SEX · 02 OUT 2026Assine

PETS

Alimentação natural para pets: veja quais cuidados tomar

Veterinária reforça que a alimentação natural requer planejamento, exames e orientação para evitar riscos à saúde de cães e gatos

Gabriel Pires e Laura Serejo*

9 de novembro de 2025 às 11:00

A alimentação natural para cães e gatos pode trazer benefícios à saúde dos pets quando realizada de forma equilibrada e com orientação profissional. Segundo a veterinária Cristina Pereira, esse tipo de dieta exige planejamento, exames prévios e uma transição gradual da ração para a comida natural para evitar riscos ao bem-estar do animal.

De acordo com a profissional, a mudança pode ser indicada, principalmente, para pets com sobrepeso, problemas dermatológicos, cardiopatias ou sensibilidade alimentar. No entanto, ela alerta que a transição não deve ser feita sem orientação. “Antes de iniciar a alimentação natural, o animal precisa ser avaliado por um veterinário. Exames de rotina e complementares são necessários para que o nutricionista elabore uma dieta adequada para cada paciente”, orienta.

Benefícios para a saúde dos pets

Entre as vantagens da alimentação natural, a especialista destaca que uma dieta balanceada reforça o sistema imunológico, melhora a saúde gastrointestinal, ajuda na manutenção da saúde bucal e pode prevenir doenças de pele. “Os alimentos naturais possuem nutrientes essenciais para o bom funcionamento do organismo e contribuem para uma vida mais longa e saudável”, explica.

No caso dos gatos, a veterinária lembra que eles são animais estritamente carnívoros, por isso tendem a aceitar menos legumes e verduras do que os cães. Para eles, as proteínas devem ser prioridade. “Carne bovina, frango e peixe são algumas das opções mais indicadas. São fontes ricas em ferro, complexo B e ácidos graxos, que auxiliam no desenvolvimento muscular e na saúde da pele e pelagem”, detalha.

Como fazer a transição da ração para a comida natural

A transição deve ser gradual para evitar rejeição e desconforto digestivo. A profissional explica que muitos tutores cometem o erro de substituir a ração de forma brusca. “O tutor precisa ter cuidado, porque quando a mudança é rápida demais, o animal rejeita o alimento não por não gostar, mas por não estar acostumado”, destaca. O ideal é misturar pequenas porções de comida natural à ração e aumentar gradualmente até a troca completa, sempre com acompanhamento veterinário.

Além disso, a alimentação natural precisa ser equilibrada. Não basta oferecer apenas carne e legumes. Uma dieta completa inclui proteínas, carboidratos, legumes, vísceras e suplementação adequada, conforme a necessidade do pet.

O que não pode: alimentos proibidos e riscos à saúde

Alguns alimentos naturais, apesar de comuns à mesa dos humanos, são tóxicos para cães e gatos e não devem ser oferecidos em hipótese alguma. Entre eles estão:

  • Chocolate
  • Uva
  • Abacate
  • Açaí
  • Alho e cebola

Esses itens podem causar intoxicação grave e rápida, com sintomas como vômitos, diarreia, salivação excessiva e até parada cardiorrespiratória. “Se houver ingestão, é necessário atendimento emergencial imediato. Em casos mais severos, o pet pode vir a óbito em questão de minutos”, alerta a veterinária.

Ela também explica que alguns animais podem desenvolver alergia ao frango, uma proteína comumente utilizada nas dietas naturais. “Se o pet começar a apresentar coceira, vermelhidão na pele ou queda de pelos após consumir frango, pode haver relação com sensibilidade à proteína. Nesse caso, é necessário reavaliar a dieta e substituir por outra fonte proteica”, recomenda.

Tutores relatam mudanças após aderir à alimentação natural

A estudante de Psicologia Luísa Maria, de 22 anos, de Belém, decidiu adotar a alimentação natural após perceber que sua cadela, Lua, havia perdido o interesse pela ração. “A Lua simplesmente enjoou da ração. Hoje ela come carnes cozidas sem tempero, verduras, legumes e frutas. Desde a mudança, ela está mais saudável e forte”, conta.

Cadela Lua comendo alimentos naturais
Cadela Lua comendo alimentos naturais ()

O pai de Luísa, Victor Oliveira, afirma que o aprendizado como tutor veio após uma experiência difícil com o primeiro gato da família, que morreu devido a complicações renais. “Achávamos que qualquer ração servia. Quando adotamos outro gato, estudamos mais e percebemos que ser tutor exige informação. Com a alimentação natural, vimos melhorias no comportamento e na saúde dos nossos pets”, diz.

Luísa também é tutora de dois gatos, Mingau e Oreo. Embora ainda comam ração, segundo ela, os dois preferem alimentos naturais. “O Oreo é idoso e não tem muitos dentes, mas se alimenta super bem com comida natural”, comenta.

Gato Oreo ao lado de sua tutora Luísa Maria
Gato Oreo ao lado de sua tutora Luísa Maria (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)

Assuntos relacionados