Moradores da passagem Adriano, entre as travessas Ezeriel Mônico de Matos e Joly, no bairro do Guamá, em Belém, realizaram um protesto na manhã desta sexta-feira, 16, contra a falta de saneamento básico e os problemas de infraestrutura enfrentados pela comunidade há mais de 20 anos. A manifestação começou por volta das 9h30, quando cerca de 15 pessoas interditaram a via para cobrar providências do poder público.
A mobilização ocorre durante obras de instalação de tubulação na passagem. Segundo os moradores, um engenheiro responsável pelo serviço teria informado que apenas parte da rua será contemplada pela intervenção, deixando cerca de 100 metros sem drenagem.
A autônoma Alice Silva, de 29 anos, afirma que os moradores não concordam com a execução parcial da obra e temem que a conexão da nova tubulação à estrutura antiga, instalada há mais de 20 anos, não resolva os problemas de alagamento. “A gente ficou sabendo que a rua não ia ser totalmente drenada. Eles iam pegar a metade e deixar 100 metros sem drenagem na rua. A gente não quer isso. Queremos que a drenagem seja feita em toda a extensão para não sofrer com as enchentes como sofremos antes”, afirmou.
Alice também relatou problemas no abastecimento de água desde o início das obras, há cerca de três meses. Segundo ela, o fornecimento é irregular e, em algumas residências, a água chega com aspecto sujo. “Eu não sei se é ligação de cano que não foi feita direito, mas a água vem e vai embora. A gente não tem água totalmente. Em algumas casas, a água ainda fica suja”, relatou.
A moradora também chamou a atenção para a existência de um bueiro que, segundo ela, permanece aberto na área da obra. Alice afirma que os moradores solicitaram acesso ao projeto da intervenção, mas consideram que o documento apresentado não contempla todas as necessidades da rua. “Pedimos para ver o projeto, e ele mostrou um que não tem nem metade das coisas. A gente quer que quem mandou fazer essa obra venha aqui, converse com a gente e conclua o serviço. Há mais de 20 anos estamos lutando por essa rua”, disse.
Além dos problemas relacionados à drenagem e ao abastecimento de água, os moradores denunciam o despejo de esgoto a céu aberto, o mau cheiro e os riscos provocados por buracos sem sinalização adequada.
O mecânico Vitor Moraes, de 35 anos, afirmou que o esgoto proveniente das residências acaba sendo lançado diretamente na rua. “Quando a população usa o banheiro, puxa a descarga, o esgoto vem todo para a rua e fica aqui a céu aberto. Isso aqui é preto porque é água de esgoto”, relatou.
Vitor também afirmou que pessoas já caíram nos buracos existentes na via e que, quando o nível da água sobe, o esgoto pode alcançar quintais e imóveis situados em áreas mais baixas. “Está trazendo muito transtorno para a gente. Tem idoso, tem criança. O cheiro está forte, tem mosquito. A gente não sabe mais o que fazer e está procurando a imprensa para ver se acontece alguma coisa”, disse.
A população cobra que as obras sejam concluídas em toda a extensão da passagem Adriano e que sejam adotadas medidas para resolver os problemas de esgotamento sanitário, drenagem e abastecimento de água.
Em nota, a Águas do Pará informou que vai encaminhar uma equipe técnica à passagem Adriano para verificar a situação relatada pelos moradores e adotar as medidas necessárias para solucionar o problema o mais breve possível. A concessionária também informou que permanece à disposição da população pelos canais de atendimento: 0800 091 0091, por ligação ou WhatsApp, e pelo aplicativo Águas App.
Já a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) informou que não tem responsabilidade sobre as obras executadas na área.

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