TER · 06 OUT 2026Assine

COMÉRCIO DE BELÉM

Interdição da travessa 13 de Maio preocupa comerciantes às vésperas do Círio

Bloqueio após desabamento de parte de prédio dificulta a circulação de veículos, pedestres e clientes e continua afetando a rotina do comércio no centro de Belém

Jamille Marques | Especial em O Liberal

6 de outubro de 2026 às 08:00

Travessa 13 de Maio segue interditada e preocupa comerciantes às vésperas do Círio

Travessa 13 de Maio segue interditada e preocupa comerciantes às vésperas do Círio ( Foto: Foto: Thiago Gomes | O Liberal )

A poucos dias do Círio de Nazaré, quando o movimento no comércio de Belém costuma aumentar, a Travessa 13 de Maio ainda enfrenta os efeitos da interdição provocada pelo desabamento de parte de um prédio localizado na via. O trecho permanece bloqueado para a circulação de veículos, dificultando o acesso de clientes, trabalhadores, entregadores e motoristas que precisam passar pela região. Comerciantes relatam queda nas vendas e preocupação com os impactos que a interdição pode causar durante o período de maior movimentação no centro comercial da capital.

De acordo com a Segbel, equipes atuam no local para incluir medidas de interdição e organização do trânsito necessárias para preservar a segurança de pedestres e condutores enquanto houver risco. E ressaltam que a liberação da circulação de veículos no trecho dependerá da conclusão dos serviços e do aval dos órgãos competentes, entre eles o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Corpo de Bombeiros.

O problema começou após parte da estrutura do prédio desabar. Desde então, uma área da via permanece interditada. Segundo pessoas que trabalham na região, até o momento as obras de recuperação não começaram. No local, foi instalada uma estrutura de proteção para evitar riscos em caso de novos desabamentos.

Bloqueio após desabamento de parte de prédio dificulta a circulação de veículos, pedestres e clientes e afeta a rotina do comércio no centro de Belém
Bloqueio após desabamento de parte de prédio dificulta a circulação de veículos, pedestres e clientes e afeta a rotina do comércio no centro de Belém (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

Interdição muda a rotina do comércio

Para quem trabalha próximo ao trecho bloqueado, a dificuldade não está apenas na passagem de veículos. A restrição também interfere na chegada de clientes e no funcionamento dos estabelecimentos. Pamela Santiago, promotora de vendas, de 44 anos, trabalha em uma clínica odontológica da região e afirma que o movimento foi prejudicado desde o acidente.

Pamela Santiago, promotora de vendas, de 44 anos
Pamela Santiago, promotora de vendas, de 44 anos (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

“Desde que aconteceu o acidente com o prédio, uma parede que desabou devido à umidade da chuva há cerca de 2 meses, em um domingo de madrugada, o trânsito e a circulação de pessoas na região têm sido muito difíceis. A clínica odontológica onde trabalho e os demais comércios ao redor estão a sofrer prejuízos nas vendas porque há um impedimento no trânsito e na passagem de carros e pacientes”, relata.

Pamela também afirma que a situação ainda não avançou para uma etapa de obras. “As obras ainda nem começaram. Apenas colocaram uma estrutura para prevenir caso haja um desabamento interno”, conta.

A preocupação aumenta com a proximidade do Círio, período em que o centro comercial de Belém costuma receber um número maior de consumidores em busca de produtos e serviços. Para os comerciantes, a dificuldade de acesso pode afastar parte desse público.

Clientes encontram dificuldade para chegar

Deyvison Maia Monteiro, comerciante de 36 anos, trabalha há cinco anos no local e afirma que as vendas foram afetadas desde a queda de parte do prédio. Segundo ele, a interdição também criou dificuldades para quem precisa chegar aos estabelecimentos de moto ou carro.

Deyvison Maia Monteiro, comerciante de 36 anos
Deyvison Maia Monteiro, comerciante de 36 anos (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

“A queda do prédio piorou bastante as vendas. A logística ficou comprometida, pois não passam motos ou veículos para buscar passageiros e clientes na rua 13 maio, dificultando o acesso de quem compra”, afirma.

De acordo com o comerciante, outro problema é a impressão de que o comércio da área não está funcionando. “Quem costuma comprar aqui na 13 de maio pensa que o comércio local não está funcionando devido à interdição”, relata.

A dificuldade de acesso pode se tornar ainda mais evidente durante o período que antecede o Círio, quando o comércio costuma receber consumidores que se deslocam pelo centro para fazer compras e resolver outras atividades.

Bloqueio também afeta entregas e transporte

A interdição também tem causado problemas para quem depende da circulação de veículos para trabalhar. João Batista, comerciante de 57 anos, reclama das mudanças no trânsito na Travessa 13 de Maio e na Manoel Barata.

João Batista, comerciante de 57 anos
João Batista, comerciante de 57 anos (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

Segundo ele, quem entra pela 13 de Maio vindo da região da Rua Portugal não consegue mais seguir pelo trecho que está bloqueado. A mudança também prejudica entregas e dificulta o deslocamento de clientes. “Quem entra pela travessa 13 de maio vindo de Portugal não tem mais acesso por estar com o trânsito bloqueado”, afirma.

João diz ainda que a situação interfere nos deslocamentos para outras vias do comércio. Com o bloqueio, veículos precisam buscar outros caminhos para chegar a locais como a 15 de Novembro, Padre Eutíquio e Campos Sales.

O comerciante afirma que a dificuldade de circulação tem reflexos diretos nas vendas e na rotina dos estabelecimentos. “O bloqueio prejudica as vendas e o acesso de entregas e clientes, porque os meios de transporte não conseguem fazer os retornos necessários”, relata.

Interdição Comércio de Belém
Foto: Thiago Gomes | O Liberal
Foto: Thiago Gomes | O Liberal

Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (SEGBEL) informou que vem acompanhando a situação desde o início da interdição e adotando medidas para garantir a segurança de pedestres, trabalhadores e demais pessoas que circulam pela área.

"Como forma de reduzir os impactos da interdição sobre o comércio e a atividade econômica do centro comercial, a SEGBEL já reduziu de cinco para apenas um os pontos de interdição existentes no perímetro. A medida busca conciliar a necessidade de preservar a segurança da população que trabalha e circula na região com a redução dos impactos sobre comerciantes e demais atividades econômicas do entorno."

A Segebel também informou que os serviços de escoramento e estabilização do imóvel localizado na Travessa 13 de Maio estão sendo realizados por uma empresa privada contratada pelo proprietário da edificação. A responsabilidade pela manutenção e conservação do imóvel é do proprietário, que deve adotar as medidas necessárias para garantir a segurança da estrutura.

"A Segbel atua no local no âmbito de suas atribuições relacionadas à segurança e à mobilidade, incluindo as medidas de interdição e organização do trânsito necessárias para preservar a segurança de pedestres e condutores enquanto houver risco. A liberação da circulação de veículos no trecho dependerá da conclusão dos serviços e do aval dos órgãos competentes, entre eles o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Corpo de Bombeiros, quanto às condições de segurança da edificação", informou. 

"A Segbel conclui a nota informando que o município segue acompanhando a situação e avaliando medidas que permitam reduzir os impactos da interdição, sem comprometer a segurança da população", finalizou a nota.