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Belém

Indígenas Warao "adotam" praça para morar em Belém

Eles estavam em uma casa que ficou ser energia elétrica

Redação Integrada

22 de março de 2019 às 23:54

Famílias inteiras ficam em calçadas pela Avenida Presidente Vargas, em Belém

Famílias inteiras ficam em calçadas pela Avenida Presidente Vargas, em Belém ( Foto: Cristino Martins / O Liberal )

Um grupo de indígenas venezuelanos da etnia Warao "mora" há três dias na Praça da Bandeira e seu entorno, no bairro da Campina, no centro de Belém. Adultos e muitas crianças, incluindo uma mulher grávida, encontravam-se, nesta sexta-feira (22), à noite, em uma calçada no entorno da praça, na Travessa Padre Eutíquio. 

Os indígenas relataram que pagavam para morar em uma casa na Travessa Campos Salles, perto da praça, mas desde quarta-feira (20), saíram da imóvel. Argumentaram que a energia elétrica foi cortada do local e que a casa está sem condições de habitação.

Segundo os Warao, 110 pessoas moravam na casa, distribuídas em cerca de 20 famílias. Cada casal pagava R$ 25 por dia para a proprietária do imóvel. Eles questionam por que razão ficaram sem energia. 

A reportagem tentou ouvir a dona da casa em questão. Mas, segundo um acompanhante dela, mas ele se resumiu a dizer que ela já tinha ido dormir.

O imóvel, segundo informações dos indígenas, encontra-se deteriorado, sem condições para ser habitado. Nesta semana, a situação agravou-se com a falta de energia elétrica no local.

Atualmente, na capital paraense, vivem 600 indígenas, dos quais 270 moram em abrigos do Governo do Estado (170 pessoas em dois abrigos) e da Prefeitura de Belém (100 em um abrigo).

Na praça

O indígena Eliosan Moreno, 30 anos, confirmou, na Praça da Bandeira, durante a noite desta sexta-feira (22), que o grupo está nas ruas há três dias. Na casa, moravam pessoas que chegaram a Belém em datas diferenciadas. 

"Aqui onde estamos faz frio, chove; têm crianças e mulher grávida", afirmou Eliosan. Ele contou que os indígenas passam o dia nas ruas pedindo dinheiro para comprar alimento. 

Ainda nesta noite de sexta-feira (22), mulheres e crianças, acompanhadas de homens, estavam em cima da calçada, aguardando por socorro. "Queremos ajuda para que possamos sair dessa situação, ter um lugar para morar", afirmou Eliosan. 

Um morador que acompanha o dia a dia dos indígenas Warao informou que as crianças ficam expostas a acidentes de carro; os indígenas disputam comida a eles e há divergências entre eles. 

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