Grupos escolares e outros frequentadores puderam participar de uma programação especial no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) nesta terça-feira (27/10), em Belém. Criado em 1985, o programa Museu de Portas Abertas (MPA), feito para a divulgação científica do MPEG, reuniu grupos escolares, além de pais e filhos, em experiências sobre biodiversidade amazônica, arqueologia e mudanças climáticas. A entrada no Parque Zoobotânico custa R$ 3 para o público em geral.
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Mayara Larrys, chefe do serviço de educação do MPEG, conta que o objetivo da atividade é aproximar a produção científica da instituição e de parceiros com o público geral, principalmente com as escolas. Segundo ela, a programação é dividida a partir das diferentes áreas de pesquisa do Museu, que são: zoologia, botânica, ciências da terra, ciências humanas.
Durante os encontros, os participantes poderão visitar quatro estações temáticas: Fauna da Amazônia, Flora da Amazônia, Arqueologia, memória e patrimônio, e Clima, água e território. A programação inclui contato com materiais científicos, como amostras de frutos, sementes e folhas, observação de animais taxidermizados e experimentos relacionados às mudanças climáticas.
Ciência compreensível

De acordo com Larrys, iniciativas como essas são uma forma de compreender a ciência como uma prática viva e estudo dos fenômenos. E, para tornar essas experiências mais compreensíveis ao público, a maior parte das atividades são táteis. “O peixe que às vezes só vejo em livro didático, vou poder tocar, entender onde ele mora e qual é o seu principal tipo de alimento, mas também vou ter contato com estruturas de escavação da arqueologia, que vai poder simular como é uma escavação e o trabalho de um arqueólogo”, destaca.
Na sexta (30/10), a imersão nos espaços de pesquisas aumenta durante a programação. Serão realizadas no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, na avenida Perimetral, no bairro da Terra Firme. Os visitantes poderão conhecer laboratórios e coleções científicas, incluindo espaços ligados à arqueologia, paleontologia e botânica. A programação também terá a palestra “Mulheres que abriram caminhos na ciência amazônica” e uma exposição de projetos educativos e tecnologias sociais.
“Além dos estandes em cada um dos pontos, algumas reservas técnicas e laboratórios podem ser conhecidos. Como, normalmente, é um espaço que não é acessado pelo público em geral, desperta mais curiosidade das crianças e jovens, que podem conhecer o nosso arquivo e a biblioteca", afirma Mayara.
Jennifer Cruz, 21 anos, estudante de Museologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), diz que essa é uma grande oportunidade para os estudantes dos ensinos fundamental, médio e superior conhecerem esses acervos, que costumam estar fechados em reservas técnicas. “Isso é um estímulo para verem o que estamos produzindo e o que a Amazônia produz. Com o passar do tempo, essas crianças voltam querendo trabalhar no Museu. Na perspectiva da museologia, isso é muito importante porque estamos trabalhando com uma museologia social, em que podemos inserir pessoas de diferentes áreas de conhecimento”, detalha.
O contato das crianças
A professora Francinete Cabral, de 35 anos, participou das atividades ao lado do filho, Pedro Rafael Cabral, 6. De acordo com ela, a junção entre conhecimento e contato com a natureza é importante. “Ele precisa conhecer sobre a nossa cultura e os animais que tem na Amazônia. Por mais que a gente more na capital, é um pouco difícil até de sairmos de casa. É um conhecimento que agrega na vida dele”, pontua.

Quando era criança, Robson Medeiros, 55 anos, que também é professor, lembra que via animais, que, hoje em dia, são mais difíceis de encontrar. Ele trouxe o filho, André Raimundo, de 4 anos, para participar das atividades. “Tem que criança que come frango, mas nunca viu. Não tem noção de onde vêm as coisas. A mãe dele dá aula para crianças e soube da programação e trouxe os alunos; aproveitei para trazer o André. É diferente, porque ele sai da rotina e conhece os animais", concluiu.

