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Pará

Empresa que gerencia Aterro de Marituba deve apresentar estudo ao Estado nesta sexta

Ela busca alternativas para estender sua atuação de forma emergencial

Cleide Magalhães

23 de abril de 2019 às 13:44

Modificado em 23 de abril de 2019 às 13:44

Aterro sanitário de Marituba

Aterro sanitário de Marituba ( Foto: Ary Souza )

A Guamá Tratamento de Resíduos, empresa que gerencia o Aterro de Marituba, deve concluir até esta sexta-feira (26) estudo que aponta alternativa técnica ao encerramento do recebimento de resíduos. O estudo vai ser apresentado à Procuradoria Geral do Estado (PGE) do Pará e para a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).

Todavia, ainda hoje não há solução concreta para a problemática do Aterro de Marituba, que recebe 40 mil toneladas por mês de resíduos sólidos de Belém, Ananindeua e Marituba. A empresa afirma que está esgotada a capacidade de recebimento de resíduos na cédula existente. Ela anunciou, desde o final do ano passado, que vai fechar o aterro dia 31 de maio deste ano. O problema motivou uma visita técnica de comissão de deputados federais para debater o caso.

Em meados de março deste ano, segundo a Guamá, a empresa foi procurada pela PGE para uma reunião, na qual “a PGE sugeriu cenários alternativos que permitiram que a empresa realizasse um novo esforço na busca de alternativa técnica ao encerramento do recebimento de resíduos”.

Desde então, a Guamá Tratamento de Resíduos disse realizar diversas simulações e estudos, inclusive para alteamento da cota final, ou seja, os resíduos estariam dispostos sobre a célula mais alta que a atual, antecipando a última fase de projeto original do empreendimento.

Para tanto, a empresa afirmou que foram instalados novos drenos e instrumentos de leitura, que “permitirão apurar se o maciço do aterro suportaria receber antecipadamente uma carga de resíduos sobre a cota atual do maciço, sem ampliação de sua base”, explicou. O estudo deve ser concluído até a próxima sexta-feira, dia 26, para apresentação à PGE e Semas, informou também a empresa.

Mesmo que seja identificada alternativa técnica, a Guamá Tratamento de Resíduos reforçou que o problema de inadimplência e precificação abaixo do valor justo para a prestação dos serviços também precisam ser equacionados, para viabilizar a captação dos investimentos.

“Qualquer solução certamente demandará um longo prazo para a realização das obras de preparação e impermeabilização de área no aterro sanitário, que demandarão o esforço de todos, especialmente pelos licenciamentos e desembaraços necessários para que as obras sejam realizadas a tempo”.

SEMAS

Segundo titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Mauro O´ de Almeida, existe um diálogo entre o governo do estado e a empresa para verificar se é possível, em pouco tempo, emitir autorização para que a Guamá Tratamento de Resíduos ainda permaneça no Aterro de Marituba. Enquanto isso, a Semas pensa em uma medida a longo prazo.  

"A empresa ficou de apresentar uma proposta para continuarmos o diálogo, para entendermos e sabermos se há uma possibilidade emergencial. A partir daí, vamos pensar em uma solução definitiva dialogando com os atores, como empresa e universidade, da Grande Belém. A recomendação do governador é o diálogo e a colaboração com olhos postos na tentativa de solucionar o problema. Sempre lembrando que essa é uma competência dos municípios", esclareceu Almeida durante visita da Comissão Externa da Câmara Federal, ocorrida no último dia 12, no aterro de Marituba.

No aterro, a Comissão, que contava com a presença de três parlamentares federais do Pará, se reuniu e ouviu a direção da empresa e representantes as comunidades, e juntou documentos apresentados. Ao final, elaborou relatório para apresentar na Câmara Federal até o final deste mês.

EXPECTATIVA

Para Hélio Oliveira, um dos coordenadores do Movimento Fora Lixão de Marituba e da Frente Povo Sem Medo, a expectativa é para o fechamento do empreendimento no dia 31 de maio e que haja solução que beneficie os três municípios. "Parte dos moradores do Centro de Ananindeua e os de Marituba somos contrários à permanência do aterro, devido aos graves problemas de saúde que foram ocasionados. Os moradores nem conseguem ficar nas residências. Há um surto de doenças respiratórias. A gripe pega todo mundo. Há percentual grande de pessoas com pneumonia". 

Ainda segundo Oliveira, o Movimento entrou com ação na Justiça para que o empreendimento feche e mitigue os danos que deverão ficar para o futuro. "Hoje há um passivo de 180 milhões de litros de chorume, a empresa tem que tratar e só há seis máquinas de osmose reversa. Por isso, que agora a empresa diz que não tem condições de operar mais. Tem que haver uma alternativa para que os três municípios não sofram as consequências", afirmou.