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‘Baila do Lundu’: canção paraense está entre as elegíveis ao Latin Grammy 2026

Música composta por Márcio Macedo e Ronaldo Silva foi gravada pela cantora Thays Sodré e o grupo Aturiá

Eduardo Rocha
fonte

A música paraense, amazônica, é de novo destaque no cenário nacional. A canção “Baila do Lundu”, composta por Márcio Macedo e Ronaldo Silva, acaba de ser incluída entre as obras elegíveis ao Latin Grammy 2026. A música foi gravada pela cantora paraense Thays Sodré e pelo grupo Aturiá Carimbó de Mulheres. A canção pode ser conferida aqui.

“Eu recebi essa notícia pela Andréia (Andréia de Vasconcelos), que é a idealizadora do Aturiá. Ela que organizou e reuniu todas nós, mulheres. Ela também é paraense e trabalha por essa causa de que as mulheres devem ocupar o lugar que elas quiserem ocupar, que elas devem estar onde queiram estar. Então, é um grupo que primeiramente se fortalece muito. É muito bacana. Eu fico muito feliz de integrar o Aturiá, de estar na estrada com as meninas e de fazer a cultura da Amazônia chegar mais longe, sabe? É um projeto que preza por divulgar a obra de mestres da cultura popular, como é o caso de ‘Baila do Lundu’, é uma canção do nosso grande, querido mestre Ronaldo Silva, também um dos idealizadores do Arraial do Pavulagem, em parceria com Márcio Macedo, que eu acho que é a pessoa que faz lundus mais lindos de todos os tempos”, destaca Thays Sodré.

“Então, ‘Baila do Lundu’ não poderia ser diferente. Essa canção eu mostrei para Andréia, e a Andréia achou muito bacana a gente lançar no EP do Aturiá. E agora é um reflexo de uma decisão que a gente tomou lá atrás de seguir com essa canção e de entender que essa é uma canção que toca o coração de muitas outras pessoas. Então eu acho que parte disso, assim, de levar a cultura da nossa região do Brasil, é que as pessoas às vezes não compreendem muito o Brasil por inteiro. É como se a gente vivesse dentro de vários Brasis. E a Amazônia é um deles. Então é uma grande felicidade poder apresentar para as pessoas esse Brasil maravilhoso que a gente ama, que floresce com o frescor da Amazônia”, acrescenta a cantora.

Como conta Thays, Andreia inscreveu a canção pela distribuidora Tratore, que encaminhou o processo até que essa obra se tornasse elegível ao Grammy Latino. ”Agora, a obra está disponível para ser votada, e está aberta a primeira etapa de votações. Os membros da Academia do Grammy Latino podem escolher, se eu não me engano, até três canções para votar, e nessa votação serão escolhidas as finalistas. Então, a gente quer divulgar, mostrar para o maior número de pessoas para que elas possam escutar as canções e que as canções cheguem não só aos membros votantes, mas a todo mundo, para que as pessoas realmente conheçam o poder dessa canção, conheçam o poder da mulher amazônica e as nossas belezas”, pontua a cantora.

image Thays Sodré: canto amazônico vibra em 'Baila do Lundu', uma das obras elegíveis ao Grammy Latino 2026 (Foto: Júlio Andrade)

Thays diz que o fato de essa canção ser um lundu já é algo bem expressivo da cultura da Amazônia, destacando que “é um ritmo, o ritmo da sedução, do encantamento, do apaixonamento”. “O lundu é envolvente por si só, por ser esse ritmo que te chama. A canção é uma criação de dois queridos, e acho que vem essa imagem da canção. Como intérprete, eu penso muito no que a letra fala. Claro que a melodia diz muito, a canção diz muito, a harmonia diz muito, mas a letra, ela chega de uma outra forma”.

“Eu acho que é aí em que o intérprete cresce e ele co-cria e participa dessa canção, imprimindo a sua identidade. Então, eu vou dançar lundu no chão de areia fina, no toque de tambor, eu vou balanceando. Então, se imaginar, imaginar você pisando nessa areia, você estando no Marajó, sentindo o vento que vem do rio, sabe? E que esse clima te envolva e te transporte pra esse lugar, que é o lugar da canção”, detalha Thays. Ressalta que “Baila do Lundu” “desperta essa mágica, essa magia e essa força do sonho”. “Uma atmosfera encantada”, realçada pelo instrumental e vibração do Aturiá.

“ ‘Baila do Lundu’ é uma composição minha, a letra minha e a música do meu parceiro Márcio Macedo. E o Grupo Aturiá então nos solicitou, nós cedemos essa música para eles completarem o trabalho deles lá. E a Thays Sodré está interpretando. Eu estou muito emocionado com a música; a gente vem escutando, passando para os amigos, divulgando, porque é importante, porque essa música ela está com uma grande chance de concorrer ao Prêmio Grammy”, declara Ronaldo Silva. 

“Eu não sei nem direito por onde é que vai isso, mas eu acho muito legal que a gente consiga ter uma música num prêmio ou numa indicação tão importante para a música brasileira. Eu acho que é bem legal, eu estou muito feliz, eu tenho certeza de que o Márcio também. Então é: Boa sorte! Vamos divulgar. Eu estou torcendo aqui”, ressalta o compositor.

Legado

Andréia de Vasconcelos explica que o Aturiá foi criado por ela, paraense que mora no Rio de Janeiro, e uma das cantoras do grupo é Thays Sodré, paraense também e que vive em Belém. As outras integrantes são do Rio de Janeiro. 

Ela diz que o primeiro desafio para concretizar o fato de estar entre as canções elegíveis ao Latin Grammy 2026 “é acreditar e se colocar no lugar de tentar”. “Se temos os critérios para participar da primeira etapa do Grammy Latino, por que não? ‘Baila do Lundu’ é uma gravação inédita, foi lançada em setembro de 2025 e chamou atenção, sensibiliza e emociona muita gente. Recebemos muitos players no mundo todo. Então, a iniciativa de se inscrever no Grammy Latino é mais uma ferramenta de visibilidade para a cultura do Norte e nossos compositores. É na garra e na coragem que a cultura do Norte vai chegando, sempre foi assim”, enfatiza. “Precisamos mostrar o Norte, principalmente se tem mulheres como protagonistas”, acrescenta.

Andréia externa a emoção dela com esse momento. “Acho que só ter Ronaldo Silva como um dos compositores, um mestre da nossa cultura, que tem tanta obra bonita e que canta a nossa identidade com a alma, já é muito especial. Eu gostaria muito que ele recebesse esse prêmio, porque ele merece reconhecimento por tantos anos dedicados à cultura. Na categoria de Melhor música de raiz, quem ganha o prêmio são os compositores. Seria uma grande alegria e uma forma de retribuir pelo legado dele e pelo presente que nos deu, que foi gravar uma de suas obras”.

Esse lundu, como frisa Andréia de Vasconcelos, “é uma homenagem ao lundu marajoara, que foi oficialmente declarado patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Pará em março de 2021, mesmo que com algumas licenças, porque a nossa interpretação não é fiel ao lundu tradicional, mas é uma forma de saudar nosso patrimônio e nossa identidade”.






 

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