Familiares e amigos de Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, participaram nesta sexta-feira (14) da missa de 7º dia em memória da jovem, em Belém. A celebração foi realizada na Igreja Santo Antônio Maria Zacarias, na rua Boaventura da Silva, no bairro do Umarizal. A cerimônia foi marcada por momentos de oração, emoção e homenagens à jovem.
O pai da jovem, Roberto Carlos Pires Gomes, falou sobre a dor da perda e afirmou que agora a família espera por justiça. “Minha filha não vai mais voltar. Agora só nos resta conviver com a dor da saudade que todos nós sentimos dela. E nos resta pedir justiça. Eu tenho muita confiança na Polícia Civil do Pará e tenho certeza de que farão um trabalho excelente para que a justiça seja feita nesse caso”, declarou.
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Giovanna morreu no sábado (8), após ser submetida, na sexta-feira (7), a quatro procedimentos estéticos em um hospital particular de Belém: abdominoplastia, lipoaspiração, colocação de prótese de mama e enxerto de gordura nos glúteos. A morte é investigada pela Polícia Civil. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) também acompanha a situação.
A família de Giovanna busca esclarecimentos sobre o que ocorreu durante e após os procedimentos. As circunstâncias da morte e eventual responsabilidade dos profissionais envolvidos ainda dependem das investigações e das análises das autoridades competentes.
Durante a missa, o momento foi marcado principalmente pela despedida e pela memória de Giovanna. Familiares e amigos se reuniram para homenagear a jovem e prestar solidariedade aos parentes diante da perda. “Uma grande dor, um grande vazio, estamos totalmente devastados, sem saber o que fazer. Passaram-se sete dias e tem sido dias muito intensos. Cada vez mais a ausência da minha irmã é sentida. A gente não vai mais encontrar com ela aqui em carne e isso dói muito. Só quem já passou por essa dor pode falar o que é isso”, disse Ana Coelho, irmã de Giovanna, bastante emocionada.
“Não consigo acreditar que ela não vai mais entrar pela porta da minha casa e falar: ‘E aí, mana? Eu vim ver o Tutuco’ [que é o meu filho]. Que eu não vou poder pedir para ela cuidar da nossa mãe, que ela sempre cuidou. Que ela não vai mais estar aqui com a gente, que ela não vai envelhecer comigo, que ela não vai mais poder partilhar a vida com a gente. É muito difícil. Só Deus para segurar as nossas mãos e nos dar forças nesse momento”, falou Ana Coelho.
Relembre o caso
Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, morreu após ser submetida a procedimentos estéticos, como abdominoplastia, lipoaspiração, colocação de prótese de mama e enxerto de gordura nos glúteos, realizados em um hospital de Belém. A cirurgia ocorreu na sexta-feira (7) e, no dia seguinte, Giovanna sofreu três paradas cardíacas. Ela morreu no sábado (8) e foi sepultada na segunda-feira (10).
A família questiona a condução do procedimento e do atendimento no período pós-operatório e afirma que houve omissão e negligência por parte de pessoas envolvidas na cirurgia e no acompanhamento da paciente. Entre os nomes citados pelos familiares estão o cirurgião André Melo, a secretária dele, Karol Cardoso, e o anestesista Cesar Collyer. As acusações são feitas pela família e ainda estão sendo investigadas pela Polícia Civil.
Segundo relatos de uma amiga de Giovanna, Jaqueline Duarte, a jovem inicialmente faria a cirurgia com outro médico, mas teria mudado de profissional após conhecer Karol Cardoso, que teria incentivado a realização dos procedimentos com André Melo. A família também questiona a realização dos quatro procedimentos em uma única cirurgia e afirma que Giovanna não teria recebido o acompanhamento médico esperado após deixar o centro cirúrgico.
Ainda conforme os relatos, Giovanna começou a apresentar dores, vômitos e mal-estar poucas horas depois da cirurgia. A família afirma que tentou acionar profissionais do hospital e integrantes da equipe médica, mas que os sintomas teriam sido tratados inicialmente como reações normais do pós-operatório. Mensagens encontradas no celular da jovem também são apontadas pela família como elementos que podem ajudar a esclarecer a evolução do quadro.
Na manhã de sábado, o estado de saúde de Giovanna teria se agravado. Segundo a família, ela apresentava sinais de intenso sofrimento e alterações nos sinais vitais antes de sofrer as paradas cardíacas. André Melo teria participado do atendimento durante uma das paradas, enquanto outros profissionais foram posteriormente acionados pela família para auxiliar na tentativa de reanimação.
A Polícia Civil do Pará, por meio da Seccional do Comércio, investiga as circunstâncias da morte. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) também informou que instauraria procedimento apuratório para verificar os fatos. Os procedimentos administrativos do Conselho tramitam sob sigilo.
Médico André Melo se manifesta
Em nota, o cirurgião plástico André Melo lamentou a morte de Giovanna e manifestou solidariedade aos familiares e amigos. Diante da repercussão do caso, o médico afirmou que “as circunstâncias relacionadas ao óbito ainda dependem de análise técnica adequada”.
André Melo também declarou que, neste momento, “não existem elementos conclusivos que permitam antecipar suas causas ou atribuir responsabilidades”. Segundo o médico, os esclarecimentos necessários serão prestados às autoridades e aos órgãos competentes, com a apresentação das informações e dos documentos pertinentes.
O cirurgião afirmou ainda que não divulgará informações clínicas ou detalhes do atendimento. Segundo ele, a decisão ocorre “por respeito à paciente, à sua família e ao dever de sigilo médico”.
Ao final da manifestação, André Melo disse confiar que o caso será esclarecido “com a seriedade, a cautela e o rigor técnico que uma situação tão sensível exige”.
