Manejo ambiental da Praça Batista Campos pretende atingir equilíbrio ecológico
Ações da Prefeitura Municipal de Belém (PMB) esperam melhorar a população, a fauna e a flora na praça
As mais famosas moradoras da praça Batista Campos – as garças-brancas-grandes (Ardea alba)- continuarão a residir em um dos logradouros mais famosos de Belém de maneira mais harmônica. Esse é o planejamento da Prefeitura Municipal de Belém (PMB) para a fauna silvestre urbana na praça de 129 anos. A gestão municipal iniciou uma série de ações para melhorar o manejo ambiental da Batista Campos.
O trabalho iniciado nesta semana secou o primeiro dos sete lagos da praça para uma limpeza profunda. Há anos esse tipo de serviço não era realizado. Do lago foram retiradas três caçambas de terra e lixo. A terra rica em nutrientes será transformada em adubo. Os peixes retirados do lago retornarão para o espaço, mas com espécies amazônicas, adequadas à nossa região.
Com o melhor equilíbrio ambiental, a prefeitura espera diminuir a quantidade de garças no local resultando na diminuição de mortes dos animais, diminuição da sujeira de fezes das aves e consequentemente ampliando o espaço para a população de Belém frequentar a praça com mais qualidade.
A dona de casa Natália Souza, de 40 anos, moradora da Sacramenta, levou as duas filhas para passear na praça Batista Campos, na tarde desta quinta-feira (13), e já notou uma melhoria do espaço. “Na última vez que viemos estava bem imundo, há três anos. Da última vez era muito sujo, não tinha como sentar nos bancos”, relembra.
“A importância é para ter o lazer público, né? Porque tem pessoas que não tem condição de pagar para entrar em outros lugares, além do lazer para a população da cidade, outras pessoas veem para cá de outros lugares. É importante ver a praça limpa. Ela fica no centro também e demonstra o nosso zelo”, reflete.
As ações de manejo e manutenção da praça são realizadas por várias equipes de aproximadamente 70 pessoas, desde os trabalhadores da limpeza urbana até equipes especializadas de biólogos das secretarias, por exemplo.
De acordo com Ellen Eguchi, diretora do Departamento de Gestão de Áreas Especiais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), a ideia é trazer novamente o equilíbrio ecológico para o meio ambiente da praça. Os especialistas apontaram uma superpopulação de peixes e garças no espaço, e ainda a presença de espécies exógenas da Amazônia, como a tilápia.
“O conceito de fauna silvestre nativa é que são animais que tem independência da relação com o homem, isso está dentro da legislação. A garça é um animal de fauna silvestre, assim como urubu, entende. A tilápia é uma espécie exótica, e aí a gente precisa dar uma destinação diferente. E a ideia é essas garças procurem outras fontes de alimentos e migrem, como acontecia nos anos anteriores, e que essa relação seja muito mais equilibrada”, explica.
Os peixes foram encaminhados para avaliação de cientistas do Bosque Rodrigues Alves. Posteriormente, os animais serão enviados para a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) que dará a destinação final.
“A gente sabe que existiram muitos ruídos dentro disso, mas a nossa ideia, como eu falei aqui é de um espaço urbano público e de fácil acesso. As pessoas já não estavam mais acessando aquele quadrante da praça porque estava tendo superlotação de garças e animais. A ideia é que a gente consiga ter um convívio harmônico, entre a população de Belém e os animais”, reforça.
O secretário executivo de parques e praças da Secretária Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana de Belém (Sezel), Orlando Maestri, contabilizou três caçambas de materiais orgânicos retirados apenas do primeiro lago. O planejamento é que até o final do ano todos os lagos sejam limpos e passem pela intervenção. A praça Batista Campos também está tendo as redes de drenagem desentupidas, varrição, raspagem, limpeza de bocas de lobo e a manutenção dos equipamentos públicos como bancos, lixeiras e brinquedos infantis.
“Existia uma matéria orgânica natural de folhas, de alimentos e de tudo o que decanta na água. Esse material nos surpreendeu, foi algo de aproximadamente três caçambas de resíduos orgânicos retirados só desse primeiro lago. E eles identificaram aquilo era o produto orgânico, daquilo que era lixo. Nós aproveitamos levamos para a Granja da prefeitura esse material orgânico, que foi espalhado, e vai ser reutilizado, como adubo pra ser plantado em outras áreas da cidade”, detalhou.
Ele reforça na necessidade de toda a população colaborar com a limpeza da praça. “Todos nós somos parte disso. Daí há necessidade que a gente zele por ela, que a gente realmente cuide da praça. Evite super peso nos balanços e gangorras, a gente vê adultos brincando nesses equipamentos que são destinados para as crianças. Ontem, inclusive, nós identificamos um morador alimentando uma garça com restos de tripa de frango, a gente também pede para que não alimentem esses animais. Eles têm a fonte de alimento própria deles e não joguem lixo nas calçadas. Diariamente nós fazemos além da varrição, a limpeza das valas e todos os dias a gente encontra lixo mesmo tendo 55 lixeiras espalhadas por toda a praça”, pediu.
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