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BELÉM

Acadêmicos querem retomada das atividades práticas na Faculdade de Odontologia

Eles dizem que mais de 10 mil pacientes deixaram de ser atendidos pelo SUS

Dilson Pimentel

25 de maio de 2021 às 13:19

Modificado em 25 de maio de 2021 às 13:51

Além de vacinas, estudantes querem a retomada dos atendimentos da Faculdade de Odontologia e aulas práticas

Além de vacinas, estudantes querem a retomada dos atendimentos da Faculdade de Odontologia e aulas práticas ( Foto: Redes Sociais / Via WhatsApp de O Liberal )

Acadêmicos do curso de Odontologia da Universidade Federal do Pará realizaram um ato, nesta terça-feira (25), pedindo o retorno do atendimento na Faculdade de Odontologia. Segundo eles, mais de 10 mil pacientes estão sem atendimento há mais de um ano. Por serem profissionais de saúde, eles também querem ser imunizados contra a covid. E dizem que ensino à distância (EAD) não forma cirurgião-dentista.

Leonardo Louzardo é vice-presidente do Centro Acadêmico Livre de Odontologia da UFPA (CALO) e acadêmico do sétimo semestre do curso. “A gente está fazendo essa manifestação hoje (terça-feira), mas é algo que a gente já vem lutando faz um tempinho em busca de melhorias”, disse. Ele contou que, desde outubro do ano passado, a UFPA adotou o ensino remoto na instituição. “E isso tem se estendido até os dias de hoje. Enquanto instituições particulares e públicas da cidade e de outros Estados se adaptaram à realidade de um ensino híbrido, até hoje a UFPA não consegue fazer com que isso seja uma realidade. E nós somos profissionais da saúde. E a gente precisa fazer esse retorno porque existem centenas de pessoas precisando de atendimento", disse.

"Precisamos entrar em contato com o paciente", diz acadêmico

Essas pessoas procuram diariamente o serviço de saúde da Faculdade de Odontologia. "Então o nosso objetivo foi mostrar que a gente precisa fazer esse retorno de uma maneira adequada, urgente. Estamos aí há quase três semestres parados, não avançamos em absolutamente nada, estamos sobrevivendo de aulas teóricas através  de aulas virtuais. Só que a gente é da área da saúde e precisa de uma prática. Precisa entrar em contato com o paciente”, disse Leonardo.

“No nosso componente curricular o atendimento clínico é obrigatório. Por um lado, a gente não está vacinado, a gente não avança de semestre, não retorna de uma forma híbrida ao ensino da Faculdade. Em contrapartida, a gente sente o descaso da direção da Faculdade, da instituição. A gente não é incluindo no plano de vacinação e faz parte dos trabalhadores da saúde, porque o atendimento feito pela faculdade é do SUS”, explicou.

Antes da pandemia, a Faculdade de Odontologia da UFPA prestava assistência odontológica mensalmente para uma média de 10.500 pacientes em convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS). Eram atendimentos efetivos de urgência e emergência.

Devido à pandemia, atender pacientes sem máscara na instituição se tornou inviável, diz UFPA

Em nota, a UFPA informou o seguinte: "A Faculdade de Odontologia da UFPA se solidariza com os alunos de graduação da Universidade em relação a impossibilidade de desenvolver atividades práticas previstas na grade curricular do curso. Devido à pandemia, atender pacientes sem máscara na instituição se tornou inviável. Embora o curso de Odontologia tenha mantido atividades online, ofertando disciplinas teóricas, os estudantes do terceiro ao décimo semestre não podem, ainda, desenvolver as atividades práticas previstas, devido a pandemia da covid-19 e o risco elevadíssimo de contágio durante estas atividades".

E acrescentou: "Assim como nos demais cursos da área de Saúde da UFPA, alunos da última turma do curso (10º semestre) foram imunizados no mês passado com dose da vacina Astrazeneca, disponibilizada pela Secretaria Municipal de Saúde de Belém. Porém, conforme protocolo, a segunda dose para estes estudantes só poderá ser aplicada em julho. Com isso, o retorno desta turma às atividades presenciais só pode acontecer entre o final do mês de julho e início de agosto, quando estarão efetivamente imunizados (pois terão recebido duas doses do imunizante) e o contato "estudante/odontólogo X paciente" se tornará mais seguro para ambos". 

A Faculdade informa ainda estar em constante contato com os estudantes e dialogando com os órgãos de saúde para tentar encontrar soluções para a situação. "A UFPA, assim, está buscando formas de imunizar os estudantes de graduação para que as atividades necessárias para a conclusão do curso de Odontologia voltem a ser desenvolvidas o quanto antes, mas todo este processo, depende do potencial de imunização, o que por sua vez, depende de outras instâncias para além dos esforços da Universidade", afirma.