Quem passa pela Praça Batista Campos, em Belém, encontra lagos com peixes que fazem parte da paisagem do local e chamam a atenção de moradores e visitantes. Mas, segundo um vendedor de água de coco que trabalha na praça há mais de 30 anos, a alimentação dos animais depende, em parte, da iniciativa de trabalhadores e pessoas que frequentam o espaço. O homem, que preferiu não se identificar, afirma que nunca viu equipes da Prefeitura alimentando os peixes.
Vendedores e visitantes ajudam na alimentação
O vendedor conta que os trabalhadores que comercializam água de coco na praça costumam comprar ração para os peixes e jogar o alimento nos lagos. Segundo ele, frequentadores também têm esse hábito quando passam pelo local.
“Quem alimenta os peixes são os vendedores de água de coco e as pessoas que passam pela praça. Geralmente, a gente compra ração para peixe e joga na água, porque a Prefeitura mesmo eu nunca vi alimentar esses animais”, relata.
Frequentadores destacam a importância dos animais
A bancária Letícia Lobato, de 28 anos, costuma visitar a praça com os dois filhos. Ela conta que os peixes fazem parte da experiência das crianças no local e que percebeu a falta dos animais quando alguns foram retirados dos lagos a alguns meses atrás.
“Essa praça já é bem antiga, bem conhecida, é um cartão-postal de Belém. Como eu tenho dois filhos, geralmente venho bastante aqui com eles. Eles gostam, principalmente a minha filha mais velha, que adora justamente por causa dos peixinhos. Quando retiraram os peixes, ela sentiu falta. Então, quando viu que aqui ainda tinha alguns, ficou alegre”, conta.
Para Letícia, cuidar dos animais também é uma forma de preservar o espaço público e garantir que a população continue aproveitando a praça. “É muito importante, até mesmo para a beleza da praça e para o ecossistema do próprio ambiente. Também é importante que as pessoas que visitam tenham esse cuidado, além do poder público cuidar desse espaço que tanto gostamos”, afirma.

O médico-veterinário e produtor rural Luís Castro, de 60 anos, também costuma caminhar pela Praça Batista Campos. Ao falar sobre a presença dos animais, ele destacou a importância da preservação ambiental e da conscientização da sociedade. “É muito importante que o poder público cuide desses animais e desses espaços. Eles fazem parte da nossa fauna e flora”, afirmou.

Bióloga alerta para os riscos da alimentação inadequada
A bióloga Valéria Nascimento explica que a alimentação dos peixes precisa respeitar as necessidades nutricionais de cada espécie. No caso do pirarucu, peixe nativo da Amazônia, a dieta é predominantemente carnívora, baseada principalmente em outros peixes e, em ambientes de criação, em rações específicas.
Segundo a especialista, oferecer alimentos inadequados ou em quantidades incorretas pode comprometer a saúde dos animais. A alimentação desequilibrada pode provocar desnutrição, alterações digestivas, maior vulnerabilidade a doenças e, em situações graves, levar à morte.
Valéria também alerta para o uso de restos de alimentos humanos, como a polpa de coco, como principal fonte de alimentação dos pirarucus. Embora contenha alguns nutrientes, esse alimento, isoladamente, não atende às necessidades nutricionais da espécie e não deve substituir uma dieta adequada.
Além da alimentação, a bióloga ressalta que as condições da água são fundamentais para a sobrevivência dos peixes. Parâmetros como temperatura, pH, oxigênio dissolvido e concentração de amônia precisam ser monitorados. O acúmulo de restos de comida e fezes pode prejudicar a qualidade da água e reduzir o oxigênio disponível.
Em agosto, a Prefeitura de Belém anunciou ações de manejo ambiental na Praça Batista Campos, que incluíram a limpeza de um dos sete lagos do local. Durante o serviço, foram retiradas três caçambas de terra e lixo.
Na ocasião, os peixes retirados foram encaminhados para avaliação de cientistas do Bosque Rodrigues Alves, com previsão de posterior destinação à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).
Segundo a gestão municipal, as medidas também buscavam melhorar as condições ambientais dos lagos, reduzir a presença de garças e diminuir a mortalidade dessas aves, além de melhorar as condições de uso da praça pela população.

Nota da Prefeitura
Em nota a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), informa que os peixes da praça Batista Campos se alimentam, majoritariamente, do ecossistema natural do próprio lago e das folhagens que caem nos lagos. Além disso, a prefeitura pontuou que a predação dos peixes pelas garças configura um processo natural da cadeia alimentar.

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