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BELÉM

Ciclistas alertam para riscos de acidentes na Almirante Barroso

Na semana passada, foi registrado um acidente de trânsito com morte na avenida. O sinistro aumentou a preocupação de alguns ciclistas que costumam circular constantemente pela área

Saul Anjos

8 de novembro de 2026 às 10:00

A imagem em destaque mostra um ciclista no cruzamento da avenida Almirante Barroso com a Doutor Freitas, no bairro do Marco, em Belém.

A imagem em destaque mostra um ciclista no cruzamento da avenida Almirante Barroso com a Doutor Freitas, no bairro do Marco, em Belém. ( Foto: Foto: Thiago Gomes | O Liberal )

Na semana passada, no dia 30, um ciclista morreu após ser atingido por um ônibus na avenida Almirante Barroso, no cruzamento com a avenida Doutor Freitas, no bairro do Marco, em Belém. O sinistro levantou preocupações de ciclistas, que costumam passar por esse trecho. Inclusive, alguns deles relataram imprudências de condutores de carros, ônibus e motos no ocasionamento de acidentes.

A imagem em destaque mostra Gerson Luiz Prazeres, 54 anos, que leva e busca a filha de bicicleta no colégio.
A imagem em destaque mostra Gerson Luiz Prazeres, 54 anos, que leva e busca a filha de bicicleta no colégio. (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

Gerson Luiz Prazeres, 54 anos, trabalha em manutenção predial. Ele conta que costuma buscar e deixar a filha, Laure Prazeres, de 6 anos, no colégio de bicicleta, e mantém uma atenção redobrada para a segurança dele e da criança. “O maior risco na Almirante Barroso são as travessias e os retornos. Os carros e também os motociclistas às vezes não respeitam os sinais. Precisa de mais segurança e sinalização aqui", diz.

Sobre a morte do ciclista registrada na avenida, Gerson relata que passou a ter mais cuidado no local. “Eu levo e busco a minha filha no colégio. Então, eu ando mais devagar e presto mais atenção aos sinais por estar com uma criança (na bike),”, acrescenta.

A imagem em destaque mostra o autônomo Paulo César Nascimento Araújo, 53, que também utiliza a bicicleta para se locomover na Almirante Barroso.
A imagem em destaque mostra o autônomo Paulo César Nascimento Araújo, 53, que também utiliza a bicicleta para se locomover na Almirante Barroso. (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

O autônomo Paulo César Nascimento Araújo, 53, também utiliza a bicicleta para se locomover na Almirante Barroso pela ciclovia da avenida. Segundo ele, que mora no bairro da Terra Firme, ressalta também a importância de ter cuidado com os sinais durante o trânsito para que nenhum acidente ocorra. “Às vezes, um (veículo) pode fazer uma conversão e ir direto na pessoa (ciclista). Precisa ter atenção na hora de atravessar ou ficar esperando conforme o movimento (dos automóveis)", afirma.

Thiago Silva de Souza, 47, autônomo, enfrenta a Almirante todos os dias. De acordo com ele, os grandes riscos que os ciclistas encaram são as imprudências de motoristas de ônibus e carro e motociclistas. “Eles não respeitam as travessias e avançam os sinais. E precisamos estar muito atentos com isso. Eu nunca avanço de primeira, mesmo que seja a minha preferencial; eu sempre espero para ver se, na travessia, não avança nenhum veículo", ressalta.

Souza comenta também sobre as condições do tráfego de ciclistas na Almirante Barroso. Para ele, ainda existem pontos que precisam melhorar na segurança de quem usa bicicleta para transitar. “A ciclovia está muito mal cuidada. É calçada quebrada, buraco, nível alto de elevação da via. Com isso, temos que tomar bastante cuidado. Temos uns 60% de segurança na avenida", detalha.

A imagem em destaque mostra Thiago Silva de Souza, 47, autônomo. Ele aponta imprudências de motoristas e motociclistas na avenida.
A imagem em destaque mostra Thiago Silva de Souza, 47, autônomo. Ele aponta imprudências de motoristas e motociclistas na avenida. (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

“Ficamos mais atentos com as travessias na via para que não ocorra nada. Mas, às vezes, por um descuido nosso, pode acontecer um acidente. Eles (condutores de carros, motos e ônibus) precisam respeitar o outro e andar mais devagar”, complementa.

A circulação de ciclistas

A Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel) reforça, por meio de nota, que a avenida Almirante Barroso conta com ciclovia em toda a sua extensão, destinada à circulação segura de ciclistas. Segundo a Segbel, Belém possui aproximadamente 170 quilômetros de malha cicloviária, infraestrutura destinada a proporcionar mais segurança e melhores condições de mobilidade aos ciclistas.

“Com essa extensão, a capital paraense ocupa a quinta posição entre as cidades brasileiras com as maiores malhas cicloviárias do país. A gestão municipal também trabalha com o objetivo de fortalecer a mobilidade urbana e ampliar as condições de segurança para quem utiliza a bicicleta como meio de transporte. As intervenções e possíveis ampliações da malha cicloviária são avaliadas no planejamento municipal de mobilidade, considerando as necessidades de cada região e a integração entre os diferentes modais", diz.

Orientações de segurança

A orientação da Segbel é que os usuários utilizem a estrutura cicloviária disponível, respeitando a sinalização e as normas de trânsito. Além disso, a Secretaria informa que o corredor exclusivo do BRT “é destinado à circulação dos ônibus do sistema, não sendo permitido o tráfego de bicicletas nesse espaço”. Outro aconselhamento dado pela Secretaria de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade é que os ciclistas utilizem sempre ciclovias e ciclofaixas quando disponíveis.

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Foto: Thiago Gomes | O Liberal
Foto: Thiago Gomes | O Liberal

“Nos trechos em que não houver infraestrutura específica, a circulação deve ocorrer pelo bordo da pista de rolamento, no mesmo sentido regulamentado para a via e, preferencialmente, nos bordos direito, respeitando as condições estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Também é fundamental utilizar equipamentos de sinalização, especialmente durante a noite, manter atenção às condições da via e evitar transitar em áreas destinadas exclusivamente ao transporte coletivo", comunica.

A recomendação a motoristas e motociclistas é de que devam manter distância lateral mínima de 1,5 metro ao ultrapassar bicicletas, reduzir a velocidade e redobrar a atenção em cruzamentos, conversões e mudanças de faixa. Ainda conforme a Segbel, o CTB também estabelece que os veículos de maior porte devem zelar pela segurança dos menores, assim como os motorizados devem proteger os não motorizados. “O respeito à sinalização, às regras de preferência e aos limites de velocidade é fundamental para prevenir sinistros”, esclarece.

“A SEGBEL, por meio dos agentes de trânsito e da Guarda Municipal, realiza ações de fiscalização, ordenamento e orientação nas vias da capital, com o objetivo de coibir infrações e promover um trânsito mais seguro. As atividades também são acompanhadas por iniciativas de educação para o trânsito, voltadas à conscientização de condutores, ciclistas e pedestres sobre a responsabilidade compartilhada na prevenção de acidentes", conclui.