Ética e apuração: jornalismo profissional é a defesa da verdade na Amazônia
Especialistas em comunicação ressaltam o papel de veículos como O Liberal na qualificação do debate público e no combate à desinformação no contexto socioambiental da região
Em meio à avalanche de conteúdos e ao fenômeno da desinformação digital, especialistas em comunicação e jornalismo ressaltam o papel fundamental da apuração rigorosa e do compromisso ético de veículos tradicionais como O Liberal para a defesa da verdade e a qualificação do debate público, especialmente em um território de diversidade e complexidade como a Amazônia. A era da informação instantânea reposicionou a checagem de fatos no centro da prática, exigindo que a imprensa se concentre nas demandas locais sem perder o vínculo com processos globais, e destacando a importância da literacia midiática para o público.
Para Thiago Barros, jornalista, docente e pesquisador da Universidade da Amazônia (Unama), o contexto exige que a imprensa se volte ainda mais às demandas locais, sem negligenciar as dinâmicas globais.
“As novas dinâmicas de consumo de informação impactaram as estruturas dos meios de comunicação jornalísticos locais e regionais. A imprensa precisa se concentrar ainda mais nas demandas específicas de suas comunidades, no entanto, sem perder o vínculo com processos globais", analisa Barros.
Ele enfatiza a necessidade de ir além da cobertura pontual e investir no aprofundamento e na complexidade, citando a questão ambiental como a inclusão dos amazônidas como atores ativos e críticos, detentores de saberes.
A pesquisadora Maíra Evangelista de Sousa, docente dos cursos de graduação e pós-graduação em Comunicação da Unama, reitera que a apuração e a checagem são, desde sempre, a base do jornalismo. Contudo, o cenário atual de desinformação amplifica sua importância. “A gente precisa ter transparência. ‘Quem é essa fonte? É oficial? É uma testemunha? Em qual contexto a fonte falou isso?’”, afirma, destacando a necessidade de identificar e contextualizar as fontes.
Função social na Amazônia
Em um território de extrema diversidade e complexidade socioambiental como a Amazônia, o jornalismo de qualidade assume uma função social crítica. Segundo Thiago Barros, a comunicação é uma dimensão do sistema de políticas públicas, e o jornalismo praticado com técnica e ética “auxilia na construção de uma esfera pública ativa, contribui para a qualificação dos debates públicos que envolvem temas como modelos de desenvolvimento que respeitem as realidades amazônicas".
O pesquisador alerta, porém, que o trabalho não pode ser burocrático ou apenas ter um viés economicista. “A realidade está na rua, nas comunidades, na floresta. Como compreender dados volumosos sem colocar os pés no chão, ouvir as pessoas, sentir, mesmo que rapidamente, o que sofrem?”, alerta. Segundo ele, na Amazônia, a vigilância de poderes e a denúncia continuam a ser dimensões essenciais da prática jornalística.
Barros aponta um desafio persistente nas narrativas jornalísticas sobre a região: o desequilíbrio no acionamento de fontes, com a predominância de agentes políticos e um silenciamento de representantes de organizações da sociedade civil. “É imprescindível que os jornalistas e, sobretudo, as empresas jornalísticas reforcem um olhar sensível às populações amazônidas, que se qualifiquem para isso em fluxo contínuo", defende.
O Liberal e a história da região
Ao longo de 79 anos, O Liberal consolidou-se como um dos principais jornais de referência na região. Maíra Evangelista o define como um veículo que pratica o jornalismo profissional e mostra aos leitores como realiza a apuração e a checagem.
Thiago Barros, que trabalhou por 20 anos na redação do jornal, destaca coberturas que reforçam o compromisso com a precisão e a responsabilidade. Ele menciona o Massacre de Eldorado do Carajás, em 1996, com a atuação decisiva do fotojornalista Ary Souza. E, em sua passagem pela empresa, a cobertura do desabamento do Edifício Real Class, em 2011, além da cobertura da pandemia de Covid-19, a partir de 2020. “São eventos emblemáticos que reforçam a importância do respeito à ética profissional, do compromisso com a função social do jornalista e da precisão na apuração", pontua.
Formação, ética e o combate à desinformação
No enfrentamento às fake news, os especialistas são unânimes: o desafio transcende a técnica de verificação. “O enfrentamento à desinformação exige muito mais que o domínio técnico de ferramentas e processos de verificação. Exige, antes de tudo, formação ética, crítica, cultural", defende Thiago Barros sobre a matriz curricular dos cursos de jornalismo.
Maíra Evangelista enfatiza a importância da literacia midiática (ou letramento midiático), que consiste em ensinar as pessoas a consumir mídia. Com o ambiente digital permitindo que qualquer pessoa publique conteúdo sem o compromisso ético dos profissionais, o problema da responsabilidade se agrava.
“A pessoa que passa quatro anos estudando sobre questões éticas, checagem e multiplicidade de fontes tem uma responsabilidade com quem publica", contrapõe.
Neste cenário, o jornalismo, segundo Barros, “ganha ainda mais relevância, especialmente pela dimensão educativa". A professora Maíra conclui que, no meio da desinformação, o jornalismo mantém o "contrato de comunicação" com o leitor: o jornal se coloca como o curador da informação, e o público ainda acredita na credibilidade do que é publicado. “O jornal tem essa responsabilidade com a precisão da informação", finaliza.
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