MPPA discute impactos da Avenida Liberdade sobre a fauna silvestre com especialistas
Reunião ocorreu na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) na última quarta-feira (29)
O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) realizou, na última quarta-feira (29), uma reunião interinstitucional na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), em Belém, para discutir os impactos da Avenida Liberdade sobre a fauna silvestre e os reflexos da obra nas atividades desenvolvidas pela universidade e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
A iniciativa da Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, Patrimônio Cultural, Habitação e Urbanismo de Belém teve como objetivo avaliar os efeitos ambientais da implantação da avenida, discutir medidas de mitigação e compensação e fortalecer a atuação integrada entre os órgãos responsáveis pela proteção da fauna e pelo acompanhamento ambiental da área.
Durante a reunião, foi constatado que algumas estruturas da UFRA, especialmente o Hospital Veterinário e o Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras), estão entre os espaços mais sensíveis aos impactos provocados pela Avenida Liberdade. Segundo especialistas, os animais em processo de reabilitação são diretamente afetados pelo aumento do ruído e das vibrações gerados pelo intenso fluxo de veículos.
Também foi destacado que parte dos impactos identificados não se restringe ao período de implantação da obra, mas apresenta caráter contínuo e permanente, exigindo monitoramento constante e reavaliação das medidas ambientais adotadas.
A UFRA informou que mantém diálogo com o Governo do Estado para definir medidas capazes de reduzir os impactos da obra, além da adoção de mecanismos de compensação ambiental. Ainda assim, foi ressaltada a importância de ampliar a participação da universidade em programas de controle ambiental, especialmente os voltados ao monitoramento da fauna silvestre.
Outro ponto debatido foi a alteração do ambiente natural provocada pela implantação da via, com reflexos sobre o fluxo gênico das espécies, além do registro de atropelamentos e da presença de animais silvestres em áreas de pesquisa da Embrapa e de manejo da UFRA.
Os participantes avaliaram ainda que, diante da permanência de parte dos impactos ambientais, será necessária a reavaliação das condicionantes previstas no licenciamento ambiental, bem como a análise da necessidade de medidas compensatórias adicionais.
Durante o encontro, também foi discutida a presença de animais de grande porte, principalmente búfalos, na Avenida Liberdade. Ficou esclarecido que os animais avistados na pista não pertencem aos rebanhos da UFRA nem da Embrapa.
Representantes da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) informaram que há registro de três criadores de búfalos nas proximidades da rodovia e assumiram o compromisso de verificar as condições de contenção dos animais nas propriedades. O objetivo é identificar os responsáveis e adotar medidas para prevenir novos riscos à segurança viária e à fauna.
Participaram da reunião o promotor Marco Aurélio do Nascimento; a médica-veterinária Terezinha Rosseti e a bióloga Soraia Marriba Knez, integrantes do Grupo de Apoio Técnico Interdisciplinar (GATI/CAOTEC) do MPPA; a reitora da UFRA, Janae Gonçalves; a médica-veterinária Ana Sílvia Sardinha Ribeiro, do Cetras; Fernando Barbosa Tavares e Antônio Neto, representantes da universidade; a chefe-adjunta de Administração da Embrapa, Maria Rosa Travassos, representando a chefia-geral; o médico-veterinário e pesquisador Marivaldo Figueiró; a jornalista Ana Laura Lima, do Núcleo de Comunicação da Embrapa; e o gerente de Produtos Artesanais de Origem Animal da Adepará e coordenador do Grupo de Trabalho Técnico Operacional (GATTO), Gustavo Amaral.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA