Editores de O Liberal impresso agrupam e aprofundam as notícias do digital
Profissionais revelam a rotina noturna, que exige coordenação e disciplina para fechar o "jornalão" às 1h30 da manhã. Ofício exige rigor, tempo e o insubstituível olhar humano.
Entre a agilidade do factual e a profundidade da apuração, a equipe de editores de O Liberal define o ritmo noturno da redação, unindo o processo artesanal da curadoria humana à tecnologia. O foco do impresso de quase 80 anos permanece na checagem rigorosa e no equilíbrio das informações para garantir a credibilidade junto ao leitor.
A trajetória da editora-chefe de O Liberal, Lílian Leitão, confunde-se com a própria evolução tecnológica da imprensa paraense. Integrante do Grupo Liberal desde 1989, Lílian testemunhou a chegada da rede de computadores e a implantação dos primeiros sistemas em rede, marcando a transição para a era digital. Após uma passagem pelo portal OLiberal.com em sua fase inicial, a atual editora-chefe retornou ao jornalismo impresso em 2005. Somando os períodos, são 28 anos de dedicação à empresa.
"O trabalho de editar um jornal é artesanal", pontua a editora. Embora o sistema atual tenha substituído a colagem de letras e a montagem de chapas, a curadoria final, que envolve a escolha do título, o texto e a montagem da página, continua sendo uma ação humana e criteriosa. Lílian é enfática ao comentar o futuro:
"Por mais que a gente conviva com a Inteligência Artificial, o olhar do ser humano tem que estar lá para revisar", defende.
Lílian Leitão, editora-chefe de O Liberal (Cláudio Pinheiro / O Liberal)
Rigor da checagem é a missão do impresso
Carlos Henrique Gondim, editor-chefe adjunto, atua na coordenação e revisão dos cadernos, sendo responsável por montar as páginas. Ele define o grande desafio do impresso hoje: a concorrência com a agilidade da internet. A impossibilidade de trazer a notícia em primeira mão confere ao impresso uma incumbência fundamental: a checagem rigorosa.
"Às vezes, durante o dia, sai uma informação na internet que nem sempre dá para ser checada com tanta rapidez. Mas no impresso, tudo tem que estar correto", explica.
Carlos Henrique Gondim, editor-chefe adjunto de O Liberal (Cláudio Pinheiro / O Liberal)
Outro diferencial histórico de O Liberal, segundo Gondim, é a preocupação em sempre ouvir os dois lados, que é um dos princípios do jornalismo. No impresso, este princípio é primordial pois, diferentemente do online, não se pode esperar o dia seguinte para complementar as versões.
A dinâmica de Atualidades
Na linha de frente da edição, a jornalista Camila Azevedo, com três anos e meio de casa e já na função de editora, enfrenta diariamente o desafio de equilibrar o noticiário factual. Em sua rotina, ela chega cedo para pesquisar o que colocar no jornal, montar o espelho (roteiro) do caderno e garantir o fechamento sem pressa.
Camila destaca os factuais como a cobertura mais desafiadora, pois exigem atenção a desdobramentos, notas e a constante checagem, além do cuidado em não expor imagens muito violentas aos leitores. Ela cita a cobertura de megaoperações policiais e, de forma especial, a preparação para a COP 30, como exemplos de matérias que exigem um esforço extra.
"Foi um megaevento que ocorreu pela primeira vez na nossa cidade. Por isso, foi essencial deixar a população ciente de como essas discussões são fundamentais para o futuro", afirma.
Camila Azevedo já foi repórter e atualmente é editora do caderno Atualidades em O Liberal (Wagner Santana / O Liberal)
O fechamento de O Liberal é um trabalho que exige alta coordenação e disciplina. A editora-chefe revela que a manchete e a capa de cada dia são definidas cedo, por volta das 21h30, mas o horário limite de fechamento é 1h30 da manhã.
Projetando o futuro com tradição
Para Lílian Leitão, O Liberal, que se encaminha para os 80 anos, está "indo bem" em uma fase de transição. Ela rejeita a ideia de competição com o digital, preferindo a visão de que os veículos se complementam e se transformam, citando o uso de QR Codes para conectar o impresso às plataformas digitais. “Por conta do seu peso histórico, cultural e político de quase 80 anos, O Liberal é uma espécie de carro-chefe das outras mídias do Grupo que são mais recentes”, conclui.
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