O novo coronavírus mudou a realidade dos condomínios, que, na Grande Belém, totalizam 1.400. De uma hora para outra, a doença covid-19 alterou a rotina dos moradores e das pessoas que têm acesso a esses empreendimentos habitacionais. “A situação dos condomínios, no Brasil, e de uma forma geral, não é muito cômoda”, disse o presidente do Sindicato dos Condomínios do Pará (Sindcon-PA), Nazareno Nogueira. “Não podemos mandar o pessoal para casa. Temos poucos funcionários prestando serviços em condomínio. Geralmente, são quatro porteiros que se revezam no período de 12 a 36 horas. Trabalham 12 e folgam 36 horas. Mais um ou dois faxineiros, um zelador. São pessoas que a gente não pode mandar para casa, como em outras categorias, onde se pode até fazer o rodízio”, afirmou.
Ele disse que o Sindcon-PA tem enviado informações aos associados (aproximadamente 800) e não associados, recomendando várias atitudes. “Por exemplo: não usar a piscina, a área de playground, evitar festas no salão de recepções e dar condições aos seus funcionários de trabalharem com máscaras e luvas, se for o caso. É um fluxo muito grande de pessoas que passam pela portaria dos condomínios”, explicou.
Há, ainda, os edifícios comerciais, onde o fluxo aumenta ainda mais. “Todo o cuidado ainda é pouco. Graças a Deus, o limite de idade desses funcionários não é tão alto. A maioria é jovem. E isso dá condições de, dessa forma, enfrentar com segurança o vírus. Alguns edifícios proibiram as entregas (de remédios, comida) que, antes, eram feitas em apartamento. Nesses prédios, agora, o porteiro interfona e o morador descer para receber a sua encomenda. Ou seja, não pode subir para entregar no apartamento. “A gente tem que ter um pouco de paciência. Ouvir as orientações das pessoas que são capacitadas para falar sobre o assunto e fechar os ouvidos para as fake news que acontecem no dia a dia, em que as pessoas recebem muitas besteiras pelo celular”, afirmou Nazareno.
Ele acrescentou: “E a gente também não pode parar o país por causa disso. Temos que trabalhar e levar em frente essa situação. Evidentemente teremos que respaldar as pessoas da área de risco, aquelas acima de 60 anos. O condomínio que tiver porteiro com mais de 60 anos se puder dar uma folga para ele e contrato outro em seu lugar, temporariamente, é bem viável”.
Condomínio instala álcool gel na entrada dos elevadores
José Imbiriba Neto é síndico do condomínio Ville Solare, localizado na avenida Augusto Montenegro, em Belém. “O primeiro passo que a administração do condomínio deu, diante dos primeiros casos do novo coronavírus, foi começar a debater com o Conselho Executivo e Fiscal as medidas que deveríamos tomar. E a primeira medida foi instalar dispensadores de álcool gel na entrada dos 12 elevadores do condomínio. Também instalamos, do lado de fora das torres, torneiras com dispensadores de sabão líquido. Redobramos o cuidado com a limpeza, efetuando a limpeza dos elevadores e halls mais vezes por dia, além de maçanetas, corrimãos das escadas e botões de chamar os elevadores”, disse.
A administração também interditou todas as áreas de uso comum (salão de festas, piscina, parquinho infantil, área fitness, espaço zen, churrasqueiras, redário e mobília dos halls das torres, onde os moradores sentavam para conversas e é uma área de convívio). “Intensificamos os avisos nos grupos do condomínio pedindo aos moradores que utilizem os elevadores ou sozinhos ou uma única família por vez. Também orientamos que as entregas fossem feitas ao ‘pé’ das torres, para não termos um grande fluxo dentro dos elevadores”, afirmou José Imbiriba Neto
Mais: a administração também proibiu as obras no condomínio por dois motivos. “Primeiro, porque tem ficado bem difícil conseguir insumos para limpeza e equipamentos de proteção para os funcionários. E, além disso, e as obras fazem com que tenhamos que limpar mais vezes o edifício. Também proibimos as obras para evitar um constante fluxo de pessoas de fora do condomínio. Outra motivação para proibir as obras foi por conta do barulho. Algumas pessoas estão, de fato, fazendo o isolamento em casa. E, com o barulho das obras, aumenta significativamente o nível de stress”, explicou.
Os funcionários do condomínio estão usando máscaras, luvas (mesmo os que fazem rondas e os porteiros). E têm mantido um distanciamento de pelo menos um metro e meio de outras pessoas (condôminos e visitantes). José Imbiriba Neto disse ainda que o condomínio tem uma área grande, e as pessoas descem para caminhar. “Orientamos que os condôminos caminhem sozinhos e que não se aglomerem. Temos tido cuidados com os idosos. Os próprios moradores têm colocado nos elevadores das torres o número dos apartamentos que se dispuseram a fazer compras para os idosos e demais pessoas do grupo de risco”, afirmou.
Ainda segundo o síndico, os grupos de condomínio têm sido bem importantes para os condôminos se comunicarem. “Até brincadeiras. Perguntam uns pelos outros, dão dicas de filmes. A administração têm incentivado essa troca entre os condôminos, via WhatsApp, pelo bem-estar dos moradores”, completou.
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Regras de conduta
Higienizar as mãos por 20 segundos, para prevenir a disseminação de doenças contagiosas - não só o coronavírus, mas outras enfermidades.
Disponibilizar álcool em gel para uso de visitantes e funcionários do condomínio.
Acessos de entrada e saída do condomínio e lugares de grande circulação devem ser higienizados com maior frequência. A equipe da limpeza deve ter o cuidado de não tocar no rosto durante esse processo.
Em alguns casos, é dispensável que o portador do vírus seja hospitalizado, devendo ficar de quarentena domiciliar. Não circular pelas áreas comuns do condomínio. E, sendo indispensável, que o faça usando máscara e não se aproxime a menos de dois metros de distância de outras pessoas. Medida que deve ser adotada por todas as pessoas que convivem na mesma unidade.
Fonte: Sindicato dos Condomínios do Pará (Sindcion-PA)
