Estudantes da Escola Municipal Maria Stellina Valmont, no bairro da Terra Firme, em Belém, estão transformando conhecimentos sobre a floresta em atividades que envolvem arte, cultura, sustentabilidade e empreendedorismo. A iniciativa faz parte de uma nova etapa do projeto “Essência dos Mitos”, que reúne cerca de 80 alunos do 8º e 9º anos do Ensino Fundamental em estudos sobre a Amazônia e os modos de vida de povos indígenas, quilombolas, caboclos e ribeirinhos. A experiência ganha destaque neste sábado (5), quando é celebrado o Dia da Amazônia.
Coordenado pelo professor de Geografia José Ribamar Braun Viana dos Santos, o projeto amplia uma experiência iniciada em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. Na primeira edição, estudantes do Ensino Médio produziram perfumes, aromatizadores e sabonetes utilizando matérias-primas amazônicas. A proposta buscava aproximar o conteúdo trabalhado em sala de aula da educação ambiental, da valorização da cultura regional e de alternativas de geração de renda ligadas às comunidades extrativistas.
Na capital paraense, a iniciativa ganhou novos eixos e passou a integrar arte, cultura e meio ambiente. Atividades de dança e cinema se somam ao estudo da história, dos costumes e das formas de trabalho das populações amazônicas. Temas como bioeconomia, biodiversidade e sustentabilidade também são abordados, conectando os conteúdos escolares às características sociais e ambientais da região.
Participam do projeto quatro turmas — duas do 8º e duas do 9º ano —, com aproximadamente 20 estudantes cada. Antes das atividades práticas, os alunos trabalham em sala de aula questões relacionadas à ancestralidade, aos fluxos geográficos e sociais e à relação das populações amazônicas com os recursos naturais. As discussões também passam por território, preservação ambiental e biodiversidade, formando a base para as oficinas desenvolvidas ao longo do projeto.
Para o professor José Ribamar, a proposta aproxima o conteúdo escolar da realidade amazônica e estimula nos estudantes uma compreensão mais ampla sobre a conservação da floresta e as comunidades da região. “As atividades conectam o aprendizado dos alunos à preservação da Amazônia e ao fortalecimento das comunidades locais, criando um ciclo de benefícios mútuos”, afirma.
Da sala de aula à produção
Na etapa prática, os estudantes cultivam hortas pedagógicas, desenvolvem biojoias e produzem outros itens manufaturados, aplicando os conhecimentos construídos ao longo das atividades. É nesse percurso que a abordagem STEAM, sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, orienta a integração entre diferentes áreas do conhecimento e o desenvolvimento de soluções.
O empreendedorismo também faz parte da proposta. Os produtos são comercializados em feiras realizadas na escola, em que os estudantes têm contato com etapas como organização, precificação e circulação da produção. A expectativa é que, futuramente, as iniciativas possam avançar para modelos de incubação de produtos e projetos desenvolvidos pelos jovens.
A experiência integra o mapeamento de práticas STEAM realizado pelo Itaú Social, que reúne iniciativas educacionais capazes de articular diferentes áreas do conhecimento e aproximar os conteúdos escolares aos desafios contemporâneos dos estudantes.
De acordo com Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social, quando a escola reconhece e incorpora os saberes presentes em seu território, o conhecimento ganha sentido para os estudantes. “Projetos como o “Essência dos Mitos” mostram que é possível aprender valorizando a identidade amazônica, compreendendo a importância da preservação ambiental e desenvolvendo competências para atuar no mundo e imaginar diferentes possibilidades de futuro”, afirma.
O levantamento das iniciativas foi realizado em parceria com o Instituto Catalisador. O objetivo é inspirar professores e redes de ensino a replicarem práticas bem sucedidas nos territórios.
