Na ‘Operação Ágata’, repórteres do Grupo Liberal mostraram risco e soberania na Amazônia
Expedição revelou lado humano dos militares e desafios logísticos na fronteira invisível do Pará e Amapá, gerando série especial de reportagens em julho de 2025
A Operação Ágata, ação coordenada pelas Forças Armadas na faixa de fronteira, ganhou um registro inédito e detalhado através de uma equipe de reportagem do Grupo Liberal que acompanhou a missão em julho de 2025. O resultado dessa imersão nas áreas mais isoladas do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, da Terra Indígena Waiãpi e de Clevelândia do Norte (AP) é uma série especial que abrange rádio, TV, portal e as edições impressas de O Liberal e Amazônia. A experiência, marcada por isolamento e risco, revelou a complexidade da defesa territorial e o papel essencial do Estado em locais de difícil acesso.
O jornalista e apresentador da Rádio Liberal+, Wesley Costa, descreve a cobertura como uma jornada de aprendizado e intensidade. "Acompanhar a Operação Ágata foi uma experiência intensa e transformadora", afirma Wesley. Ele ressalta que a presença das tropas vai além da defesa:
"A presença militar ali não é apenas uma questão de defesa, mas também de soberania e de presença do Estado em locais onde quase nada chega. Foi uma imersão em uma realidade que poucas pessoas têm a chance de testemunhar de perto".
Os desafios logísticos foram uma constante, exigindo do jornalista uma adaptação rápida e constante improviso. "Deslocamentos longos por rio, falta de sinal de internet, limitação de equipamentos e a necessidade de improvisar constantemente", lista Wesley. A dependência das condições naturais, como as marés e o clima, ditava o ritmo da apuração, tornando cada imagem e depoimento um registro de alto valor.
Entre a farda e a sensibilidade
Um dos aspectos mais marcantes da expedição foi o lado humano da operação. Wesley Costa notou o forte contraste entre a rigidez militar e a sensibilidade das interações com as comunidades locais. "O que mais me marcou foi o contraste entre a rigidez da operação militar e a sensibilidade humana das interações com as comunidades ribeirinhas", revela.
Para a população isolada, a chegada das tropas representa mais do que segurança. "Muitos moradores viam nas tropas uma oportunidade de atendimento médico, transporte ou simplesmente atenção — coisas que o Estado raramente oferece com frequência", explica. Esse intercâmbio revelou o sentimento de dever dos militares, mas também o respeito pela população.
‘Um sonho realizado’, diz fotógrafo
Para o repórter fotográfico do Grupo Liberal, Wagner Santana, a expedição foi a realização de um projeto pessoal e um sonho profissional. Ele utilizou o helicóptero HM 4 Jaguar para registrar, a partir do ar, paisagens de difícil acesso.
"Uma experiência única e um sonho realizado", resume.
Um dos pontos altos foi o sobrevoo do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, área comparável em tamanho a países europeus; um dos sonhos que faziam parte da lista de Wagner. “[Na lista], eu tinha incluído um voo no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque no extremo norte do Brasil", conta. A oportunidade foi concretizada com aproximadamente três horas de voo em baixa altitude, e em alguns momentos, com a porta da aeronave aberta, facilitando o registro de imagens.
O preparo para uma pauta extrema, segundo Wagner, exige o rigor do jornalismo diário, multiplicado pela necessidade de prever o inesperado. "Levar baterias extras, checar se estão todas carregadas, levar carregador, extensão, uma variedade de lentes, drone, sacolas plásticas (por causa da chuva), repelente, protetor solar, chapéu… Enfim. são coisas e detalhes que, com certeza, nos deixam mais tranquilo na viagem", recomenda.
O papel do jornalismo
Para ambos os profissionais, o resultado da cobertura é considerado um documento de grande importância. Para Wesley Costa, a vivência reforçou a essência do jornalismo. "Essa cobertura reforçou em mim o verdadeiro propósito do jornalismo: estar onde poucos conseguem estar, dar voz a quem quase nunca é ouvido e registrar a história de forma ética e comprometida", pontua.
O fotojornalista Wagner Santana avalia o trabalho como uma avaliação “super positiva”. “Um documento importante que acabou transformado em uma série de reportagens no jornal impresso e redes sociais de O Liberal", acrescenta.
O papel do profissional de imprensa, resume Wesley, é ser a ponte: "O jornalista é ponte — entre o poder e o povo, entre o que acontece e o que precisa ser entendido. A Operação Ágata me ensinou que, mais do que informar, o nosso papel é revelar, com responsabilidade, as camadas invisíveis da Amazônia", conclui.
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