Um acidente provocado por uma abertura na pista, sem sinalização, deixou quatro ciclistas feridos na avenida Júlio César, em Belém, no dia 19 deste mês. O grupo seguia pela ciclofaixa em direção ao Aeroporto Internacional de Belém quando os primeiros integrantes encontraram o trecho danificado, na subida do elevado. Sem tempo para desviar, os ciclistas começaram a cair em sequência. A vítima em estado mais grave é o motorista de aplicativo Evandro do Amaral Parente, que sofreu fraturas em dois dedos da mão direita, perdeu dois dentes e precisou levar nove pontos entre a testa e a boca. Por causa dos ferimentos, ele está impossibilitado de trabalhar.
Segundo Evandro, o grupo Loucos por Bike havia saído de São Brás e seguia em direção ao aeroporto. A pedalada reunia entre 18 e 22 pessoas. O acidente aconteceu à noite, quando os integrantes passaram pelo trecho onde havia uma abertura na ciclofaixa, sem qualquer aviso ou isolamento. “Quando os primeiros ciclistas avistaram o buraco, não houve tempo de desviar. Aí foi um efeito cascata. Quando um cai no grupo, vai caindo um atrás do outro. Eu fui o último a cair, passei por cima da bicicleta e fui violentamente arremessado para a frente, batendo o rosto no asfalto”, relatou.
O impacto provocou ferimentos graves no rosto de Evandro. Segundo ele, o óculos que usava foi deslocado durante a queda e acabou cravado na testa. O ciclista sofreu um corte que precisou de seis pontos, além de outro ferimento na boca, que recebeu três pontos. Dois dentes também foram perdidos. “Eu estava de capacete, mas o óculos subiu para a testa e abriu uma brecha. Com a batida, também estourei a boca e perdi dois dentes”, contou.
Além dos ferimentos no rosto, Evandro teve dois dedos da mão direita fraturados. Ele está com a mão imobilizada e aguarda a realização de uma cirurgia. O acidente também o afastou temporariamente da atividade profissional como motorista de aplicativo.
Atendimento médico
O ciclista conta que ficou parcialmente desacordado após a queda e só se recorda de ter acordado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Marambaia. Posteriormente, foi encaminhado ao Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março, onde recebeu atendimento especializado. “Eu fiquei meio desacordado na hora do acidente. Só lembro que freei, mas a bicicleta já estava na minha frente. Passei por cima e fui lançado. Fui acordar já na UPA da Marambaia e depois me levaram para o pronto-socorro, porque na UPA não tinha médico cirúrgico para o meu caso”, explicou.
Apesar de apresentar melhora após o atendimento e o uso de medicamentos, Evandro ainda precisa retirar os pontos e aguarda a cirurgia nos dedos. Ele também informou que pretende registrar um boletim de ocorrência, mas ainda não conseguiu se deslocar até uma delegacia devido às dores e às limitações provocadas pelos ferimentos.
Falta de sinalização
Para Evandro, a ausência de sinalização e de isolamento da área contribuiu para a ocorrência do acidente. Ele destaca que a avenida Júlio César é uma via bastante utilizada por ciclistas, inclusive por quem se desloca entre bairros da capital e regiões mais afastadas. “Uma obra dessa poderia ter sido sinalizada. Poderiam ter colocado alguma coisa para impedir a passagem, feito uma iluminação ou qualquer aviso. Mas não tinha nenhuma sinalização”, afirmou.
O ciclista também relatou que, até o momento da entrevista, não havia recebido contato da concessionária responsável pelo serviço. Segundo ele, a divulgação do acidente nas redes sociais foi uma forma de alertar outros grupos de pedal que utilizam frequentemente o mesmo trecho.
Evandro afirma que o acidente poderia ter tido consequências ainda mais graves. Com a queda, ele foi arremessado em direção à calçada e ao meio-fio, ficando exposto ao risco de ser atingido por veículos que trafegavam pela avenida. “Poderia ter acontecido o pior. Eu poderia ter morrido, porque fui lançado para perto do meio-fio e um carro poderia ter passado por cima da minha cabeça. Foi uma tragédia”, desabafou.
O que dizem os órgãos responsáveis
Em nota, a Prefeitura de Belém informou que não executou nenhuma obra no trecho mencionado. Segundo a administração municipal, a intervenção foi uma manutenção no sistema de abastecimento de água, de responsabilidade da concessionária Águas do Pará.
A Águas do Pará lamentou o acidente envolvendo os ciclistas e informou que está à disposição para apoiar as vítimas. A concessionária confirmou que realizou um reparo de vazamento na rede de abastecimento de água no local, mas explicou que o piso cedeu após o serviço.
Ainda segundo a empresa, equipes retornaram ao trecho no mesmo dia para realizar os trabalhos necessários, seguidos da repavimentação, concluída em 20 de outubro.
