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Walda Marques e Emanuel Franco: ousadia que se conecta com o Arte Pará

Mostra do Grupo Libeal está com inscrições abertas em andamento e será aberta em 5 de novembro em Belém

Eduardo Rocha

O artista se envolve por inteiro no processo de criação do seu trabalho, e o resultado desse empenho, desse amor pelo que faz, é o que o público confere em mostras individuais e coletivas. Quando isso se dá em uma exposição coletiva, o público tem um acesso a um conjunto diversificado e enriquecedor de propostas de cada um dos expositores. E, assim, ocorre uma troca múltipla entre artistas e público. A fotógrafa Walda Marques e o artista visual Emanuel Franco conhecem de perto esse processo, em particular, por meio do Arte Pará, mostra promovida pelo Grupo Liberal, com a coordenação da Fundação Romulo Maiorana, e que este ano chega a sua 42ª edição. O evento será aberto em 5 de novembro e já está com seu edital aberto para inscrições. Confira o edital aqui.

O Arte Pará será aberto em 2026 no mês de novembro, como parte das comemorações dos 80 anos do Jornal O Liberal. A mostra vem justamente celebrar a entrega de novos artistas visuais do Estado do Pará na construção e exposição de suas obras. O evento terá como sede o Museu do Estado do Pará, no centro histórico de Belém. 

Com 30 anos de estrada, Walda Marques esbanja talento em suas fotos e produção artística de uma maneira geral. Até porque resultam da entrega total dessa autora. Além do conhecimento sobre o processo técnico de fotografar, Walda Marques considera estrutural a pessoa trabalhar o seu olhar e o seu processo criativo, “A fotografia te envolve; na verdade, você está dentro dela quando você está fotografando. Você participa daquele acontecimento, tanto no estúdio como em qualquer outro assunto que envolva fotografia. Você está dentro, você faz parte disso”, diz. E isso abrange o antes, o durante e o depois do ato de fotografar, como pontua Walda.

image Walda Marques: entrega total na fotografia (Foto: Ivan Duarte / O Liberal)

Para trabalhar com a fotografia, Walda Marques atuou antes com outros fotógrafos, principalmente, como, por exemplo, Octávio Cardoso. Ela fez produção com Luiz Braga. “Fiz muita maquiagem. Eu sou maquiadora. Então, na verdade, a fotografia começa para mim por meio da maquiagem que me abre portas”.

Ela atuou muito com vídeo e com maquiagem para vídeo, fotografia, teatro e cinema. “E aí até essa questão de começar a olhar fotografia por meio do retrato”, acrescenta. 

Walda Marques considera o Arte Pará o grande espaço das artes visuais em Belém, um espaço que tem história, que já reuniu curadores maravilhosos, “pessoas que vieram aqui quando Belém não tinha essa grande troca com os artistas e outros profissionais”. A mostra abriu portas para muita gente”. Ela lembra que conheceu muita gente a partir desse evento, como Rubens Fernandes e Paulo Herkenhoff. 

“Para mim, a premiação no caso do Arte Pará nem é tão importante, mas, sim, a troca que a gente teve com várias pessoas que leram alguns trabalhos, comentaram e fizeram também esse processo nosso com artista”, destaca Walda. “O Arte Pará é muito importante em Belém para qualquer artista que teve essa oportunidade de participar dele”, acrescenta. 

Ela participou da mostra como artista expositora, como jurada e como convidada. ”Participei em todos os processos, que foram maravilhosos na minha formação e na forma de olhar essa questão da arte”, complementou Walda.

Arquiteto da arte

Com farta expertise na área artística, inclusive, em curadoria, o artista visual paraense Emanuel Franco, 73 anos, é um entusiasta de espaços para que artistas exponham seus trabalhos ao público. A atuação dele sempre preza por essa relação entre o artista e o público espectador. Sorte das artes do Pará. Emanuel Franco possui uma trajetória marcante no cenário artístico do Pará e atualmente está à frente do Museu de Arte Sacra, sediado na Igreja de Santo Alexandre, no bairro histórico da Cidade Velha. 

Desde os anos 1990, Emanuel atua como curador de exposições. Entretanto, o começo da vida artística dele começou de fato na década de 1970: "Quando, inclusive, aluno de Arquitetura, que eu me formei em Arquitetura, mas, na realidade, fazia paralelamente produção artística, meus desenhos e pinturas, enfim". 

image Emanuel Franco: vida dedicada às artes na Amazônia (Foto: Ivan Duarte | O Liberal)

"E eu fui, digamos assim, tendo acesso às galerias, e já participava de coletivas de algumas galerias, no início da década de 1980, como a antiga Galeria Ângelus, a Galeria Theodoro Braga, a Galeria Portinari, a Galeria Ismael Nery", relembra o artista visual.

"Aí, praticamente, eu posso dizer que a década de 1980 foi uma década, digamos assim, de muita efervescência na minha produção, iniciando com as primeiras edições do Arte Pará às quais eu fui selecionado. Depois, fui premiado em toda a trajetória do Arte Pará; depois, tive a função de curador”. Ou seja, ele foi artista selecionado, convidado, jurado e curador de salas especiais em diversas edições da mostra. Franco foi premiado em duas edições do evento.

“Então, a minha trajetória no Arte Pará foi muito eficaz e o Arte Pará contribuiu demais na minha produção artística, na divulgação do meu trabalho. Não só como artista, mas também como curador", enfatiza Emanuel Franco. 

Emanuel pontua que de forma evidente um artista precisa expor suas obras, a sua produção. "É por meio dessas exposições que você vê o que o artista está produzindo, o que ele está, digamos assim, fazendo e continuando a sua trajetória artística". 

"Então, a Mostra Arte Pará contribuiu muito comigo e com muitos artistas, evidentemente, desde a sua criação, dentro do mercado de arte do nosso estado e até, posso dizer, nacional", ressalta Emanuel. Ele também já participou de vários eventos de artes visuais fora do Pará como artista selecionado e premiado. Entre as iniciativas e projetos de Emanuel Franco, ele dirigiu a Galeria de Arte da Universidade da Amazônia (Unama), em que, por mais de 16 anos, esteve à frente do Salão Unama de Pequenos Formatos, numa extensão em nível nacional.

O projeto Arte Pará tem a com a curadoria da artista visual Keyla Sobral e é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), com patrocínio da Phebo e do Instituto Cultural Vale. 

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Arte Pará
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