Nos 79 anos de O Liberal, bancas de revista são vitrine do Pará global

Espaços da capital paraense resistem ao tempo e à digitalização, firmando-se como centros de distribuição de informação e pontos de convívio social

Gabriel da Mota

Nas ruas e avenidas de Belém, as bancas de revista permanecem como sentinelas da notícia. Mais do que pontos de venda, elas são testemunhas da história local, mantendo uma relação íntima e duradoura com o O Liberal, veículo que completa 79 anos e que, desde cedo, encontrou nesses espaços um parceiro essencial. No ano da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), esses espaços reforçam laços comunitários de orgulho pela projeção internacional que o Pará alcançou.

Mônica Braga, 62, é proprietária da banca Pinta Cuia, na esquina da avenida Magalhães Barata com a rua 3 de Maio, e carrega uma história de mais de três décadas nesse ofício. "Acho que uns 32 anos", calcula. A parceria com o jornal começou logo que ela assumiu o ponto. "O rapaz d’O Liberal veio me informar se eu queria vender o jornal e, logicamente, eu peguei logo para colocar na banca", conta.

Mônica afirma que vende somente os jornais impressos do Grupo Liberal (O Liberal e Amazônia), destacando a qualidade dos produtos.

"O Liberal é o melhor, claro. Tem tudo que você quer: classificados, boas reportagens… É o mais completo", pontua.

Ela observa que o público leitor do impresso é mais seletivo e de uma renda maior.

Rotina de sacrifício

A vida de uma banqueira é marcada pela dedicação, exigindo uma rotina que começa antes do sol nascer. Mônica mora no distrito de Mosqueiro, o que exige um esforço logístico diário. "Minha rotina de trabalho é assim: acordo às 3h30 da manhã, pego uma van e venho para Belém", conta. Ela chega à banca às 6h, quando o jornal já está a caminho. "Às 6h30, o jornal já está aqui. Aí pode começar a venda, porque cedo o pessoal já está comprando", relata.

image Mônica Braga, 62, proprietária da banca Pinta Cuia, na avenida Magalhães Barata (Ivan Duarte / O Liberal)

A banca de Mônica, que recentemente passou por uma modernização para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), também reflete a transformação da cidade. "Eu acho maravilhoso o que vai ficar para a gente. Quando é que a gente ia ter uma Doca dessa daí? A BR está funcionando normal. Melhorou minha qualidade de vida", avalia.

O calor do atendimento

Em outro núcleo movimentado da cidade, em frente à praça Batista Campos, a banca Santo Antônio, de Mariceli da Silva, 55, também representa a longevidade do jornal impresso. Ela vem de uma linhagem de banqueiros, uma tradição que começou com a família do marido. "Sempre vendemos O Liberal. A parceria é de mais de 30 anos", comenta.

image Mariceli da Silva, 55, é proprietária da banca Santo Antônio, na Praça Batista Campos, e conta com o apoio do marido, o bancário Edmilson Beltrão, na administração do negócio há décadas (Ivan Duarte / O Liberal)

Mariceli atesta que o público do impresso é composto por "adultos e idosos, porque querem se manter informados". Ela credita a permanência do negócio à qualidade do relacionamento com o cliente. "Aqui na banca, a gente preza muito pelo atendimento. É o nosso diferencial, e as pessoas voltam. Eles não são só clientes, são nossos amigos", ressalta.

O Pará “no topo”

As bancas funcionam como termômetros do noticiário. No momento, o tema que domina as conversas é o evento climático global sediado na Amazônia.

"A COP 30 está evidenciando o Pará, né? Estamos no topo e isso resgatou a nossa regionalidade, o amor pelo Pará que estava um pouco esquecido", relata Mariceli. 

A atenção mundial, inclusive, resultou em uma visita ilustre à sua banca, que ela não reconheceu de imediato: Chris Martin, vocalista da banda Coldplay, que circulava pela região do Jurunas às vésperas do Global Citizen Festival Amazônia, realizado no dia 1º de novembro. "Ele veio aqui na banquinha comprar um chip de celular usando chinelão, short, camisa surrada, assim, sabe? Muito simples. Me surpreendi com a humildade dele", recorda.

Ao comentar sobre o aniversário de 79 anos de O Liberal, Mariceli é enfática sobre a importância de manter a tradição do papel. "Eu acredito que o jornal de papel é muito melhor. Eu não me acostumo com a internet", defende. "No papel, você vê a ilustração, as fotos, o acontecimento real. O jornal se manter [há 79 anos] é muito importante para a gente poder saber o que está acontecendo no nosso Estado. Nós somos os divulgadores da informação", conclui

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