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BELÉM

Calçadas inacessíveis: pedestres lamentam falta de mobilidade em Belém

No bairro da Pedreira, por exemplo, diferentes situações dificultam o trânsito de moradores

Lívia Ximenes

5 de novembro de 2026 às 08:00

O canteiro central da rua Antônio Everdosa encontra-se quebrado e com acúmulo de resíduos

O canteiro central da rua Antônio Everdosa encontra-se quebrado e com acúmulo de resíduos ( Foto: Foto: Igor Mota | O Liberal )

Em Belém, calçadas, canteiros e demais espaços destinados à circulação de pedestres estão inacessíveis em diferentes locais. No bairro da Pedreira, por exemplo, moradores lamentam a falta de mobilidade devido à pontos quebrados, ao acúmulo de resíduos e à presença de bancas de vendas e itens inadequados, como caçambas de lixo. Para seguirem caminho, as pessoas se arriscam desviando dos obstáculos e, até mesmo, indo para o meio da rua, onde circulam veículos.

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A auxiliar de limpeza Edneuza Melo, de 48 anos, passava pela rua Antônio Everdosa na manhã desta quarta-feira (4) quando precisou sair da calçada e ir para via. Na área, calçadas com níveis diferentes de altura e rampas íngrimes não permitem uma circulação tranquila. Entretanto, na rua, também teve que desviar de entulhos.

Edneuza Melo afirma que o tráfego é mais difícil a pessoas que usam cadeiras de rodas
Edneuza Melo afirma que o tráfego é mais difícil a pessoas que usam cadeiras de rodas (Foto: Igor Mota | O Liberal)

“É difícil, principalmente para a pessoa que é cadeirante, que tem dificuldade”, disse. Edneuza contou que tem um familiar que usa cadeira de rodas e, diariamente, passa por problemas relacionados à mobilidade.

Além de calçadas irregulares, a auxiliar de limpeza relata estacionamentos em locais indevidos: “As pessoas estacionam em lugar errado, aí tira a vez do cadeirante passar. Às vezes, a gente atpe se aborrece e tem que pedir licença para que eles saiam, mas é difícil.”

Problema histórico

Morando há décadas na rua Antônio Everdosa, o aposentado Ezequiel Carvalho Costa, de 84 anos, disse que o problema no canteiro central, entre as travessas Timbó e Estrela, é histórico. O espaço está com calçamento quebrado e lixo acumulado, conforme constatação da equipe de reportagem.

Ezequiel Carvalho Costa mora em frente ao canteiro central há décadas e diz que os problemas são históricos
Ezequiel Carvalho Costa mora em frente ao canteiro central há décadas e diz que os problemas são históricos (Foto: Igor Mota | O Liberal)

“Eu vejo muitas pessoas caírem, tropeçarem e ralarem o joelho. Fora os matos, porque está cheio. À noite, fica tudo escruro, a luz dos postes não consegue chegar embaixo, porque fica presa lá em cima na mangueira”, afirmou.

Após anos lidando com o problema e sem ver soluções, Ezequiel relata que não se aborrece mais, apenas lamenta e teme que algo de ruim aconteça com quem transita pela área.

“Eu sempre fui uma pessoa que lutei, trabalheo. Então, eu queria solução para todos que passam, não só para mim. Eu fui líder comunitário há muitos anos, até me desgastei muito”, lembrou.

Equilíbrio é necessário

Para caminhar no canteiro central, a aposentada Odete Silva, de 63 anos, teve que se equilibrar e fazer diversos desvios ao longo do percurso. Retornando do supermercado, Odete estava com sacolas em mãos e temia acidentes.

Odete Silva passa por dificuldades para caminhar com sacolas de compras
Odete Silva passa por dificuldades para caminhar com sacolas de compras (Foto: Igor Mota | O Liberal)

“É muito ruim, é muito complicado, porque, às vezes, a gente pode até cair. Como teve uma vez que eu quase caí, tropecei e não cheguei a cair porque me segurei”, contou.

A aposentada apontou que o problema afeta a todos, não apenas pessoas idosas. Crianças, por exemplo, tornam-se vulneráveis ao caminhar em espaços como esse.

“Ali na [travessa] Mauriti o calçamento está bom, mas eu costumo passar muito para cá e é sempre esse problema. Geralmente, eu venho com sacolas de compras, porque, quando eu vou para o supermercado, eu venho por aqui”, lamentou.

Fiscalização, revitalização e limpeza

A equipe de reportagem entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Belém (PMB), solicitando posicionamento acerca dos problemas relacionados à mobilidade e acessibilidade em calçadas na capital paraense. Além da rua Antônio Everdorsa, as ocorrências foram registradas avenida Pedro Miranda, avenida Marquês de Herval e travessa Mauriti.

CALÇADAS INACESSÍVEIS | PEDREIRA
Foto: Igor Mota | O Liberal
Foto: Igor Mota | O Liberal

A Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel) informou que o uso de calçadas deve respeitar as normas do Código de Posturas do Município: “De acordo com a legislação, os comerciantes podem ocupar até um terço da largura da calçada para exposição de mercadorias ou outras atividades comerciais, desde que sejam preservados os outros dois terços do espaço para a circulação de pedestres. A área destinada ao passeio público deve permanecer livre de obstáculos que dificultem a mobilidade e a acessibilidade, especialmente de idosos e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.”

Em casos de ocupação irregular por comércios ou estacionamentos, a Segbel reforçou que estão sujeitas à fiscalização e às medidas administrativas determinadas pela legislação municipal. As ações de ordenamento podem ocorrer conforme operações programadas e demandas da população. Para denunciar, a secretaria disponibiliza a Ouvidoria via WhatsApp e e-mail, no número (91) 98415-4587 e no endereço ouv@segbel.pmb.pa.gov.br, respectivamente.

“A secretaria reforça que a preservação das áreas de passeio é fundamental para garantir a segurança, a mobilidade e o direito de ir e vir da população”, concluiu.

Em relação a obras de revitalização e limpeza, a Redação Integrada solicitou nota da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Seinfra) e Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel). Entretanto, até a publicação deste material, não houve retorno. O espaço segue aberto.