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BELÉM

Dom Alberto destaca desafios da Igreja na Amazônia

Arcebispo Metropolitano de Belém comentou exortação "Querida Amazônia", divulgada pelo Papa Francisco

Dilson Pimentel

14 de fevereiro de 2020 às 12:01

Dom Alberto (centro) comentou o documento divulgado pelo Santo Padre nesta semana

Dom Alberto (centro) comentou o documento divulgado pelo Santo Padre nesta semana ( Foto: Everaldo Nascimento/O Liberal )

O Arcebispo Metropolitano de Belém, Dom Alberto Taveira, disse, na manhã desta sexta-feira (14), que o principal desafio da Igreja é o da missão. "Um sonho eclesial de levar a Boa Nova de Jesus a todos os lugares e a todas as pessoas. Nós queremos criar essas condições de missão. Formar bons sacerdotes. Formar leigos. O Papa dedica um texto longo a respeito do laicato. A responsabilidade dos cristãos leigos para o nosso mundo e para a evangelização. Isso, para mim, é importantíssimo. Que nós tenhamos esse sentido de missão, esse sentido de anúncio da palavra de Deus para que ninguém fique sem ouvir o nome de Jesus Cristo. Esse é o desafio", afirmou.

Ele deu essa declaração à imprensa ao falar sobre a Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Papa Francisco, batizada de "Querida Amazônia". O documento é fruto da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica "Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral". 

Também participaram da entrevista à imprensa o monsenhor Raimundo Possidônio Carrera da Mata (Monsenhor Cid), Vigário Geral da Arquidiocese e membro do secretariado especial para estudos do Sínodo, e o cônego Sílvio Trindade, novo coordenador de Pastoral. Para a realização do Sínodo (ocorrido em outubro de 2019), o Papa Francisco convocou bispos que integram a Pan-Amazônica (Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname); cinquenta e oito bispos da região amazônica e o cardeal brasileiro Dom Claudio Hummes. E participaram, também, religiosos, leigos e representantes das populações tradicionais.

A Exortação Apostólica, considerada um dos documentos mais importante da Igreja, é escrita pelo Papa e tem um formato de Carta Pastoral, onde trata sobre um assunto específico com o propósito de animar e direcionar toda a Igreja. "Após o Sínodo, normalmente o Papa faz uma exortação apostólica. Significa uma carta dirigida à Igreja e ao mundo com um assunto que foi tratado no sínodo. No nosso caso, é uma outra ocasião. Não é a primeira. Já fez isso a respeito da África e de outras realidades. A dedicação de um assunto para um documento de uma exortação apostólica. E, na realidade, o que o Papa quer? Que o mundo se volta também para a Amazônia. Mas que nós nos voltemos para a nossa realidade amazônica", disse o arcebispo Dom Alberto, que também é membro do Conselho Pós-Sinodal. "E ele começa de uma forma tão bonita. 'Querida Amazônia'. Uma expressão talvez não usual em documentos oficiais. Mas ele tem essa graça especial de inverter tantas coisas e fazer de uma forma muito feliz", acrescentou.

Após a divulgação da Exortação Apostólica, o momento, disse Dom Alberto, é o de conhecer o documento. "Entender cada um dos seus pontos. No nosso caso, na Arquidiocese, nós vamos entender isso aqui dentro do ambiente chamado Sínodo Arquidiocesano. A Arquidiocese de Belém já tinha dado um salto anterior. A convocação do sínodo foi prévia a este Sínodo da Amazônia. E o que vamos fazer? Trabalhar para realizar o sonho social, o sonho ambiental, o sonho cultural e o sonho eclesial (que constam da Exortação Apostólica). Agora, não posso responder hoje, depois do primeiro dia do lançamento, como vai ser na prática. Vamos ter calma. Vamos esperar um pouquinho, que agora a gente vai digerir o que foi escrito pelo Papa", explicou.