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SAÚDE

Janeiro Roxo: ações sociais em Belém reforçam que hanseníase tem cura

Objetivo é conscientizar a população sobre a importância da detecção precoce e do tratamento adequado da doença, que é curável, mas ainda cercada por estigmas

Gabriel da Mota

26 de janeiro de 2025 às 13:11

O ‘Janeiro Roxo’ em 2025 tem sido marcado por ações sociais em Belém. Neste domingo (26), a Usina da Paz do Guamá recebeu uma ação alusiva ao Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase, celebrado sempre no último domingo de janeiro. Com o tema “Hanseníase tem cura”, a mobilização é uma parceria entre as secretarias Estadual (Sespa) e Municipal de Saúde (Sesma) e oferta gratuitamente consultas dermatológicas, exames preventivos, testes rápidos, vacinas e palestras educativas, além de atividades culturais. No próximo sábado (1º de fevereiro), será a vez da Usina da Paz da Cabanagem receber a ação, das 8h às 12h.

De acordo com Luiz Augusto Costa, coordenador do Programa Estadual de Controle da Hanseníase, o evento é parte de uma série de ações do Janeiro Roxo, que já realizou atendimentos no bairro da Terra Firme e tem atividades programadas até o final do mês. “Na primeira ação, 250 pessoas foram atendidas, com 18 casos suspeitos e três confirmados. Isso mostra a importância de estarmos nas comunidades, trabalhando não apenas no diagnóstico, mas também no combate ao estigma que ainda cerca a hanseníase”, destacou.

Luiz Augusto Costa, coordenador do Programa Estadual de Controle da Hanseníase
Luiz Augusto Costa, coordenador do Programa Estadual de Controle da Hanseníase (Thiago Gomes / O Liberal)

No Pará, em 2024, foram registrados 1.354 casos de hanseníase, sendo 82 em crianças. Luiz Augusto explicou que o surgimento de casos infantis é um alerta de que adultos não estão buscando tratamento, perpetuando a transmissão.

“Assim que o paciente toma a primeira dose da poliquimioterapia (PQT), ele deixa de transmitir a doença. Isso reforça a necessidade da busca por diagnóstico e tratamento nas unidades de saúde”, esclarece.

A campanha continua até o dia 31 (sexta-feira), com uma mesa-redonda reunindo especialistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia, do Ministério da Saúde e de entidades estaduais, com foco no combate ao estigma e na capacitação de profissionais da atenção primária. Além disso, uma nova ação social será realizada na Usina da Paz Cabanagem no dia 1º de fevereiro (sábado).

Importância do serviço gratuito

A dona de casa Joana Santos, 67, mora no Guamá e procurou atendimento após notar uma mancha crescente em seu rosto. “Apareceu há mais de um ano como uma pintinha vermelha, mas agora está aumentando. Já fui a outros lugares, mas nunca fizeram os exames que fiz aqui hoje. Estou achando muito bom, porque nós, que somos pobres, não temos condição de pagar por atendimento particular. E é bom que seja num domingo, porque é mais tranquilo e a gente tem tempo”, relata.

Joana Santos, 67, dona de casa, está investigando uma mancha que apareceu em seu rosto
Joana Santos, 67, dona de casa, está investigando uma mancha que apareceu em seu rosto (Thiago Gomes / O Liberal)

Joana também destaca a importância do serviço gratuito para quem, como ela, enfrenta o isolamento e o preconceito devido à suspeita da doença. “Isso está no meu rosto, e todo mundo vê. Eu me sentia envergonhada e me isolava. Mas gostei muito da palestra e do atendimento, porque me ajudaram a entender o que pode ser e a começar o tratamento”, contou a dona de casa.

Como identificar e tratar a hanseníase

Os principais sinais de alerta incluem manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele, caroços, perda de sensibilidade em áreas do corpo e dores nos membros. O tratamento é gratuito e está disponível nas Unidades Básicas de Saúde em todos os 144 municípios do estado. Casos mais complexos podem ser encaminhados para as unidades de referência estaduais.

A hanseníase afeta principalmente a população ativa, com maior incidência entre pessoas de 20 a 54 anos. Segundo Luiz Augusto, a falta de conscientização agrava a situação. “Ainda enfrentamos barreiras culturais e preconceitos, o que dificulta que as pessoas procurem o tratamento a tempo. Precisamos lembrar que a hanseníase tem cura, e o tratamento é eficaz e gratuito”, pontua.

Além das ações do Janeiro Roxo, o estado mantém programas de controle da hanseníase ao longo de todo o ano. Unidades Básicas de Saúde oferecem diagnóstico e tratamento, e as referências estaduais estão à disposição para casos mais graves. Luiz Augusto reforça que a campanha de conscientização deve ir além de janeiro. “O combate à hanseníase precisa ser permanente. Estamos comprometidos em levar orientação, diagnóstico e tratamento de qualidade à população, de janeiro a janeiro”, conclui.

Hanseníase: sinais de alerta e como buscar ajuda

Sinais de alerta

  • Manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele, com perda de sensibilidade
  • Caroços ou inchaços em qualquer parte do corpo
  • Dores nos braços, pernas ou outras áreas
  • Diminuição da força muscular

O que fazer ao identificar os sintomas

  • Procurar uma Unidade Básica de Saúde. No Pará, o atendimento está disponível em todos os 144 municípios.
  • Solicitar avaliação médica e exames específicos. Casos complexos são encaminhados às Unidades de Referência Especializadas (UREs).
  • A hanseníase tem cura. O tratamento com poliquimioterapia (PQT) é gratuito e interrompe a transmissão já na primeira dose.

Campanha Janeiro Roxo 2025

  • 31/01: mesa-redonda para profissionais da Atenção Primária na Escola de Governança Pública do Estado (EGPA), das 8h às 12h.
  • 1º de fevereiro: ação na Usina da Paz Cabanagem, das 8h às 12h.