de fortalecer o intercâmbio científico e cultural e valorizar a contribuição de pesquisadores suíços para o conhecimento sobre a Amazônia.
Restauração da Casa Goeldi integra cooperação entre instituições
Uma das iniciativas que simbolizam a parceria entre o Museu Goeldi e a Embaixada da Suíça é o projeto de restauração da Casa Goeldi, edificação histórica localizada no Parque Zoobotânico, no bairro de São Brás, em Belém. O imóvel, construído no estilo conhecido como “Rocinha”, serviu de residência para os primeiros diretores do Museu, entre eles Emílio Goeldi, Jacques Huber e Emília Snethlage.
O projeto conta com a participação da Secretaria de Estado de Cultura e da Embaixada da Suíça, além de empresas privadas e dos institutos Peabiru e Pedra, com acompanhamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Pará. As obras estão em andamento e devem continuar ao longo de 2027.
Após a restauração, o espaço será destinado ao diálogo, à cooperação e à capacitação de povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e outros povos e comunidades tradicionais, conforme previsto na Portaria MPEG nº 503, de 13 de abril de 2026.
A iniciativa reforça a importância da preservação do patrimônio histórico e científico do Museu e amplia as possibilidades de aproximação entre a instituição e as comunidades amazônicas.
Theatro da Paz recebe apresentação da Amazônia Jazz Band
A escolha do Theatro da Paz como palco da homenagem também conferiu destaque ao patrimônio cultural paraense. Inaugurado em 1878, o teatro foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em julho de 2026, como patrimônio cultural da humanidade, em conjunto com o Teatro Amazonas, em uma candidatura conjunta denominada “Teatros da Amazônia”. A programação artística ficou a cargo da Amazônia Jazz Band, orquestra fundada em 1994 e reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Belém pela Lei nº 10.292/2026.

