'Estou vendo a verdade aparecer a cada dia', dispara Lula

Em entrevista exclusiva, Lula fala que quer Dilma na campanha em 2022, comenta sobre perfil do vice e que PT vai apoiar Helder Barbalho à reeleição ao governo estadual

Natália Mello / O Liberal

Em uma nova rodada de entrevistas do Grupo Liberal com pré-candidatos às eleições presidenciais de 2022, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou com exclusividade com jornalistas da Rádio Liberal é da Redação Integrada de O Liberal. Na entrevista, ele comentou sobre o arquivamento do processo do tríplex do Guarujá – decisão da juíza Pollyanna Alves, da 12ª Vara Federal Criminal de Brasília; as motivações para encarar as eleições em 2022 e os nomes para a construção de alianças no Pará e a nível federal – anunciando o apoio do partido à reeleição do atual governador Helder Barbalho; bem como as prioridades de governo, que serão voltadas para o bem-estar da população brasileira e, segundo ele, não aos lucros de acionistas internacionais.

Lula comentou ainda sobre o fato de esperar que a ex-presidente Dilma Rousseff participe da campanha deste ano.

“Dilma faz parte da história, continua minha companheira e com todo o meu respeito e eu espero que ela esteja forte para participar da campanha e poder explicar para o Brasil inteiro o que foi o governo da Dilma. Porque dizer que foi a Dilma que queimou o país não é a verdade. O que acontece é que revolveram destruir o PT”, disse.

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O líder político disse ainda que o discurso com as manifestações e o processo de impeachment era de que o país ia melhorar e voltar a crescer, voltar a gerar emprego. “Ou seja, tudo neste país piorou depois do golpe. O investimento em educação, saúde, vocês estão acompanhando o tratamento da pandemia que o governo está dando, piorou a questão da geração de emprego e piorou a questão do salário”, afirmou Lula.

Triplex

Sobre a decisão do processo do Guarujá, também investigado pela Laca-Jato e que teve o ex-juiz Sergio Moro como um dos principais nomes, atualmente pré-candidato à presidência, Lula disse estar em uma posição de muita tranquilidade, pois a verdade veio à tona, como diz sempre ter acreditado. “Estou vendo a verdade aparecer a cada dia, a cada hora, a cada movimentação. Ou seja, quem era herói está virando bandido e quem era bandido está virando herói, porque na hora que a história for contada com toda a sua verdade, as pessoas vão perceber as falcatruas que foram feitas nesse país”, pontuou, destacando que outras verdades irão aparecer, mas que sua prioridade é discutir como vencer a fome, gerar emprego, aumentar salário e garantir a recuperação dos direitos do povo brasileiro.

O ex-presidente falou sobre a chamada janela partidária, período em que são abertas as possibilidades de troca de partido que deve se estender até abril, e que se alegra ao ver muitos candidatos aos cargos do Executivo, especialmente para que não ocorra novamente, segundo ele, a mentira que ocorreu em 2018. “E eu dizia naquela época, quando você nega a política, o que vem depois da política é sempre pior. E o Bolsonaro era uma coisa que o Brasil não precisava”, disse. “Um homem sem amor no coração, sem afeto, sequer solidário, que não acredita na ciência, na educação, nas universidades, que não se dá com ninguém a não ser com os seus milicianos e com os seus grupos. O Brasil não merecia isso. De qualquer forma, eu acho que o povo vai ter uma chance agora. Uma chance de quem sabe o povo colocar de novo a esperança e o sonho na mesa e na urna para que a gente possa mudar definitivamente esse país”, disse.

Regulação da mídia

Lula falou também sobre a regulação da mídia e a defasagem da legislação, de 1962, que não acompanhou os avanços da tecnologia. Citou ainda o exemplo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, eleito sob a luz de muitas dúvidas quanto à veracidade das informações propagadas durante a campanha. “Como é que a gente vai cuidar da internet e combater as fake news? Como é que a gente vai combater pessoas que contratam robôs pra contar mentira 24 horas por dia. Nós temos o exemplo do Trump, nos Estados Unidos, temos o exemplo do Bolsonaro no Brasil. Isso não é uma coisa distante. Nós temos nove famílias que detêm todos os meios de comunicação no Brasil, então é preciso que a gente crie uma regulação para democratizar isso. Mas quem é que vai fazer isso? Não é o presidente da República. Isso vai ser feito pelo Congresso Nacional”, explicou.

Uma relação de proximidade com a imprensa, inclusive, foi um fator citado como um objetivo de Lula, caso reeleito presidente. “Essa é uma coisa que eu vou te falar aqui de primeira mão. Se eu voltar a presidir esse país, eu quero estabelecer uma relação de poder conversar com os jornalistas por estado, de preferência uma vez a cada dois meses, não deixar as pessoas com ansiedade de fazer perguntas ou ficar sabendo das fofocas publicadas por alguns colunistas, então você vai ver que se eu for eleito, você vai atender muitas vezes o Presidente da República. Se você não me ligar, eu vou lhe ligar”, garantiu.

Combustíveis

Outro ponto comentado pelo ex-presidente foi a disparada do preço dos combustíveis, a partir da nova política de preços da Petrobrás. De acordo com Lula, a intenção de seu governo era capitalizar a empresa para que se transformasse na segunda maior de energia do mundo – ele cita a descoberta da maior reserva de petróleo do século XXI para que o país não exportasse óleo bruto e sim derivado de petróleo –, mas o projeto, com 90% concluídos na obra de cinco refinarias, foi paralisado.

“Fizeram com que o Brasil voltasse a importar gasolina. Hoje nós devemos ter por volta de 400 empresas importando gasolina dos Estados Unidos, pagando preço internacional. Se o Brasil é autossuficiente, o custo do petróleo não tem porque estar ligado ao preço internacional para o consumidor brasileiro”, diz. Para ele, a ideia do atual Governo Federal tem sido jogar a culpa pra cima dos governadores estaduais. “É preciso parar com essa bobagem que você é eleito presidente da República e fica dono do Brasil. ‘Eu posso tudo, eu faço tudo, eu faço um decreto pra dar cem anos de sigilo pras cagadas que o (ex-ministro) Pazuelo fez na saúde’. Este país não pode continuar assim”, declarou o petista.

Eleições 2022

Ao ser questionado sobre a posição do Partido dos Trabalhadores nas eleições estaduais no Pará este ano, Lula ressaltou a construção de uma aliança com outros partidos políticos no Estado, e que, em uma reunião no sábado da última semana (22), o PT havia confirmado o apoio ao atual governador Helder Barbalho (MDB) em uma possível candidatura à reeleição. O petista reforçou que, durante seu mandato como presidente, o atual governador foi um grande parceiro e declarou que o “companheiro tem uma boa relação conosco”. “Eu acho que o PT está correto de fazer essa aliança, e construir aliança com outros partidos também”, complementou. Também citou o nome de Beto Faro, atualmente deputado federal, para a disputa por uma cadeira no Senado. A vaga atualmente é ocupada por Paulo Rocha.

Investimentos no Pará

Lula também citou investimentos no Pará, e disse que “nenhum governo na história do Brasil destinou tantos recursos ao Estado como o dele”. O ex-presidente afirmou ainda que não definia investimentos por conta de afinidade partidária. “E eu ia no Pará quando o governador não era meu amigo, o Jatene, que era um tucano. Eu fui muitas vezes ao Pará e você sabe disso. Eu nunca procurei saber de que partido é o prefeito ou governador, mas você sabe o que nós fizemos aí? A Eclusa de Tucuruí, a duplicação da Transamazônica no Pará, lançamos a pedra fundamental de uma siderúrgica em Marabá, que lamentavelmente não foi pra frente”, enumerou, citando ainda a atuação do projeto Luz para Todos, os investimentos na universidade e nas escolas técnicas, Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Para estar à frente da presidência, Lula diz ser imprescindível estabelecer um diálogo permanente com os governadores e que tudo feito após a sua saída e da presidente Dilma, foi em menor quantidade. “Eu tinha consciência de que não era possível você governar o Brasil sem ouvir os governadores, de que não é possível você governar sem ouvir uma cidade, ela parece pequena, mas é na sua e na minha cidade que a gente começa a ser feliz. Por isso é que o presidente tem que ter humildade e ouvir os prefeitos. Saber que projeto é importante para aquela cidade. Fazer programa de inclusão social ouvindo os prefeitos. Não dá pra fazer de cima pra baixo. Tem que fazer de baixo pra cima”.

Vice será Alckmin?

Sobre a escolha do vice que irá compor a chapa, o ex-presidente Lula reafirmou que não há decisão sobre uma aliança com o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, mas a possibilidade não foi descartada. Segundo o petista, a decisão não pode ser concretizada ainda porque Alckmin está sem partido e próprio Lula ainda não definiu se virá candidato.

“Eu estou conversando com muitos partidos políticos, com muitas personalidades políticas. Ainda tenho que ir ao Pará conversar com o governador Helder, conversar com Jader Barbalho, conversar com PT, conversar com outras forças políticas que estão conosco, PSOL, PV. Então, eu não posso dizer quem será o vice, primeiro porque nós ainda estamos construindo essa possibilidade”, declarou.

Porém, ele ressaltou as características que espera do vice. “O que eu posso dizer é que o vice não será um cara igual eu. Ele terá que ser diferente. Terá que ser um contraponto ao próprio PT. Ou seja, alguém que possa trazer outros setores da sociedade e possa ajudar na construção do funcionamento de um governo de coalisão com esse Congresso Nacional do jeito que ele está. Nós vamos precisar discutir essa tal dessas emendas secretas, desse orçamento secreto. Não é possível que quem está governando hoje são os deputados, não o presidente da República. Aliás, não tem na história da República brasileira, um governo tão frágil, tão desacreditado, um governo tão inoperante na relação com o Congresso Nacional como o governo Bolsonaro. Ele não governa nada”, disse.

Lula diz procurar uma pessoa que tenha “o comportamento, a lisura, a dignidade e competência” do ex-vice-presidente José Alencar. “Será muito difícil a gente encontrar no mundo alguém que conseguiu ter a sorte de ter um vice como eu tive”, afirmou.

“Obviamente eu espero que a gente possa reconstruir, não pra mim, mas para o Brasil, um vice que ajude. Porque o vice no meu governo participa efetivamente. É um vice por inteiro. Por isso que eu estou discutindo, as conversas estão andando, estou fazendo debate”, comentou.

Políticas para a Amazônia

Por fim, o petista também comentou sobre as políticas voltadas para o meio ambiente. A Amazônia, em 2021, atingiu o maior índice de desmatamento dos últimos 10 anos, segundo estudo do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Dentre as ações de governo para a região, Lula afirmou um compromisso de combinar a capacidade produtiva rural com a capacidade de preservação ambiental. Para ele, a questão ambiental é uma questão crucial também porque os produtores rurais são profissionais que têm um compromisso com o Brasil, e querem continuar vendendo os seus produtos no exterior.

“O Brasil não precisa derrubar uma árvore, o Brasil tem terras degradadas, abandonadas, e pode recuperar para plantar o que quiser, para criar gado, para plantar soja, para plantar milho, sem ofender a floresta. As pessoas têm que entender que se a gente investir corretamente em pesquisa, a biodiversidade amazônica pode permitir que a gente tire disso uma fonte de enriquecimento do povo da região da Amazônia. Ou seja, nós temos experiência, temos expertise. O Brasil precisa parar de pensar que a gente não pode utilizar a nossa biodiversidade para melhorar a vida do povo, sabe?”, ressaltou.

Biodiversidade

Lula disse ainda que o país precisa usar a biodiversidade para melhorar a vida da população, e que a questão ambiental para os brasileiros é sagrada. Ele afirmou que essa é uma obrigação moral e um compromisso com o povo brasileiro. “Nós vamos reconstruir tudo o que o Bolsonaro destruiu, ele destruiu o Ibama, destruiu o ICMBio, ele tirou dinheiro do Ibama e mais de 20% dos funcionários foram mandados embora, tirou R$ 11 milhões das ações de fiscalização do Ibama”, apontou.

“Nós vamos ter que construir um novo Brasil e construir um novo Brasil em 2023, e isso significa a gente colocar a questão ambiental em qualquer discussão que a gente faça, para discutir a administração, desenvolvimento e investimento no Brasil. Esse é um compromisso do meu partido, e que eu tenho com o pessoal que que luta e que briga e que morre dependendo da questão ambiental. Não vamos invadir a terras indígenas para fazer garimpo, nós vamos proteger as terras indígenas e não vai ter mais o assalto que o garimpo está tendo nas terras indígenas no Brasil”, assegurou.

O presidente finalizou, inclusive, lembrando da preocupação com o rio Tapajós, recentemente contaminado por mercúrio devido às atividades de garimpo na região. “Eu já tive o prazer de tomar um banho nas águas azuis do rio Tapajós. Eu não posso conceber a ideia que aquela água está barrenta. Eu não posso conceber a ideia que aquela água está recebendo mercúrio. Como é que eu vou comer um filhote se as águas do estado do Pará estiverem poluídas com mercúrio? Não, não, nós vamos cuidar disso com carinho. Pode ficar certo”, finalizou.

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