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BELÉM

Assistência para pessoas em situação de rua piorou em Belém, diz diretor do Sintsuas da Funpapa

Segundo Rayme Sousa, os espaços de Serviço de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias (SAIF 1 e 2), nos quais 90 pessoas deveriam estar abrigadas, têm menos de 50

O Liberal

26 de abril de 2026 às 17:27

( Foto: Igor Mota/O Liberal )

No sábado (25/4), o corpo de um idoso em situação de rua foi encontrado na Praça do Relógio, no bairro da Campina, centro da capital. Para Rayme Sousa, diretor do Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores do Sistema Único da Assistência Social (Sintsuas) da Fundação Papa João XXIII (Funpapa), o atendimento feito pelo município para as pessoas que vivem em situação de rua piorou, principalmente com a falta de equipamentos e condições adequadas de trabalho. 

Rayme contou que, o que se observa, é continuidade da gestão municipal de sucateamento da rede socioassistencial, especialmente no âmbito da Funpapa. “Persistem problemas estruturais como falta de equipes completas, redução de serviços, sobrecarga de trabalhadores e ausência de políticas contínuas e estruturadas”, disse.

Segundo ele, os espaços de Serviço de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias (SAIF 1 e 2), nos quais 90 pessoas deveriam estar abrigadas, têm menos de 50. “Além disso, episódios recentes de violência institucional e negligência evidenciam que o atendimento não apenas é insuficiente, mas também falha na garantia de direitos básicos, revelando um cenário de abandono e desproteção social”, afirmou o diretor do Sintsuas.

Ainda de acordo com Rayme, atualmente a estrutura da Funpapa possui número reduzido de vagas em abrigos e de profissionais (assistentes sociais, psicólogos, educadores sociais, cuidadores), falta de insumos básicos (material de higiene, roupas, material de limpeza, alimentos, etc.) e condições adequadas de trabalho (internet, computador, papel, canetas), além de ausência de políticas intersetoriais efetivas (saúde, habitação, trabalho e renda). 

Além desses problemas, Sousa comentou que existem relatos recorrentes de assédio institucional e desvalorização profissional, o que compromete ainda mais a qualidade do serviço prestado e o próprio funcionamento da política de assistência social.

“A rede conta com equipamentos com dois centros pop, dois espaços de acolhimento e um albergue (espaço acolher) e serviços pontuais. O que falta é investimento real e planejamento estruturado, com ampliação da rede de acolhimento, concursos públicos, valorização dos trabalhadores e integração com outras políticas públicas. Sem isso, o atendimento segue sendo emergencial e incapaz de promover saída efetiva das ruas”, informou.

Para o Sindicato, a discrepância entre o número de demandas e vagas ofertadas escancara a insuficiência e o caráter meramente simbólico das ações da Prefeitura de Belém, funcionando mais como ação de visibilidade do que como resposta concreta a essa crise social. Conforme Rayme, a reabertura de equipamentos como restaurante popular e espaço de acolhimento é importante, mas não pode ser tratada como solução estrutural, “sobretudo quando atende a uma parcela ínfima da população”.