Cerca de 200 lideranças comunitárias, pescadores artesanais, pesquisadores e apoiadores se reuniram na manhã deste domingo (26) para a 3ª Marcha dos Manguezais Amazônicos. Com o tema "Nosso Mangue, Nosso Clima", o percurso começou com uma Alvorada de Carimbó na Escadinha do Cais do Porto e seguiu em caminhada até o Complexo do Ver-o-Peso.
A pista direita da avenida Boulevard Castilhos França precisou ser interditada temporariamente para garantir a segurança dos participantes. A ação contou com a escolta de um veículo da Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel).
Cobrança por novas reservas extrativistas no Norte
O grupo formado por comunidades tradicionais aproveitou a visibilidade do centro da capital paraense para cobrar políticas públicas voltadas à proteção costeira. Entre as principais demandas, os manifestantes exigiram a decretação de novas unidades de conservação na Amazônia.
"Hoje estamos aqui com esse evento justamente para conscientizar a sociedade de que vivemos nos manguezais do Pará, Amapá e Maranhão. Precisamos dizer para o mundo que somos pescadores artesanais que preservam o território, porque ali vivemos na maior área preservada do mundo e precisamos cada vez mais protegê-la", destaca Renilde Piedade, presidente da Associação de Usuários da Reserva Extrativista Marinha Mocapajuba.
A líder extrativista apontou a urgência de fortalecer os territórios do litoral paraense, além de reivindicar a criação oficial da Reserva Extrativista Tauá-Mirim, no Maranhão, e a regularização de mais três áreas de preservação no estado do Amapá.
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Impacto do lixo oceânico e força da bioeconomia
Além da pressão pela demarcação de reservas, o avanço irregular de projetos econômicos e o descarte de resíduos figuram como as principais ameaças enfrentadas por quem tira o sustento da lama.
"Nosso maior desafio é o lixo que as pessoas geram e jogam de forma mal educada, além dos empreendimentos e da carcinicultura sendo construídos de forma desordenada próximo às margens. Precisamos estar juntos nessa conscientização global para que o mangue possa respirar melhor, porque apesar de ele filtrar a sujeira, não é por isso que vamos expandir os resíduos para dentro dele", afirma Sandra Regina Gonçalves, presidente da associação da Reserva Extrativista Mãe Grande de Curuçá.
Para além dos protestos ambientais, a marcha evidenciou o potencial financeiro gerado de forma sustentável pelas florestas de maré. O ecossistema fomenta a extração de sementes, óleos, mel e abastece diretamente a gastronomia regional, criando cadeias de valor lideradas por mulheres.
"Existe uma rede de mulheres no litoral do estado que estão cada vez mais fortificando a bioeconomia e comercializando seus produtos para fora das comunidades, ajudando a manter a sustentabilidade e o bem-viver. Mas, para tudo isso funcionar, os manguezais precisam estar em pé, pois a marisqueira e a catadora de caranguejo dependem estritamente desse ambiente para o sustento de suas famílias", explica Maura Sousa, gerente sênior da Associação Rare do Brasil.
