Uma névoa incomum tem sido constatada em Belém nos últimos dias. A neblina se formou nesta quarta-feira (28/08) nas primeiras horas da manhã e se manteve até o início da tarde. A penumbra é uma associação da poluição gerada pelos veículos da capital e as queimadas na região com a alta umidade do ar da manhã junto com ausência de fluxos de vento. O baixo índice de chuvas nos últimos dois meses é um dos principais fatores para o fenômeno atmosférico.
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Segundo explica o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia, José Raimundo Abreu, a penumbra que tem se verificado em diferentes bairros da capital o tempo seco tem gerado a névoa.
"O principal é a falta de chuvas. O tempo está muito seco, desde o mês de julho, e as pessoas aproveitam para fazer queimadas e limpar terrenos. Isso daí impacta ao existir uma inversão térmica nos níveis mais baixos. Forma-se um tipo de tampa na atmosfera nos baixos níveis, o que não permite com que dissipe essa névoa, ou seja não há troca do ar superior com o ar inferior", explica.
O mês de agosto está com baixo índice pluviométrico, com o total registrado de 65,6 mm, quando a climatologia esperada no mês era de 128.6mm. Em julho, as chuvas na capital tiveram a média de 23% para o índice de 156 mm.
As nuvens de poluição ficam então abaixo dos mil metros. Elas são formadas pela colisão entre a fumaça e as gotículas de água da umidade. "Essas nuvens baixas formadas pela manhã só vão se dissipar com o sol quente depois de 13h", detalha.
O INMET está estudando o fenômeno que antes era incomum, devido o alto índice pluviométrico em Belém, mesmo nos meses secos. "Estamos constatando nas imagens de satélite essas nuvens baixas", diz José Raimundo. A neblina de poluição tem se tornado mais constante em Belém e em outras cidades do Pará. O INMET tem acompanhado a situação em outros locais. O fenômeno não possui a influência dos oceanos.
A umidade relativa do ar tem se alterado durante o dia. Pela manhã, a capital paraense possui aproximadamente 90% de umidade com uma velocidade do vento fraca. A medida que o sol aquece a superfície de Belém, a umidade começa a evaporar chegando a entre 40% a 60% ao final da tarde. O meteorologista acredita que a partir da segunda quinzena de setembro o clima comece a mudar com a maior quantidade de chuvas em Belém e na região Nordeste do Pará. A chuva ajudará a limpar atmosfera e evitará as nuvens de poluição.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belém (Semma) esclareceu, por meio de nota, que até momento não havia recebido nenhuma denúncia de poluição ambiental individual que gerasse o fenômeno nas proporções descritas. Já a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) detalhou que "os satélites de referência não detectaram focos de queimadas na Região Metropolitana de Belém, nos últimos dias".
"Neste período, é comum a ocorrência do fenômeno conhecido como Inversão Térmica. Durante as noites e madrugadas, em tempo mais seco, pode ocorrer esse fenômeno, que se caracteriza pela retenção do ar resfriado próximo da superfície, sobreposto por uma camada de ar mais quente", completa a nota da Semas.
