Rainha das Rainhas atravessa décadas ao unir tradição e reinvenção
Concurso de beleza promovido pelo Grupo Liberal celebra longevidade adaptando-se a novos tempos. Diretora destaca modernização e mestre de cerimônias reflete sobre legado e evolução da festa paraense.
Promovido pelo Grupo Liberal, o concurso Rainha das Rainhas chegará aos 78 anos em 2026 combinando tradição, modernização e impacto cultural. A diretora Giordana Maiorana e o mestre de cerimônias Ismaelino Pinto destacam como o evento se reinventa para dialogar com novos públicos, ao mesmo tempo em que preserva o legado que o transformou em símbolo do carnaval paraense.
Coordenar um evento quase octogenário é carregar um legado de peso. Para Giordana Maiorana, diretora do Rainhas desde 2022, o desafio é honrar o passado enquanto se projeta para o futuro. “Sempre é um grande desafio e, ao mesmo tempo, uma honra conduzir um evento tão tradicional, buscando preservar sua história e trazer um olhar mais atual e conectado ao público de hoje”, afirma.
A resposta para manter o concurso relevante tem sido a modernização em diversos aspectos. A diretora aponta para transformações que vão da transmissão multiplataforma à experiência de candidatas nos bastidores e do público. “Nos últimos anos, mesmo mantendo a tradição nos pontos mais importantes, modernizamos o concurso e a resposta tem sido muito positiva. As pessoas se identificam mais e se sentem parte desse novo momento do Rainhas”, ressalta.
O concurso, que é Patrimônio Cultural e Artístico Imaterial do Pará desde 2024, é visto por Giordana como um pilar da identidade local:
“O Rainhas é um símbolo da cultura e do talento paraense. Ele valoriza a criatividade, a força feminina e mantém viva a essência do nosso carnaval”, pontua.
A voz do palco: 19 anos de história
Poucas pessoas personificam a história recente do Rainha das Rainhas como Ismaelino Pinto. O jornalista e mestre de cerimônias, que retornou ao palco em 2023, contabiliza 19 anos à frente do evento em diferentes fases. “Eu comecei a apresentar em 1994 e fui até 2010 como apresentador oficial, ou seja, 16 anos”, detalha. Após um hiato de uma década, ele retornou em 2023, permanecendo até hoje. “As pessoas me identificam muito com esse ‘lugar’ que é o concurso. Quando me veem, dizem logo: ‘Tu és a cara do Rainha das Rainhas”, compartilha.
O apresentador ressalta que sua presença no palco é também uma representação do Grupo Liberal, para quem trabalha há anos. “Para mim, estar na apresentação é também representar o grupo para o qual eu trabalho há tanto tempo”, afirma.
Memórias de bastidores e da evolução
As lembranças de Ismaelino Pinto incluem o nervosismo dos bastidores e a tensão dos preparadores, mas também momentos de superação, como candidatas que caíram na passarela, mas “se refizeram na hora”. Além disso, o mestre de cerimônias nota uma mudança estética significativa nas fantasias ao longo das décadas.
“Nós já tivemos a era das grandes fantasias, chamadas de ‘carros alegóricos’. Hoje, a gente vê estilistas mais focados no brilho, na inclusão de jogos de luzes – ou seja, uma fantasia mais vibrante”, percebe.
A própria produção do concurso reflete essa modernidade. Ismaelino aponta que o Rainhas se formatou como um programa de televisão dinâmico, mas a transformação é mais profunda. “Antigamente, havia somente uma estilista e um cabeleireiro assessorando as candidatas. Agora, é um grupo de pessoas que assina essa produção”, compara. Essa evolução do processo criativo transforma o concurso numa cadeia produtiva robusta. “São profissionais que estão fazendo um trabalho e ganhando dinheiro”, acrescenta.
Continuidade
Para o veterano do palco, a longevidade do concurso é um atestado de seu valor cultural. “Uma coisa bacana que eu ainda vejo é que as meninas sentem um prazer enorme em participar. É um ‘grau’ que as pessoas podem alcançar”, conclui.
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