A poucos dias do Círio de Nazaré, quando o movimento no comércio de Belém costuma aumentar, a Travessa 13 de Maio ainda enfrenta os efeitos da interdição provocada pelo desabamento de parte de um prédio localizado na via. O trecho permanece bloqueado para a circulação de veículos, dificultando o acesso de clientes, trabalhadores, entregadores e motoristas que precisam passar pela região. Comerciantes relatam queda nas vendas e preocupação com os impactos que a interdição pode causar durante o período de maior movimentação no centro comercial da capital.
De acordo com a Segbel, equipes atuam no local para incluir medidas de interdição e organização do trânsito necessárias para preservar a segurança de pedestres e condutores enquanto houver risco. E ressaltam que a liberação da circulação de veículos no trecho dependerá da conclusão dos serviços e do aval dos órgãos competentes, entre eles o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Corpo de Bombeiros.
O problema começou após parte da estrutura do prédio desabar. Desde então, uma área da via permanece interditada. Segundo pessoas que trabalham na região, até o momento as obras de recuperação não começaram. No local, foi instalada uma estrutura de proteção para evitar riscos em caso de novos desabamentos.

Interdição muda a rotina do comércio
Para quem trabalha próximo ao trecho bloqueado, a dificuldade não está apenas na passagem de veículos. A restrição também interfere na chegada de clientes e no funcionamento dos estabelecimentos. Pamela Santiago, promotora de vendas, de 44 anos, trabalha em uma clínica odontológica da região e afirma que o movimento foi prejudicado desde o acidente.

“Desde que aconteceu o acidente com o prédio, uma parede que desabou devido à umidade da chuva há cerca de 2 meses, em um domingo de madrugada, o trânsito e a circulação de pessoas na região têm sido muito difíceis. A clínica odontológica onde trabalho e os demais comércios ao redor estão a sofrer prejuízos nas vendas porque há um impedimento no trânsito e na passagem de carros e pacientes”, relata.
Pamela também afirma que a situação ainda não avançou para uma etapa de obras. “As obras ainda nem começaram. Apenas colocaram uma estrutura para prevenir caso haja um desabamento interno”, conta.
A preocupação aumenta com a proximidade do Círio, período em que o centro comercial de Belém costuma receber um número maior de consumidores em busca de produtos e serviços. Para os comerciantes, a dificuldade de acesso pode afastar parte desse público.
Clientes encontram dificuldade para chegar
Deyvison Maia Monteiro, comerciante de 36 anos, trabalha há cinco anos no local e afirma que as vendas foram afetadas desde a queda de parte do prédio. Segundo ele, a interdição também criou dificuldades para quem precisa chegar aos estabelecimentos de moto ou carro.

“A queda do prédio piorou bastante as vendas. A logística ficou comprometida, pois não passam motos ou veículos para buscar passageiros e clientes na rua 13 maio, dificultando o acesso de quem compra”, afirma.
De acordo com o comerciante, outro problema é a impressão de que o comércio da área não está funcionando. “Quem costuma comprar aqui na 13 de maio pensa que o comércio local não está funcionando devido à interdição”, relata.
A dificuldade de acesso pode se tornar ainda mais evidente durante o período que antecede o Círio, quando o comércio costuma receber consumidores que se deslocam pelo centro para fazer compras e resolver outras atividades.
Bloqueio também afeta entregas e transporte
A interdição também tem causado problemas para quem depende da circulação de veículos para trabalhar. João Batista, comerciante de 57 anos, reclama das mudanças no trânsito na Travessa 13 de Maio e na Manoel Barata.

Segundo ele, quem entra pela 13 de Maio vindo da região da Rua Portugal não consegue mais seguir pelo trecho que está bloqueado. A mudança também prejudica entregas e dificulta o deslocamento de clientes. “Quem entra pela travessa 13 de maio vindo de Portugal não tem mais acesso por estar com o trânsito bloqueado”, afirma.
João diz ainda que a situação interfere nos deslocamentos para outras vias do comércio. Com o bloqueio, veículos precisam buscar outros caminhos para chegar a locais como a 15 de Novembro, Padre Eutíquio e Campos Sales.
O comerciante afirma que a dificuldade de circulação tem reflexos diretos nas vendas e na rotina dos estabelecimentos. “O bloqueio prejudica as vendas e o acesso de entregas e clientes, porque os meios de transporte não conseguem fazer os retornos necessários”, relata.

Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (SEGBEL) informou que vem acompanhando a situação desde o início da interdição e adotando medidas para garantir a segurança de pedestres, trabalhadores e demais pessoas que circulam pela área.
"Como forma de reduzir os impactos da interdição sobre o comércio e a atividade econômica do centro comercial, a SEGBEL já reduziu de cinco para apenas um os pontos de interdição existentes no perímetro. A medida busca conciliar a necessidade de preservar a segurança da população que trabalha e circula na região com a redução dos impactos sobre comerciantes e demais atividades econômicas do entorno."
A Segebel também informou que os serviços de escoramento e estabilização do imóvel localizado na Travessa 13 de Maio estão sendo realizados por uma empresa privada contratada pelo proprietário da edificação. A responsabilidade pela manutenção e conservação do imóvel é do proprietário, que deve adotar as medidas necessárias para garantir a segurança da estrutura.
"A Segbel atua no local no âmbito de suas atribuições relacionadas à segurança e à mobilidade, incluindo as medidas de interdição e organização do trânsito necessárias para preservar a segurança de pedestres e condutores enquanto houver risco. A liberação da circulação de veículos no trecho dependerá da conclusão dos serviços e do aval dos órgãos competentes, entre eles o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Corpo de Bombeiros, quanto às condições de segurança da edificação", informou.
"A Segbel conclui a nota informando que o município segue acompanhando a situação e avaliando medidas que permitam reduzir os impactos da interdição, sem comprometer a segurança da população", finalizou a nota.
