‘Fala-se muito de Deus, mas pouco se vive Dele’: Pe. Claudio Pighin defende prática cristã
Sacerdote destaca que a fé cristã exige conversão constante e atitudes concretas de amor, cuidado e compromisso com o próximo
Na homilia sobre o 26º Domingo do Tempo Comum, o padre Claudio Pighin chamou a atenção para a necessidade de os cristãos transformarem a fé professada em atitudes concretas. Ao refletir sobre as palavras de Jesus, o sacerdote destacou que ser discípulo não significa apenas falar de Deus, mas colocar em prática sua vontade.
Segundo Pighin, ninguém pode considerar-se plenamente justo ou acreditar que já alcançou o ponto final da caminhada de fé. Para ele, a verdadeira experiência cristã exige conversão constante e disposição para viver os ensinamentos de Jesus.
“Fala-se muito de Deus, mas pouco se vive Dele”, afirmou o padre. Na avaliação do sacerdote, parte da sociedade atual acaba construindo uma imagem de Deus de acordo com interesses e pensamentos próprios, afastando-se da vivência prática da mensagem cristã.
Ao comentar a diferença entre falar e fazer, Pighin ressaltou que discursos religiosos, por mais entusiasmados que sejam, perdem seu sentido quando não são acompanhados por atitudes.
“Ser cristãos de fala não adianta nada”, afirmou.
O sacerdote também relacionou a reflexão ao discurso de Jesus sobre o juízo final, descrito no capítulo 25 do Evangelho de Mateus, no qual a prática do bem e o cuidado com o próximo aparecem como expressões concretas da fé.
Conversão para todos
Outro ponto destacado pelo padre foi a passagem do Evangelho em que Jesus afirma que “os publicanos e as prostitutas entram adiante” de alguns religiosos no Reino de Deus. Para Pighin, a afirmação não representa um incentivo ao pecado, mas uma crítica àqueles que, embora sejam considerados religiosos ou corretos, rejeitam a mensagem de Jesus na prática.
Ao mesmo tempo, pessoas que carregam uma reputação negativa podem acolher a mensagem e demonstrar uma mudança de vida, explicou o sacerdote.
Nesse contexto, Pighin defendeu que a conversão não deve ser entendida como uma necessidade exclusiva de quem é considerado pecador. Ela, segundo ele, é um processo permanente que alcança todos, inclusive aqueles que frequentam a Igreja e se reconhecem como cristãos.
“Somente assim conseguiremos acolher e viver a mensagem de Jesus”, afirmou.
Para o padre, a distância entre o discurso e a prática também ajuda a compreender a resistência e o afastamento de algumas pessoas em relação às propostas do Evangelho. Ele criticou situações em que a Palavra de Deus é citada com propriedade, mas não se traduz em ações concretas.
Ao concluir a reflexão, Pighin reforçou que é a prática que demonstra o compromisso com o Reino de Deus. A mensagem do 26º Domingo do Tempo Comum, segundo ele, é um convite à conversão dirigido a todos, independentemente de frequentarem ou não uma igreja.
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