A diferença entre falar sobre Deus e colocar a fé em prática foi o tema central da homilia do padre Claudio Pighin na missa deste domingo (27), correspondente ao 26º Domingo do Tempo Comum. Celebrante das missas dominicais realizadas na sede do Grupo Liberal, no bairro do Marco em Belém, o sacerdote refletiu sobre o ensinamento de Jesus de que a vivência cristã não deve se limitar às palavras, mas precisa ser demonstrada por atitudes. Ao comentar o Evangelho, padre Claudio afirmou que ninguém deve se considerar plenamente justo ou acreditar que já concluiu sua caminhada de fé. Segundo ele, a conversão é um processo permanente e deve alcançar todos, inclusive aqueles que já se consideram religiosos. “O que caracteriza, no entanto, o verdadeiro cristão é a sua atitude em fazer a vontade de Deus”, afirmou. Para o sacerdote, o Evangelho evidencia a distância que pode existir entre o discurso religioso e a prática cotidiana. Padre Claudio avaliou que muitas pessoas falam sobre Deus, mas não necessariamente vivem de acordo com aquilo que professam. “Fala-se muito de Deus, mas pouco se vive de Deus”, disse. Na avaliação do sacerdote, esse comportamento também está relacionado à tentativa de adaptar a imagem de Deus aos próprios pensamentos e interesses. “Digo sempre que a nossa sociedade é mais pagã que cristã, porque o ser humano quer construir um Deus a partir da sua maneira de pensar”, declarou. Fé precisa se transformar em atitudes Durante a homilia, padre Claudio também ressaltou que o entusiasmo religioso e os discursos sobre a fé não são suficientes quando não resultam em ações concretas. Ao retomar o ensinamento apresentado no Evangelho, afirmou que “o que vale de fato é fazer e não os fáceis entusiasmos que levam a multiplicações de palavras sem concluírem nada”. O sacerdote relacionou ainda a passagem ao discurso do Juízo Final, presente no capítulo 25 do Evangelho de Mateus, em que Jesus apresenta atitudes concretas como expressão da condição de seus discípulos. Para padre Claudio, o compromisso com a fé precisa aparecer na maneira como cada pessoa age. “Ser cristãos de fala não adianta nada”, afirmou. Conversão é para todos Outro trecho destacado pelo sacerdote foi a afirmação de Jesus de que “os publicanos e as prostitutas entram adiante de vós no reino de Deus”. Segundo padre Claudio, a passagem não deve ser interpretada como uma autorização para o pecado, mas como uma reflexão sobre a capacidade de acolher a mensagem de Jesus e transformar a própria vida. O sacerdote explicou que, muitas vezes, pessoas consideradas corretas e religiosas podem rejeitar, na prática, os ensinamentos de Cristo, enquanto pessoas de má reputação podem acolhê-los e iniciar um processo de mudança. “Com isso, todos nós precisamos compreender primeiro que necessitamos de uma constante de conversão, porque somente assim conseguiremos acolher e viver a mensagem de Jesus”, afirmou. Na parte final da homilia, padre Claudio voltou a criticar a distância entre discursos religiosos e atitudes. Segundo ele, é possível encontrar pessoas que citam a palavra de Deus, mas não traduzem esses ensinamentos em comportamentos concretos. “Por isso, o fazer é o que define a nossa aposta no reino de Deus”, declarou. Para o sacerdote, a mensagem do Evangelho deste domingo reforça que a conversão não é uma exigência dirigida apenas a quem é considerado pecador, mas um processo que envolve todos, sejam frequentadores ou não da Igreja.