Mais do que uma questão estética, o alinhamento dos dentes desempenha um papel importante na saúde bucal. Problemas na mordida, dentes desalinhados e espaços inadequados podem dificultar a higienização, favorecer o acúmulo de placa bacteriana e comprometer a mastigação. Por isso, cuidar do sorriso vai muito além da aparência e exige atenção à saúde e à funcionalidade da arcada dentária.
O Dia Mundial do Sorriso é comemorado anualmente na primeira sexta-feira de outubro. A data foi criada para lembrar a importância da alegria, da empatia e também da saúde bucal. Em 2026, a data é celebrada nesta sexta-feira (2). Segundo o cirurgião-dentista e ortodontista Pedro Graziani, é importante observar o sorriso para além da aparência. “Quando os dentes não estão bem posicionados, pode haver maior dificuldade para realizar uma higiene adequada e também uma distribuição inadequada das forças durante a mastigação. Por isso, cada caso precisa ser avaliado individualmente”, disse ele, que é mestre e Doutor em Ortodontia e cirurgião bucomaxilofacial.
Os principais problemas estão relacionados aos dentes e à morfologia da face. “Dentes tortos, palato estreito, excesso de exposição da gengiva ao sorrir, falta de exposição dos dentes, mordidas cruzadas, assimetrias faciais, pacientes com a mandíbula posicionada para frente ou para trás, pessoas que roncam e possam ser portadores de apneia obstrutiva do sono", explicou.
Segundo Graziani, um bom diagnóstico é fundamental para definir as necessidades individuais de cada paciente. “Um bom diagnóstico com tomografia computadorizada, escaneamento da face e dos dentes e um planejamento utilizando softwares e novas tecnologias ajudam profissional e paciente a entender a necessidade individual de cada pessoa", afirmou.
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Avaliação pode começar aos 6 anos
O problema não é exclusivo de crianças e adolescentes. Muitos adultos procuram tratamento ortodôntico depois de perceberem mudanças na posição dos dentes ao longo dos anos. Em outros casos, alterações que já existiam anteriormente passam a incomodar ou a apresentar consequências com o passar do tempo. Pedro Graziani explicou que não existe uma idade única para iniciar um tratamento ortodôntico. O momento adequado depende do tipo de alteração e das condições de saúde bucal de cada paciente.
“O paciente deve iniciar as visitas ao ortodontista aos 6 anos de idade para realização de acompanhamento, manejo de erupção dos dentes, mantenedores de espaços, e alguns casos devem ser discutidos com os pais", disse. Na infância, o acompanhamento pode ajudar a identificar precocemente problemas relacionados ao desenvolvimento da dentição e dos maxilares. Expansões dentárias e ou esqueléticas são bem-vindas para organizar o formato da arcada e recuperar espaço para uma boa erupção dos dentes", observou.
Crianças com mordida cruzada anterior, com os dentes inferiores sobrepondo os superiores, devem iniciar o tratamento o mais precocemente possível, em torno de seis a oito anos, segundo o especialista, para que tenha melhor o controle para estimular o desenvolvimento da maxila. Graziani também destacou a necessidade de avaliar a duração do tratamento: “Temos que ter a responsabilidade de não fazer tratamentos prolongados demais e no final ter um resultado facial inadequado".
Nos casos em que os dentes superiores são para frente, o tratamento pode ser abordado precocemente. “Isso vai evitar situações como Bullying e fraturas dentárias em quedas comuns na infância ou abordar no início do surto de crescimento", disse. Crianças com faces alongadas também precisam de atenção. “Crianças com faces alongadas devem ser acompanhadas por um otorrino em parceria com ortodontista, controlar fatores relacionados à má respiração e na USP abordamos esses pacientes no início da adolescência com protocolo Buschang", afirmou.
O especialista também ressaltou que a estética do sorriso também está relacionada à harmonia facial. Ele disse que o sorriso fica dentro de uma moldura, que é a face. Um sorriso estético e funcional, afirmou, exige uma face equilibrada e linhas harmônicas do sorriso. “Alguns desses pacientes futuramente vão precisar de uma cirurgia ortognática, e nesses casos podemos lançar mão de uma cirurgia precoce ou acompanhar o paciente até o final do crescimento e assim fazer a cirurgia ortognática", disse.
Adultos também podem fazer tratamento
Na vida adulta, também é possível corrigir diversos tipos de alterações. O tratamento, porém, deve ser definido de acordo com as características de cada paciente e com o diagnóstico realizado pelo profissional. Outro ponto que gera dúvidas é a escolha do aparelho. Com a popularização dos alinhadores transparentes, muitas pessoas acreditam que eles podem ser utilizados em qualquer situação, mas a indicação depende do diagnóstico.
“Hoje temos diferentes possibilidades de tratamento, dos aparelhos convencionais aos alinhadores. O mais importante não é escolher primeiro o tipo de aparelho, mas entender qual é o problema e qual estratégia oferece o resultado mais adequado para aquele paciente”, destacou Graziani. A decisão de iniciar um tratamento ortodôntico e a escolha do aparelho ideal dependem de uma avaliação clínica minuciosa realizada por um ortodontista, que analisa as necessidades funcionais e estéticas de cada paciente. Não existe uma idade única ou um aparelho universal, pois cada planejamento é 100% personalizado.
Para definir o momento de iniciar e o tipo de aparelho, o profissional e o paciente avaliam diferentes fatores. “Define se a prioridade é corrigir a mastigação e o alinhamento dos ossos da face (ortopedia/ortodontia funcional) ou focar no alinhamento dos dentes (estética)", disse. Há a idade e o desenvolvimento ósseo: “Crianças em fase de crescimento costumam usar aparelhos ortopédicos (geralmente móveis) para guiar o crescimento dos ossos. Adolescentes e adultos utilizam aparelhos fixos ou alinhadores para movimentação dentária.”
Há, ainda, a complexidade do caso. “Desvios severos ou dentes inclusos podem exigir aparelhos fixos tradicionais devido à necessidade de forças mais intensas. Casos leves a moderados respondem muito bem a alinhadores invisíveis", disse. Sobre o estilo de vida e estética, disse o especialista: “Pacientes que buscam discrição ou trabalham com a imagem costumam preferir alinhadores transparentes ou aparelhos estéticos (safira ou porcelana)". Também falou sobre a disciplina do paciente: “Aparelhos móveis e alinhadores exigem que o paciente os use por cerca de 22 horas diárias. Se não houver compromisso, o aparelho fixo é a melhor opção. Temos também a possibilidade do tratamento com a ortodontia lingual que é a opção mais estética dentre os aparelhos, porém alguns pacientes têm dificuldade de se acostumar", disse.
Sinais que merecem atenção
O especialista reforçou que alguns sinais merecem atenção, como dificuldade para higienizar determinadas regiões, dentes muito sobrepostos, mordida que não se encaixa adequadamente, desgaste excessivo ou mudanças perceptíveis no alinhamento dos dentes. Entre os problemas ortodônticos mais frequentes estão dentes apinhados ou com espaçamento excessivo, mordida aberta, mordida cruzada, sobremordida e alterações no encaixe entre as arcadas. Mas nem sempre um problema ortodôntico é facilmente percebido pelo próprio paciente.
“Existem alterações que não chamam atenção quando a pessoa olha para o sorriso no espelho, mas que podem estar relacionadas ao encaixe da mordida, à posição dos dentes ou à forma como as forças são distribuídas durante a mastigação. É justamente por isso que a avaliação profissional é tão importante”, completou Pedro Graziani.
O tempo de tratamento também é uma das principais dúvidas de quem procura um ortodontista. De acordo com Pedro Graziani, não existe um prazo padrão, já que a duração depende do tipo e da complexidade da alteração, da resposta de cada paciente e do planejamento definido pelo profissional. “Cada caso é um caso. Há tratamentos mais simples e outros que exigem um acompanhamento por mais tempo. Por isso, só depois de uma avaliação e de um diagnóstico adequado é possível estimar a duração do tratamento”, explicou.
7 cuidados para manter o sorriso saudável
1. Procure um ortodontista a partir dos 6 anos
O acompanhamento nessa fase permite avaliar o desenvolvimento dos dentes e dos maxilares, acompanhar a erupção dentária e identificar precocemente alterações que podem precisar de tratamento.
2. Fique atento à mordida
Mordida cruzada, mordida aberta, sobremordida ou dificuldade para os dentes superiores e inferiores se encaixarem adequadamente são sinais que merecem avaliação profissional.
3. Observe a posição dos dentes
Dentes tortos, muito sobrepostos ou com espaços excessivos podem dificultar a higienização e favorecer o acúmulo de placa bacteriana. Mudanças no alinhamento também devem ser observadas.
4. Não escolha o aparelho apenas pela aparência
Alinhadores transparentes, aparelhos convencionais, estéticos ou linguais têm indicações diferentes. A escolha deve ser feita após avaliação do problema e das necessidades de cada paciente.
5. Cuide da respiração durante o desenvolvimento
Crianças com faces alongadas ou alterações relacionadas à respiração devem ser acompanhadas por um otorrino em parceria com o ortodontista. O objetivo é identificar e controlar fatores relacionados à má respiração.
6. Não adie a avaliação de alterações na infância
Em alguns casos, como a mordida cruzada anterior, o tratamento precoce pode favorecer o desenvolvimento adequado da maxila. Quando os dentes superiores estão projetados para frente, uma abordagem precoce também pode ajudar a reduzir o risco de fraturas dentárias em quedas comuns na infância.
7. Entenda que cada tratamento é individualizado
Não existe idade única, aparelho universal ou tempo padrão de tratamento. O planejamento depende do diagnóstico, da complexidade do caso, do desenvolvimento ósseo e da resposta de cada paciente. A avaliação profissional é fundamental para definir a melhor estratégia.
