O legado e a reinvenção dos ‘entrevistões’ publicados aos domingos em O Liberal

Espaço nobre do jornal une o rigor analítico da tradição impressa à inovação multimídia para registrar a história através das vozes que decidem os rumos da política e da economia

Gabriel da Mota

Em tempos de opiniões aceleradas e caracteres limitados, o jornalismo de O Liberal mantém um compromisso inegociável com a profundidade. Há décadas, as páginas dominicais do jornal abrigam o que a redação carinhosamente batizou de "entrevistões": um espaço onde o tempo desacelera para dar lugar à análise, ao contraditório e à exposição clara de ideias. O formato consolidou-se como um documento histórico semanal, registrando o pensamento das figuras que moldam o destino do Pará e do Brasil.

A construção dessas matérias nasce na curadoria rigorosa de quem ocupará o espaço. Hamilton Braga, coordenador do Núcleo de Política e Economia de O Liberal, explica que o critério fundamental é o "lastro" do entrevistado.

"As entrevistas de grande fôlego exigem personagens com bagagem e lastro. Por nossas páginas já passaram presidentes, ministros, secretários, chefes do Executivo municipal e estadual, além de líderes à frente de grandes causas, órgãos e entidades. A escolha é, portanto, orientada pela relevância do tema em pauta e pela representatividade do entrevistado", detalha Braga.

image Hamilton Braga, coordenador do núcleo de Política e Economia em O Liberal (Carmem Helena / O Liberal)

O objetivo é fugir da superficialidade, garantindo que o leitor tenha acesso a um conteúdo que respeite sua inteligência. Segundo Braga, embora seja natural que políticos tentem pautar suas próprias agendas, o papel do jornalismo de O Liberal é atuar como o fiel da balança em favor da sociedade.

"A principal linha editorial é o interesse público. É esperado e permitido que um político, por exemplo, aborde temas de sua própria agenda. No entanto, o entrevistador sempre conduzirá as perguntas com foco no que é relevante para a sociedade ou, no mínimo, para o segmento que o entrevistado representa. A orientação para os repórteres é clara: devem aprofundar as questões, fazer as perguntas mais óbvias, mas também se esforçar para fugir do lugar comum", avalia o coordenador.

Do papel à convergência digital

Se a essência do questionamento permanece imutável, a forma como ele chega ao público atravessa uma revolução. Lázaro Magalhães, diretor de conteúdo de O Liberal, recorda que o formato "pingue-pongue" é uma tradição global do jornalismo impresso, valorizada justamente pela "nudez" do diálogo, sem os filtros excessivos de uma edição condensada.

"Os entrevistões, ou entrevistas pingue-pongue, são um formato que tem grande tradição nas revistas e jornais impressos do mundo todo, com boa aceitação dos leitores e forte apelo de leitura, por causa das possibilidades que a interação potencializada pelo jogo, trama ou do inesperado e inusitado resultante do encontro em si, mais desnudo e sem filtros, entre entrevistador e entrevistado, que se pode impor num vasto rol de desdobramentos. Em O Liberal, esses entrevistões já cavaram manchetes e já registraram desde declarações polêmicas de lideranças, análises pertinentes de nossa conjuntura, a emocionantes relatos e até o que pensam alguns dos mais notórios assassinos e criminosos, em oito décadas de história", relembra Magalhães.

image Equipe de repórteres e coordenadores do núcleo de Política e Economia são responsáveis pela produção da maioria dos entrevistões publicados semanalmente em O Liberal (Carmem Helena / O Liberal)

Contudo, aos 79 anos, O Liberal não apenas preserva essa história, mas a expande. A entrevista que o leitor segura nas mãos no café da manhã de domingo agora ganha vida nas telas, gravada no estúdio de vidro da Redação Integrada, conectando gerações e plataformas.

"Hoje essas entrevistas ganharam muitas outras possibilidades e dimensões: gravados ao vivo no estúdio da Redação Integrada, esses conteúdos, que vão às páginas dominicais impressas de O Liberal, ganham profundidade com acesso, por QR Codes, às íntegras das gravações na área LibPlay de nosso portal e em nosso perfil no YouTube, além dos cortes especialmente dirigidos às nossas redes sociais", completa o diretor.

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