Em uma cidade cercada pela natureza amazônica, preservar áreas verdes também significa garantir espaços para a população respirar, caminhar, conhecer animais e observar a vegetação de perto. Neste domingo, 4 de outubro, quando é celebrado o Dia Nacional da Natureza, parques, bosques e unidades de conservação de Belém chamam atenção por contribuírem para a preservação da biodiversidade e por aproximarem moradores e visitantes dos ambientes naturais.
Em meio ao crescimento da área urbana, esses espaços funcionam como pontos de preservação dentro da cidade. Além de contribuírem para a manutenção de espécies de animais e plantas, também são procurados por pessoas que buscam momentos de lazer, tranquilidade e contato com a natureza.

Um desses locais é o Parque Zoobotânico Mangal das Garças, na Cidade Velha, que abriga mais de 60 espécies de aves, répteis e invertebrados. Ao todo o espaço reúne vegetação, aves e outros animais e permite que o público conheça um pouco mais da biodiversidade amazônica sem precisar sair da área urbana de Belém.
Para a técnica ambiental Beatriz Tavares Pinheiro, de 28 anos, a existência de áreas verdes é cada vez mais importante diante da expansão dos centros urbanos. Segundo ela, o crescimento de prédios, casas, ruas e estradas acaba reduzindo os espaços naturais. “Então, a gente percebe uma expansão muito grande dos centros urbanos. Com esse aumento de prédios, casas, ruas, asfalto, estradas, a gente acaba perdendo uma área verde que já existia antigamente. Então, os grandes centros verdes ainda existem, mas estão cada vez mais afastados”, explica.
Espaços que ajudam a preservar espécies
A preservação das áreas verdes está diretamente relacionada à sobrevivência de diferentes espécies. Segundo Beatriz, árvores e áreas de vegetação são importantes para aves, mamíferos, invertebrados e outros grupos que dependem desses ambientes para alimentação, reprodução e abrigo.

“É ideal que, dessa forma, a gente tenha corredores ecológicos, estimule o plantio de árvores, para que aves, mamíferos, invertebrados, todos os grupos biológicos que necessitam da presença das árvores, seja para alimentação, para ninho, para abrigo, eles precisem dessas árvores para desenvolver os serviços ecossistêmicos deles”, afirma.
No Mangal das Garças, a preservação também está relacionada a espécies ameaçadas de extinção. Beatriz cita o mutum-de-penacho, uma ave que, segundo ela, sempre foi muito visada pela caça e depende de áreas de floresta mais preservadas para sobreviver.

A técnica ambiental conta que um indivíduo da espécie conseguiu se reproduzir no parque. “Então é um indivíduo que conseguiu reproduzir aqui no parque, conseguiu colocar um ovo, o ovo eclodiu, a gente teve um sucesso reprodutivo para a preservação dessas espécies, é muito interessante”, relata.
O espaço também recebe animais de diferentes ecossistemas, como os guarás, associados às áreas de mangue. Para Beatriz, manter esses animais no parque também contribui para aproximar o público da importância da conservação. “Além de ser uma forma de conservar a espécie, é também uma atividade de educação ambiental para conscientizar o público a respeito desses animais”, afirma.
Beatriz conta também que ampliar a arborização e manter áreas verdes preservadas é uma forma de contribuir para a permanência das espécies. “É importante que a gente tenha ainda mais arborização, para que permaneça a existência dessas espécies”, afirma.
Natureza como pausa na rotina
Além da função ambiental, as áreas verdes também são procuradas por quem deseja fugir por algumas horas da rotina acelerada da cidade. Para a pedagoga Tatiane Oliveira, de 36 anos, visitar o Mangal foi uma oportunidade de levar as crianças para um ambiente diferente e ter contato mais próximo com a natureza. “É muito bom sair um pouco da rotina cansativa, do estresse diário, trazer as crianças, sentir a natureza mais de perto, o contato mais próximo com os animais”, conta.

Visitantes conhecem a biodiversidade
O contato com a natureza também chama a atenção de quem vem de outras cidades. A dentista Carla Helena, de 45 anos, é de Recife e aproveitou a visita a Belém para conhecer mais da cultura e da biodiversidade da região. “Vir até Belém para conhecer mais um pouco da nossa cultura, da nossa floresta, fauna, flora, que é a coisa mais linda que temos”, afirma.

Durante a visita, Carla relacionou a observação da natureza com o processo de transformação vivido pelas borboletas que presenciou durante a visitação no borboletário do Mangal. “Essa transformação da borboleta, a gente está em constante transformação. Está em contínua metamorfose, na realidade. Então é surpreendente a gente conhecer um pouco mais de toda essa fauna rica que nós temos aqui no Brasil”, diz.
Para ela, conhecer os espaços verdes também contribui para uma experiência mais completa durante a passagem pela capital paraense. “Vou sair com ótimas impressões daqui de Belém de todos os espaços verdes, de toda a nossa cultura, que faz parte do Brasil”, conta.
A assistente social Janete Freitas, de 67 anos, também escolheu áreas verdes como parte do roteiro de viagem em Belém. Natural de Salvador, ela conta que visitou o Museu Paraense Emílio Goeldi antes de conhecer o Mangal das Garças.

“Eu gosto demais de áreas verdes, inclusive ontem, o nosso primeiro passeio foi no Museu Emílio Goeldi e gostei muito de lá, e hoje é o nosso segundo passeio por áreas verdes aqui em Belém”, relata.
Durante a visita ao Mangal, Janete diz ter ficado encantada com a preservação do espaço e com a possibilidade de observar os animais de perto. “Eu estou encantada porque aqui eu vi que é muito bem preservado, pássaros soltos, a gente está andando e tem bichinhos caminhando perto da gente, eu estou muito encantada mesmo”, afirma.
Para ela, estar perto da natureza é uma parte importante da experiência de conhecer uma nova cidade. “Eu estou encantada com Belém, muito encantada”, diz.
Onde ter contato com a natureza em Belém
Parque Estadual Do Utinga Camillo Vianna – Curió-Utinga
Grande área de conservação ambiental de Belém, com floresta, trilhas, fauna, flora e os lagos Bolonha e Água Preta. Será o espaço principal da reportagem.
Bosque Rodrigues Alves – Jardim Zoobotânico Da Amazônia – Marco
Área de floresta amazônica preservada em plena avenida Almirante Barroso, com grande diversidade de árvores e animais. É um dos exemplos mais emblemáticos de natureza inserida na área urbana de Belém.
Mangal Das Garças – Cidade Velha
Parque naturalístico às margens do rio Guamá, com vegetação, aves, borboletário e outros espaços de contato com elementos da biodiversidade amazônica.
Parque Zoobotânico Do Museu Paraense Emílio Goeldi – São Brás
Espaço histórico de pesquisa, educação e divulgação científica que reúne vegetação amazônica e espécies da fauna regional em plena área urbana da capital.
Parque Ecológico Municipal Gunnar Vingren – Marambaia/Val-de-Cans
Área protegida com vegetação amazônica que representa outra possibilidade de contato com a natureza dentro da cidade.
Parque Urbano Belém Porto Futuro – Reduto
Espaço urbano de lazer e convivência com áreas arborizadas e paisagismo, que pode entrar no guia como opção de contato com áreas verdes no centro da cidade.
Parque Da Cidade – área do antigo Aeroporto Brigadeiro Protásio
Novo grande espaço público de Belém que reúne áreas de lazer, convivência e espaços verdes.
Parque Municipal Da Ilha De Mosqueiro – Mosqueiro
Unidade de conservação municipal que pode ampliar o serviço para além da área continental mais central de Belém e mostrar a diversidade de ambientes naturais existentes no município.
.jpeg?$p=717d66f)