Nesta segunda-feira (2), Dia de Finados, visitantes do Cemitério Santa Izabel, no bairro do Guamá, em Belém, homenageiam entes queridos com flores, velas e limpeza de túmulos. Como parte da tradição, pela manhã, uma missa foi celebrada pelo arcebispo metropolitano Dom Júlio Endi Akamine. O fluxo intenso de pessoas marca a data permeada por saudade e memória, com honra àqueles que se foram.
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O servente Almy Grejal, de 53 anos, foi prestar homenagens à mãe e a outros familiares sepultados no cemitério. Emocionado, ele conta que costuma levar flores e velas sempre que tem um tempo livre.

“O período é pouco para mim. O dia que dá, e venho aqui para homenagear minha mãe e meus familiares que estão aqui. Uma hora de folga do meu trabalho, eu venho aqui fazer essa homenagem”, fala.
Apesar da passagem de tempo, Almy relatra que a dor da perda permanece: “É um luto que não cessa. A saudade, a gente tem todo tempo.”
Em 2 de novembro, as honrarias de Almy são mais intensas do que nos outros dias. Neste ano, ele escolheu calábrias amarelas e brancas, junto a cristas-de-galo vermelhas.
“Eu acendo uma vela, faço a minha oração e aí eu boto flores. É a homenagem que eu tenho que fazer, uma coisa que é de coração”, ressalta.

A vendedora de flores e velas Graça Nobre, de 76 anos, trabalha no ramo há cerca de 40 anos. Ela conta que, em 2026, o fluxo maior de comercialização iniciou no domingo (1). Segundo Graça, as vendas estão ótimas nestes dias.

“Tem rosas brandas, vermelhas e amarelas. Essas aqui são artificiais, mas o que tem saída mesmo são as naturais”, afirma.
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Homenagens em família
As irmãs Celina Oliveira, dona de casa de 65 anos, e Elvira Oliveira, assistente social de 70 anos, homenageiam os pais e o irmão. Elas chegaram cedo ao Cemitério Santa Izabel e iniciaram as honrarias com limpeza, retirando resíduos acumulados em cima da sepultura e plantas que cresceram ao redor.
“Para mim, é um pouco de saudade. Eu não gosto de falar, porque logo choro. A minha mãe era muito importante na minha vida, até hoje eu sinto muita saudade dela. Partiu, mas ela continua viva dentro do meu coração”, diz Celina.
A dona de casa escolheu uma rosa vermelha e lamenta não ter conseguido comprar mais, devido ao tempo. A flor, colocada junto a outras levadas por Elvira, foi depositada em um pequeno vaso, após a lavagem do túmulo.

Elvira lembra que os pais foram fundamentais na vida delas. Ao contar sobre o pai, ela afirma que ele deu boa criação e foi presente a todo momento. A assistente social fala que, além do Dia de Finados, o cuidado com a sepultura é durante todo o ano.
“A gente vem, limpa, capina, acende uma vela e faz a oração. Hoje em dia, a gente tem mais é que rezar pelas pessoas que já foram de perto de nós. Temos certeza que nosso pai, nossa mãe e nosso irmão sempre estão presentes junto de nós e no nosso coração. Sempre vai ser assim, porque nós somos muito família. Um reséitando o outro, amando o outro”, aponta.
Túmulos famosos
O Cemitério Santa Izabel abriga túmulos de figuras marcantes da história de Belém. Um deles é o de Josephina Conte, conhecida como a Mulher do Táxi. O local recebeu homenagens com flores e velas de diversos visitantes.

Além de Josephina, o médico Camilo Salgado, cirurgião e filantropo paraense, também está enterrado no local. O túmulo é ponto de rezas e pedidos. O servidor público Henrique Silva, de 25 anos, vai à sepultura como maneira de perpetuar os ensinamentos deixados pela avó, sepultada no cemitério.
“Todos os anos eu estou aqui. A minha avó, quando eu era muito pequeno, vinha aqui prestar as homenagens dela, nos trazia aqui também. Depois que eu me tornei adulto, eu fiz uma reflexão, há uns três anos, num momento de dificuldade. Aí eu falei que todos os anos, se eu conseguisse superar aquele momento, eu viria aqui acender uma vela, deixar uma flor e, posterioemente, ir ao túmulo da minha avó”, compartilha.

Henrique destaca que Camilo Salgado foi um médico que ajudou muitas pessoas e, atualmente, enquanto servidor público, ele se vê na mesma função. Ele considera esse momento de homenagens muito especial.
"Vir aqui, refletir e trazer os ensinamentos dela, que era uma pessoa bem humilde, trabalhadora autônoma, que tinha contato com as pessoas, assim como ele, para mim é bem interessante e bem renovador”, conclui.
Mensagem de esperança
Durante a Santa Missa, Dom Júlio Endi Akamine refletiu sobre o impacto da morte na vida do cristão. O arcebispo metropolitano de Belém ressalta que, apesar da tristeza, esta é a oportunidade de encontro com Deus.

“Lógico que todos nós sofremos com a morte, mas, por causa da nossa fé na ressurreição de Cristo, a morte se torna o encontro com Ele. A morte se torna o momento vocacional supremo, é a hora que Ele nos chama”, falou.
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