O Hospital Pio XII, no bairro da Campina, em Belém, divulgou uma carta aberta à população em que alerta para o risco de comprometimento da continuidade da assistência pediátrica prestada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade, que atende exclusivamente crianças de Belém, informa que enfrenta dificuldades financeiras e contratuais que estariam prejudicando a manutenção dos atendimentos.
O hospital possui 70 leitos de internação pelo SUS e oferece atendimento de urgência pediátrica 24 horas. A instituição, que presta assistência às crianças de Belém há quase 54 anos, está com a continuidade desse serviço ameaçada.
Um dos principais problemas apontados é a situação contratual com a Prefeitura de Belém. De acordo com o hospital, o contrato firmado em 2016 está vencido desde 2022 e, desde então, não teria sido realizado novo chamamento público pela Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma).
A Secretaria Municipal de Saúde de Belém foi procurada para se manifestar sobre as informações apresentadas na carta aberta, incluindo a situação do contrato, os pagamentos pendentes, a previsão de novo chamamento público e a denúncia envolvendo um servidor da pasta. A reportagem será atualizada caso a Sesma encaminhe posicionamento.
A direção afirma ainda que a ausência de um contrato vigente dificulta o acesso da instituição ao crédito e a recursos complementares. O hospital também reclama da defasagem na remuneração recebida pelos serviços prestados ao SUS.
"Um cuidado construído ao longo de gerações, cuja continuidade está seriamente ameaçada. O problema não é só a falta de pagamento. É a ausência de condições para continuar atendendo. Nosso contrato com a Prefeitura de Belém, celebrado em 2016, está vencido desde 2022, sem novo chamamento público pela SESMA. Há quatro anos, atendemos pelo SUS sem contrato vigente, o que impede o acesso ao crédito e a recursos complementares", divulgou.
De acordo com a carta, o hospital recebe atualmente R$ 8 por dia para as despesas de cada acompanhante de paciente internado. O valor, segundo a direção, precisa cobrir gastos como alimentação, roupas de cama, banho, água e energia.
Pagamentos atrasados
Outro ponto destacado no documento são os pagamentos que, segundo a direção, estão pendentes por parte da Prefeitura de Belém. Desde 2025, a administração municipal mantém mais de R$ 1 milhão em pagamentos pendentes, valor que teria chegado a R$ 1,8 milhão em junho de 2026.
A direção afirma que, em maio deste ano, a instituição precisou reduzir sua capacidade de atendimento e que a medida foi comunicada formalmente à Prefeitura de Belém. O caso foi motivo de reportagem do Grupo Liberal, que abordou a diminuição de 70 para 20 leitos de internação. Naquela ocasião, o Pio XII, que realizava mensalmente 1.200 atendimentos na urgência, reduziu para quase 400 atendimentos.
Ainda segundo a carta, em julho o hospital teria regularizado suas pendências tributárias após confiar no compromisso assumido pela Prefeitura perante o Ministério Público de realizar um chamamento público. A expectativa era de que o chamamento público ocorresse em agosto, mas o procedimento ainda não foi realizado.
"Apesar de nossas tentativas, seguimos sem conseguir estabelecer um diálogo efetivo com a Prefeitura para construir uma solução. Não pedimos privilégios. Reconhecemos nossas responsabilidades e queremos continuar corrigindo problemas e melhorando a assistência. Mas, sem segurança contratual, remuneração adequada e pagamentos regulares, a continuidade desse serviço fica comprometida", informa a direção do Hospital.
Denúncia de extorsão
A carta aberta também menciona uma denúncia envolvendo o diretor executivo do Hospital Pio XII, Thiago Redig. Ele afirma ter sido vítima de extorsão praticada por um servidor da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). O caso está sob investigação do Ministério Público e da própria Sesma. Segundo a direção, a situação já teria provocado prejuízos superiores a R$ 300 mil ao longo de três meses.
Na carta, o Hospital defende a necessidade de segurança contratual, remuneração adequada e regularidade nos pagamentos para garantir a continuidade do serviço. A direção apela ao prefeito de Belém, Igor Normando, para que abra diálogo e regularize os pagamentos e repactue as condições da assistência pediátrica prestada pelo SUS.
"Está em risco não apenas o futuro de um serviço essencial para milhares de crianças e famílias de Belém", finaliza.
Há 50 anos, o hospital privado Hospital Pio XII atende, exclusivamente, crianças pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Especializado em pediatria clínica, o hospital, localizado na avenida Assis de Vasconcelos, atende crianças dos bairros mais populosos de Belém como Jurunas, Terra Firme e Guamá.

